Como será sua vida no futuro

O primeiro post desse blog foi em junho de 2014.

Se naquela época alguém me contasse que em sete anos a minha vida estaria do jeito que é hoje, eu jamais acreditaria.

Continuo trabalhando na mesma empresa, morando com a mesma pessoa, na mesma cidade, no mesmo país, mas ao mesmo tempo parece que eu estou vivendo na quinta dimensão. Às vezes eu mesma me pergunto como eu posso sentir essa sensação de liberdade e segurança enquanto do lado de fora o mundo externo parece estar em caos: stress, longas horas de trabalho, prazos impossíves, maternidade, reforma de casa, ansiedade, corona virus, psicopatas, corrupção, violência… Como se sentir bem num mundo acelerado e caótico?

Vamos dizer que a resposta é simples, porém complexa: Os cavalos continuam selvagens, mas o cocheiro está no comando!

Inspirada na alegoria do cocheiro e dos cavalos alados de Platão, vou aproveitar e ser criativa e comparar as emoções aos os cavalos selvagens, o corpo humano com a carruagem e a consciência com o cocheiro.

A minha carruagem tem um cocheiro e sete cavalos, vamos chamá-los de Gula, Avareza, Luxuria, Ira, Inveja, Preguiça e Orgulho.

Cada cavalo necessita de cuidados especiais e nem sempre eles ficam agitados com as mesmas coisas. Quando o cocheiro não está atento às necessidades de cada um ou não souber qual situação altera a tropa, ele pode perder o controle porque os cavalos tem mais força do que ele.

O cocheiro é o responsável por manter os cavalos alinhados. Se ele não sabe para onde está indo ou se distrair no meio do caminho, a carruagem pode ficar sem rumo, correndo o risco de não chegar a lugar nenhum, podendo até mesmo acontecer um acidente.

Os cavalos são os motores propulsores que nos dão energia e a força necessária para percorrer os caminhos da vida, mas eles são inconscientes, fortes e desvairados por isso precisam de atenção, cuidados e liderença.

Qual o segredo, então?

Meus cavalos continuam selvagens, mas o cocheiro agora sabe para onde e porquê ele está indo. Às vezes ele tem medo, outras vezes ele se distrai, mas logo quando um cavalo ou outro se acalma ele aperta as rédeas e continua sua jornada.

A maioria das pessoas passam pela vida desconhecendo sua carruagem, culpando a estrada esburacada e deixando os cavalos soltos. A maioria acha que é própria carruagem, outras acham que são o cocheiro e algumas ainda pensam ser os cavalos.

Mas a liberdade vem quando você aprende que você não é nem um deles.

Porque escolher uma escola Waldorf?

O principal motivo que nos fez escolher uma escola Waldorf para nossa filha Maya foi o fato dela não gostar de ir para a escola que ela frequenta atualmente.

Se eu sentisse que Maya realmente gostasse da escola ou de estar em ambiente com muitas crianças ou se ela fosse mais extrovertida, talvez ela continuasse no ensino público. Mas… a vida sempre é cheia de surpresas….

Creche

Maya frequenta a mesma escolinha há 5 anos. Passa muitas horas por dia entre 6 a 10 horas. Ela conhece praticamente todas os professores e alunos, mas desde o primeiro dia ela sempre relutou ir pra escola, mesmo antes de aprender a falar, e agora com 6 anos ela inventa as maiores desculpas pra não ter que ir.

Gosto muito das pedagogas (durante esses 5 anos houveram fases com falta de professores, cuidadores etc), mas no geral a escola tem ótima organização, Maya aprendeu coisas demais e eu sempre tive uma boa relação com as professoras.

Maya na escola

Eu nunca descrobri porque Maya não gosta de ir pra escola. Normalmente, quando eu pergunto ela responde uma das alternativas:

  • Agnes não deixa as outras duas amiguinhas brincarem com ela: Agnes é a rival. Desde que ela veio aqui no aniversário da Maya eu percebi que ela tende a manipular as outras amigas pra fazer o que ela quer, e Maya muito esperta não cai na dela, mas sofre com essa situação. Nunca conversei sobre isso na escola. Mas sempre percebi que as professoras tentam modificar os grupinhos e espalhar as crianças para que elas se socializem com todos. Talvez nós devêssemos realmente ter levantado essa questão mais claramente, mas resolvemos não apontar dedos e confiar na decisão das pedagogas. Um erro? Talvez!
  • Está cansada: Maya fica muitas horas na escola. Entre 6 a 10 horas dependendo do nosso trabalho.
  • Muita confusão: Muitas crianças, isso faz com que a escola não tenha aquela sensação familiar e se torne um ambiente mais frio. Talvez por ser filha única combinado com o tipo de personalidade introvertida, Maya se sente muito mais confortável num ambiente calmo e mais intimo.

Pessoalmente acho que a interação entre os pais na escola é muito ruim. Tivemos pouquissimas reuniões de pais, depois do corona então nem se fala. Toda informação do que as crianças fizeram ou comeram durante o dia é afixada na porta da sala and that’s it!

Uma criança com idade escolar se aproximando faz a gente pesquisar o que está acontecendo nas escolas e o que a gente encontra não é assim tão legal. Na verdade nada mais é o reflexo da nossa sociedade, mas o número de crianças e adolescentes em depressão e que sofrem bulling por aqui é bem alarmante. Sempre vejo pais reclamando sobre bulling e outros problemas na escola no grupo do bairro no Facebook.

Aqui as crianças são enviadas para a escola mais proxima de casa e a maioria dos pais nem pensam qual escola vão colocar o filho. Como no Brasil as escolas tem diferente reputação, é costume os pais fazerem pesquisa e buscarem uma escola que se encaixe com a forma como eles pensam e o que eles acreditam que é importante para os filhos. Na minha época era o vestibular. Minha mãe queria me colocar numa escola que desse base para o vestibular… Acredito eu que era a maior preocupação: uma escola boa foca em preparar o aluno para o vestibular.

Mas quando eu comecei a me questionar o que eu acho importante para a minha filha durante a fase escolar, num país onde não tem vestibular só me vinha uma resposta na cabeça: é importante que ela goste da escola onde ela estude, que se sinta bem e segura, que tenha amigos e se sinta livre para se expressar e ser quem ela é. Que aprenda coisas que ajude a entender seu papel no mundo, a ser independente e tenha um desenvolvimento emocional e ético sadio.

Então um pouco antes de Maya completar 6 anos a escola Waldorf não parou de sair da minha cabeça.

Conversei com minhas amigas no Brasil que tinham filhos na pedagogia Waldorf. Conversei com um casal de brasileiros na Holanda. E li tudo sobre Waldorf na Suécia e no mundo. E uau! A proposta da Waldorf se encaixou no que estou buscando para minha filhota.

Waldorf o quê?

Desde o ano passado, quando começou a quarentena, eu tenho feito alguns cursos de pintura online. Um curso com uma artista daqui de Stockholm Ania Witwitzka e um outro curso com uma americana da Califórnia Amanda Sage. Ambas tem aproximadamente a minha idade. Mas elas têm uma característica em comum apesar de uma nunca ter ouvido falar da outra. Eu não sei ao certo qual é essa qualidade, mas se eu fosse colocar em palavras eu descreveria que elas são livres, expontâneas, naturais e emprendedoras. Possuem um brilho que irradia delas e contagia. Ambas exporadicamente comentam que estudaram na escola Waldorf e isso ficou no meu inconsciente.

Quando eu li a proposta da escola Waldorf: desenvolver o ser humano por completo, onde o processo ensino-aprendizagem acontece através da arte, música, escultura, muito contato com a natureza, eu me apaixonei, imaginei como eu seria se eu tivesse tido a chance de estudar numa escola assim?

A nossa sociedade precisa de uma reforma geral, crianças e adolescentes em depressão não é uma coisa natural. Bulling não é uma coisa natural. A causa é o que eu comentei nesse post (a escola não valoriza o ser humano e as características individuais de cada um, mas sim quer padronizar e colocar todos no mesmo nível). As pessoas na escola começam desenvolver baixa estima em vez de desenvolverem a sensão de pertencer a uma sociedade.

Pessoalmente não sou super contra provas, eu acho que sim deva existir um padrão básico de conhecimentos que um aluno deva ter em determinada série. Eu me dou bem no ensino tradicional, competitivo e provas, mas minha filha tem um outro perfil.

Kalmar Waldorfskolan

Em dezembbro do ano passado comecei a escrever pra escola Waldorf e em janeiro fizemos uma visita só eu e Fabio. Conhecemos a escola, o diretor e a professora do pré. Fomos a tarde onde a as aulas já tinham acabado, mas algumas crianças ainda estavam lá no fritids (tipo um period extra para as crianças ficarem até que os pais possam buscá-las). E eu já vi que nenhuma criança estava jogando no telefone e estavam relaxadas e descontraídas.

A escola é bem pequena. Sendo um corredor com salas de aula no piso térreo, um refeitório e os banheiros. As paredes eram verde claro ou rosa com carteiras de madeira e quadro de giz (à moda antiga). No piso superior é o ensino fundamental.

A professora do pré é alemã, falando com sotaque bem carregado, que eu demorei para associar, pensei que fosse holandesa. Ela nos mostrou a salinha do pré e como é a rotina da pré-escola. Tudo bem simples, de madeira com pele de carneiro, excelentes materiais de pintura (pincéis e papéis) coisa rara em pré-escola.

Em março fomos lá novamente, dessa vez com Maya e ela gostou. Desde então já fala pra todo mundo que vai pra escola Waldorf.

A transição da creche para a escola é bem legal

Esse mês a professora da escola Waldorf, ligou pra atual professora para pegar as informações da Maya. Basicamente é informação sobre o que a maya tem interesse, o que ela tem dificuldade ou facilidade etc. Em breve, a professora Waldorf vai um dia lá na escola atual fazer uma visita.

Em maio Maya vai lá na escola waldorf passar um dia com eles e em junho haverá um encontro para todas as crianças juntas.

Depois das férias de verão as aulas recomeçam no fim de agosto.

Pretendo escrever mais sobre a minha experiência de mãe “Waldorf”. Acho que será um aprendizado pra mim também.

Escolas na Suécia

6 anos se passaram desde que eu tive a minha filha. Hoje estou mais velha, mais feia, mais cansada, porém minha vida se tornou muito mais alegre e divertida depois que Maya nasceu.

Eu me tornei mãe velha (36) (mãe avó como eu costumo chamar). Eu sempre gostei de psicologia e filosofia, mas realmente a maternidade me deu a oportunidade de observar bem de perto um ser humano se desenvolver. Maya, desde que ela nasceu, ela já era ela. E você sempre foi você!

E esse é princípio da vida: viver é ser e a gente já nasce sendo! Nas condições adequadas de luz, humidade e calor, a pupa vai virar borboleta, a semente vai virar planta e a planta vai dar flor, assim como o bebê vai virar um adulto… sem pressa, sem forçar, tudo que todos os seres vivos precisam são condições adequadas para se tornarem aquilo que eles já são.

Daí, sendo mãe, eu recordei meus próprios pensamentos (meus famosos flashbacks): durante a infância e adolescência eu pensava que quando fosse adulta, eu seria uma outra pessoa. Alguém diferente de mim. Por incrível que pareça, nunca passou pela minha cabeça que eu adulta seria eu mesma.

Eu não sei se todas as pessoas já tiveram a mesma ilusão que eu. Mas a verdade é que as crianças sabem que elas são temporariamente crianças e que corpo delas estão em constante transformação. Elas sentem a ordem natural da vida.

No meu caso, quanta decepção! Primeiro eu não cresci (1,54 cm foi o máximo), segundo sou a mesma pessoa!

Mas espera! Porque o título é escola na Suécia? Tá bom, a escola aqui é boa, gratuita, tem comida, não precisa de uniforme, os alunos não usam caderno depois da sexta série e no ensino médio existem cursos técnicos profissionalizantes.

Mas o principal é que a escola aqui como em todo lugar do mundo, tem a principal função de formar pessoas para o mercado de trabalho. Então o ser humano vive 20 anos indo para a escola 6 horas por dia, 5 vezes por semana (aprendendo coisas que ele vai esquecer quando chegar em casa), para que finalmente o indivíduo esteja pronto para escolher uma profissão. Basicamente esse é o resumo de nossas vidas.

Maya começará a escola primária depois do verão (atualmente ela frequenta o jardim da infancia förskola) e apesar de ter uma escola pública com boa reputação em frente casa nós decidimos por uma escola alternativa (Kalmar Waldorfskola) que fica bbem mais longe de casa. Num próximo post pretendo escrever mais sobre o que é pedagogia Waldorf e as razões que nos fizeram escolher uma escola alternativa onde o slogan é “um caminho para a liberdade”.

Desculpa esfarrapada: falta de tempo

Um dia desses uma amiga me convidou para ir à sua casa e eu disse pela décima vez que estava meio atolada e sem tempo por esses dias e ela me respondeu que não aguentava mais essa desculpa e que eu deveria inventar outra, pois todo mundo tem 24 horas e que eu deveria priorizar meus amigos.

Eu tenho obviamente que concordar pois realmente visitá-la nesse momento não é a minha prioridade. Mas como eu vou responder dessa maneira?

Mi, quer vir em casa amanhã? humm, amanhã eu já tenho outra prioridade, e já tenho prioridades suficientes para os próximos 5 meses.

Eu posso dizer que é a casa, que é a filha, que é o cachorro, que é o gato, que é o trabalho, mas eu sempre fui muito auto-envolvida e sempre tive dificuldade de encontrar um equilíbrio entre minha vida social e meus afazeres.

Aqui na Suécia as pessoas planejam os encontros com pelo menos 15 dias de antecedência. Pela minha experiência a gente tem mais coisas pra fazer aqui do que no Brasil, porque aqui quase tudo a gente faz a gente mesmo e não terceiriza. Diferentemente do Brasil, onde as pessoas terceirizam desde os filhos até a limpeza da própria privada.

A última vez que estive no Brasil uma menina que eu tinha acabado de conhecer veio me contar que tinha pago 3 mil reais para uma empresa de decoração pendurar uma cortina. Eu pensei, se tivesse me dado a metade disso eu mesma teria pendurado pra você.

Muitos reclamam dos problemas em encontrar amigos aqui e que os suecos são muito fechados. Uma coisa muito comum na Suécia chama-se “föreningsliv” que seriam as associações. Associação de pessoas com interesses comuns, fotografia, filme, música, pintura, costura, livros, culinária, comida vegetariana, esses dias vi uma onde as meninas se encontravam na piscina uma vez por semana e colocavam uma calda de sereia e ficavam nadando, enfim tem de tudo. Assim você encontra pessoas que tem o mesmo tipo de interesse que você e fica mais fácil fazer amizade. No meu caso me envolvo com outras mulheres através da dança. Também frequento às vezes um grupo de pintura. O governo fornece locais gratuitos para as pessoas se encontrarem.

Quem são os suecos?

Passando por aqui pra ver se encontra algo novo? Pois então hoje é o seu dia de sorte! Finalmente um post novo para iniciar 2017! Espero que vc tenha tido um ótimo ano! Quem sabe não será o ano em que vc conhecerá um sueco ou uma sueca não é mesmo? Mas, enfim, você conhecendo ou não um sueco, vai aprender muito com eles através dessa leitura!

É claro que não dá para generalizar e dizer que todas as pessoas de um país são iguais, mas de um modo geral os suecos são:

1. Inteligentes
Os suecos são as pessoas mais inteligentes que eu conheço. Eles tem muita facilidade com línguas, são práticos eliminando assim qualquer desperdicio de tempo e dinheiro com coisa desnecessária para executar uma tarefa. Não é incomum encontrar um sueco que desenvolve máquinas e outras invenções na garagem de casa, talvez porque eles brincam com lego desde cedo ou talvez porque eles não assistem a globo! Alguns suecos inteligentes famosos: Celcius (aquele que inventou o grau celcius), Lineu (aquele que classificou as espécies dando nome científico, Carl Munters (que inventou a geladeira), Lars Magnus Ericsson (desenvolveu a produção de telefones celulares e peças)

2. Bonitos
As crianças então são lindas! Os suecos(as) em sua maioria são magros ou bem distribuidos. Costumam ter uma barriguinha de chopp, mas ninguém é perfeito né gente! Eles costumam ter o nariz e a boca bem formados além do cabelo lindo. As mulheres são bem curvadas, com peito e bunda, e eles são bem ossudos. Os homens tem fixação por cabelo e as mulheres por maquiagem e unha postiça, especialmente quando são jovens, entre 18 a 24. Hollywood ama eles.

3. Grandes Entrepreneurs
Muitas das grandes empresas multinacionais conhecidas no mundo todo são suecas. Inclusive os donos estão na lista dos mais ricos do mundo: Ingvar Kamprad (IKEA), Erling Persson (HM), Axel Wenner-Gren (Eletrolux).

4. Patriotas
Você provavelmente não vai encontrar um sueco viajando pelo mundo usando a camisa do time sueco, nem levantando bandeira a não ser que seja copa da UEFA, mas os suecos levantam a bandeira da Suécia na porta de casa. E preferem tudo que é produzido aqui, carne, morango, vidro, carro. Os suecos sempre dão preferência aos produtos produzidos por eles, mesmo que muitas vezes sejam mais caros. Para eles, se o produto for sueco está implícito que tem qualidade e que pode confiar.

5. Trabalhadores
Os suecos (em sua maioria) não têm empregada em casa, e quando tem elas não são como no Brasil, que arrumam até cama. Os empregos populares aqui como atendente de café, você tem que cuidar do caixa, fazer os lanches e cafés e ainda no fim do dia limpar o chão. Muitas vezes trabalham no frio na rua o dia todo. Os suecos além de trabalhar fora, cuidam dos filhos, vão pra academia, fazem comida, possuem pelos menos dois hobbies e mais: cortam grama, pintam janela, reformam casa, consertam carro, trocam o pneu do carro, constroem a própria garagem, o próprio depósito e alguns deles constroem até a casa com as próprias mãos. Buscam os móveis nas lojas, montam sozinhos em casa. Nada aqui vem pronto! No domingo, quando vc passeia pelas ruas e não vê ninguém, é porque eles estão em casa arrumando ou montando alguma coisa.

6. Hightech
Tudo aqui é digitalizado. Vc faz tudo pela internet. Abre conta, fecha conta, marca dentista, desmarca, compra, vende, horário de ônibis, passagem de trem, onibus e avião e até fazer pedido em restaurante. Existem muitas aplicações que a gente não vive sem aqui: skype, spotify, bankid (pra se identificar em sites de banco e do governo), swish (pra transferir dinheiro de pessoa pra pessoa ou para empresa).

7. Bons pais e mães
Eles estão sempre fazendo coisas com os filhos, levando para passear, para andar de bicicleta, a vida deles gira em torno dos filhos. Tanto dos pais quanto das mães.

8. Ambientalistas
Os suecos se preocupam com o meio ambiente. Adoram vegetarianismo e produtos ecológicos. Estão sempre preocupados em contribuir de alguma maneira para ajudar algum projeto ambiental e social.

9. Ricos
Os suecos estão em quarto lugar com a melhor renda per capita da Europa e quinto lugar em todo o planeta. Com uma renda média de 82.930 € por ano.

10. Felizes
Como ser infeliz com todas as características anteriores? Os suecos são pessoas felizes, mas não muito risonhas, não se metem em confusão, evitam discussão, costumam ser sensatos, pensar muito antes de tomar uma decisão e de um modo geral prezam a família e gostam de ter poucos amigos íntimos.

Exames e finalmente o desmame

Bom, me rendi e fui ao médico verificar a minha perca de peso. A médica, uma moça bonita e nova, recém formada, me tratou muito bem e a consulta demorou mais tempo do que com um um médico mais experiente. Apertou meu pescoço, minha barriga, me fez um monte de perguntas etc. No fim me pediu exame de sangue e uma tomografia computadorizada.

O exame de sangue é feito na hora mesmo. Saindo da sala do médico você ja entra na sala de tirar sangue, muito prático. O resultado sai mais ou menos uma semana e o médico te liga ou te envia uma carta dizendo que o resultado está normal ou preocupante. Não é como no Brasil onde vc recebe os números e a informação completa.

Duas semanas depois lá vou eu ao hospital fazer a tal da tomografia, bebo um litro e meio de contraste e mais uma dose na veia, que caiu no meu músculo deixando o meu braço bem inchado. Depois de tudo pronto pergunto se eu posso dar de mamar depois de ter bebido aquilo e a enfermeira recomenda esperar 48 hrs.

Chegando em casa, Maya já tinha chegado da escola e estava brincando com o pai. Quando me vêvem correndo pro meu colo, sentadinha ja na posição de mamar e eu falo: Maya não posso, mamãe foi ao hospital recebeu um remédio na veia e você não pode mamar, falei isso mostrando os esparadrapos do braço aqueles que eles colocam para estancar o sangue. Dito isto foi quase como se ela tivesse entendido. Saiu do meu colo e continuou a brincar. Estva quente, resolvemos sair e fazer um picnic para distrair. Quando ela queria peito eu mostrava o esparadrapo. Ela chorava um pouco e acabava bebendo a mamadeira. Foi uma semana muito difícil, pois para completar ainda pegou uma cripe e ficou 3 dias com 39,5 de febre e tosse por 3 semanas. A segunda semana sem peito ela ainda sentia falta. Ficava nervosa às vezes. Hoje, quase um mês depois está bem mais tranquila e parece outra criança. Está comendo muito bem, gosta da mamadeira e está dormindo a noite inteira. Parece um milagre.

Enfim esse desmame foi muito difícil, tanto pra mim quanto pra Maya. Mas valeu a pena e não me arrependo. 1 ano e 3 meses esse foi o meu limite, foi o limite do meu corpo.Tenho saudades já das mamadas, dos carinhos, mas o que passou, passou. Maya perdeu todo o jeito de bebê e é uma menininha agora.

Eu estou ainda muito cansada, mas já estou com uma cara mais saudável. Engordei um quilo e meio desde então, mas hoje tenho um outro exame do intestino, porque a tomografia acusou um probleminha. Bom, vamos ver o que vai dar.

Amamentação causa perca de peso?

44 QUILOS

Depois de um ano e dois meses amamentando, continuo perdendo peso…

Ontem o Fábio virou pra mim e disse que estou parecendo uma doente anoréxica. Com 44 kg, pele e osso, finalmente cheguei ao ponto de me preocupar. Pra completar, ontem na rua, encontrei um conhecido e ele nem me disse oi, veio direto e me perguntou “nossa o que está acontecendo com você, porque está tão magra?” Adoro pessoas sinceras!

Eu como bem, não como muito doce, nem muito feijão, nem muita carne, mas eu como. Estou tomando até umas vitaminas. Tenho sim muitos afazeres domésticos, mais um bebê pra cuidar, mais trabalho….

PRODUÇÃO DE LEITE MATERNO

Mas será que a amamentação me faz perder peso? Depois de uma consulta no “Whats up” com a mulherada, aparentemente só eu perco peso amamentando, mas através das minhas pesquisas encontrei que  a produção de leite consome cerca de 500 calorias a mais do nosso corpo.

Per Breastfeeding and Human Lactation (Riordan, 2004, p. 438), “The amount of energy needed by lactating mothers continues to be debated. The lactating mother need not maintain a markedly higher caloric intake than that maintained prior to pregnancy: in most cases, 400-500 calories in excess of that which is needed to maintain the mother’s body weight is sufficient.”

NECESSIDADE DE PARAR A AMAMENTAÇÃO

Enquanto o meu coração quer continuar a amamentar, meu corpo está pedindo para parar. Tenho que admitir que estou cansada e desnutrida e que está na hora de eu tomar uma providência porque eu não vou conseguir ingerir 500 calorias a mais na minha dieta. Porque parar de amamentar é tão fácil para algumas pessoas e tão difícil para outras, como para mim por exemplo? Está certo que o bebê vai chorar por três dias e três noites na melhor das hipóteses, mas nós duas estaremos livres depois desse período. Será alguma necessidade que eu tenho de ficar tão colada assim na minha filha? Será alguma carência afetiva? Humm pode ser… Mas também pode ser porque eu sei que o leite materno é o melhor para o bebê. Maya nunca tem febre, nem fica muito gripara, no máximo um nariz entupido.

NA SUÉCIA

Estive lendo esse blog sueco entilulado Não amamentar, o melhor que eu fiz! e primeiro me veio muita raiva, depois um pouco de inveja.

Ao ler o título meu queixo foi ao chão. Meu deus como uma mãe escreve uma coisa dessas, mas continuando a leitura e pesando todos os benef+icios que ela conta, me veio um pouco de inveja da liberdade daquela mulher: divido as tarefas igualmente com o pai. Um dia é a mãe que coloca o bebê pra dormir, o outro dia é o pai. Não teve todo aquele problema inicial para se adaptar à amamentação. No primeiro mês após o parto já estava se sentindo bem melhor, com muito mais energiado que no pós parto parto do primeiro filho (onde ela tinha amamentado por 6 meses). Tendo mais energia, consegue brincar muito mais com o filho. Ela também fala que nunca deu leite artificial quente. Sempre temperatura ambiente ou mesmo gelado, assim ela também não tinha o trabalho de esquentar mamadeira, se tivesse no carro ou na rua. Coitado desse bebê, pensei eu. Mas segundo ela o bebê é muito feliz, alegre e não tem problemas de comportamento ou de carência afetiva.

INCONCLUSÃO

Hummm…. as mulheres suecas muito à frente do meu tempo! Por que justo eu tenho tanta dificuldade em me desligar da amamentação? E vamos ser claras aqui, tem que partir de mim, não da Maya. É uma decisão minha. Bom, depois de um mês que eu parar de amamentar volto aqui para contar se era mesmo a amamentação que estava sugando minhas calorias.

Escolas na Suécia: creche (parte II)

ADAPTAÇÃO
A adaptação na creche ou escolinha como eu já mencionei aqui é chamada de “inskolning”. Na escolinha da Maya, são 14 dias de adaptação e nesse período os pais vão junto com as crianças e ficam lá por uma hora apenas.

REALIDADE
Quarta-feira então fui lá com Maya. Estava muito positiva, pois eu havia gostado bastante da professora e da estrutura fisica da escola. Chegamos lá na hora combinada, tiramos os sapatos e as jaquetas, e entramos. Junto com a gente tinha mais uma família que também estava fazendo a adaptação da filhinha. Lá dentro só havia 2 crianças e a Maya e a Eli (fazendo adaptação) as outras estavam brincando do lado de fora no parquinho.

Sentei no sofá junto com os outros pais e para minha surpresa Maya não se snetiu à vontade. Ficou tímida e grudada na minha perna. A professora mostrou um ou outro brinquedo mas Maya não se entregou assim tão fácil. Ela olhou uma coisa ou outra, mas ficou o tempo todo de olho em mim para ver se eu estava por perto. Ao fim de uma hora ela estava cansada querendo dormir.

MINHA HUMILDE OPINIÃO
As crianças: Eu achei as duas crianças que estavam lá dentro muito tristonhas. Não davam nenhum sorriso e estavam querendo a mãe. Não choravam, mas estávam meio apáticas.


As professoras
: muito paradonas. Não cantavam, nem fizeram nenhuma atividade dirigida. Simplesmente colocavams uns brinquedos perto das crianças e sentavam na frente delas. Não batiam palma, nem faziam barulhos engraçados com a boca. Qualquer pessoa com a minima experiência com criança sabe que bebês de um ano gostam dessas coisas de barulhos etc. E lá era um silêncio total. Nem parecia uma escolinha.

A comida: ofereceram frutas para as crianças no momento em que a gente estava lá. Mas em nenhum momento vi as professoras oferecendo água por exemplo.

O tempo: eu acho que uma hora é bem pouco tempo para se adaptar a um local. Podia ser no mínimo 3 horas.

Enfim, só ficamos lá por uma hora. Fabio fez a adaptação na quinta e na sexta e teve a mesma impressão. Espero verdadeiramente que façam mais coisas durante o dia, porque caso contrário vai ser um tédio ficar lá diariamente. Coitada da minha filha ;-(

Escolas na Suécia: creche (parte I)

CRECHE NA SUÉCIA
Todas as crianças a partir de um ano têm direito a uma vaga na escolinha (às vezes eu chamo de creche, mas não gosto desse nome) na Suécia. Aqui em Kalmar a creche custa cerca de 1300 coroas mensais, tantos as particulares ou privadas, mas esse preço pode variar para menos de acordo com o salário dos pais e quantidade de filhos.

As creches eram antes chamadas de dagis (pronúncia: “daaguis”). Hoje elas são chamadas de förskola (pré-escola) e são destinadas à crianças de 1 a 6 anos. Os suecos costumam colocar os filhos no dagis quando eles têm cerca de 2 anos, mas varia também devido à necessidade econômica da família, pois como eu já disse antes o salário cai enquanto estamos de licença.

REGRAS
Um coisa interessante aqui é que os pais só podem deixar os filhos na creche quando estiverem no trabalho e não quando estão de folga, fazendo faxina em casa ou no supermercado. Ou seja se a mãe ou o pai não trabalha fora, nem estuda, nem está procurando emprego, o filho não pode ir para creche em tempo integral. Vamos supor que eu tenha um outro filho e esteja de licença novamente, não poderei mandar Maya para escolinha mais de 15 horas por semana.

COMO CONSEGUIR UMA VAGA
Quando Maya tinha aproximadamente 6 meses eu a inscrevi no site da prefeitura escolhi a escolinha mais próxima de casa. Em dezembro recebemos a notícia de que não tinha vaga naquela escola, mas sim numa outra um pouco mais distante (cerca de 1 km mais longe). Aceitamos, mas ela mudará de escola em agosto.

VISITA
O certo é visitar a escola antes de escolher para onde enviar seu filho. Mas não foi o nosso caso. Já tinhamos amigos com filhos nessas escolas e além do mais não temos muita opção aqui perto de casa. Ou seja, primeiro nos escrevemos e fomos visitá-la depois que já estava tudo certo para Maya começar.

Sexta passada fomos conhecer a escola e tivemos nossa primeira reunião com a professora. Eu gostei muito do lugar e da professora logo de cara (coisa rara by the way). Chegamos lá a tarde, umas 15:30, estava sol, mas ainda frio. Não havia nenhuma criança dentro do prédio, apenas algumas brincando no parquinho do lado de fora sob a supervisão de uma professora.

REUNIÃO
A professora nos explicou algumas coisas sobre a adaptação que começará hoje. Perguntou se Maya chupava chupeta ou dedo e se havia algo que eles devessem saber sobre Maya. Eu achei importante dizer que dentro de casa falamos português sempre, por isso não garanto que ela entenda sueco.

Depois dessa curta apresentação, ela nos mostrou o local que por sinal era bem grande e limpo com umas 5 ou 6 salas menores (uma de pintura, outra de dança, uma de legos gigantes, outra com brinquedos que imitam coisas de casa) com paredes de vidro assim é possível ver dentro de uma sala mesmo estando em outra. Maya se sentiu bem à vontade. Mexeu em tudo e não queria ir embora. O período de adaptação é chamado de inskolning e dura 14 dias e começa hoje.

CORAÇÃO DE MÃE
Se tivéssemos mais possibilidade financeira de ficar mais tempo em casa, provavelmente nós só mandaríamos Maya para a escola em tempo integral depois dos 2 anos e meio. Eu já li muita coisa e nenhum estudo científico acredita que a escola é necessária e benéfica antes dos três anos. MAS eu tenho que admitir que minha filha é muito ativa, curiosa e social. Tenho total consciência de que ficar comigo ou com o pai dela o dia todo é chato pra ela. Ela está numa fase de exlorar, repetir palavras e estou com a mente e o coração tranqüilos de que ela realmente está pronta para ir para a escolinha. Hoje veremos se meu coração de mãe está certo.

Attachment Parenting ou criação com apego

Imagine que você esteja vivendo em uma ilha deserta, em uma cabana simples, isolada do mundo, sem internet nem telefone e sem ninguém para te dar uma opinião. Como você iria criar seu filho ou filha?

Você provavelmente agiria totalmente pelo instinto!

Basicamente isso é criação com apego: seguir o instinto materno!

Você deixaria seu filho dormir do outro lado da cabana ou traria ele para sua cama bem perto de você? Você esperaria para dar mamada de 3 em 3 horas ou daria o peito sempre que o bebê solicitasse? Enfiaria um plástico na boca dele para ele parar de chorar ou daria o peito?

Provavelmente você criaria o seu bebê da mesma forma que as mães mamiferas das outras espécies fazem: bebê coladinho na mamãe o tempo todo, sempre protegido e seguro, leitinho a hora que quiser e muito contato e brincadeiras.

Ah mas não dá, eu trabalho, tenho que arrumar a casa, lavar roupa, etc. Enfim, priorize o seu tempo! A casa não precisa ficar brilhando o tempo todo. E se tiver que trabalhar paciência, você ainda tem a noite toda e os fins de semana para ficar bem apegada ao seu filho!

Se quer um conselho, desconfie dos conselhos que tenham como objetivo separar a mãe do filho, tais como:
– vai acostumar mal carregando esse menino no colo o tempo todo.
– já está na hora dessa criança dormir sozinha no próprio quarto.
– leite materno não tem valor nutricional depois dos 6 meses.

Desconfie mais ainda dos conselhos para o bebê “aprender” o que é instintivo:
– o bebê tem que aprender a dormir sozinho
– o bebê tem que aprender a comer
– o bebê tem que aprender a fazer xixi e cocô no peninquinho

Uma coisa você pode ter certeza, seu filho, quer você ensine ou não, vai fazer xixi e cocô no vaso sanitário, vai comer e dormir sozinho. Ninguém conhece nenhum adulto que não saiba fazer essas coisas, a não ser que tenha alguma doença ou sindrome obviamente. Desencane de ensinar essas coisas.

Não existe nenhum artigo científco que prove que colo demais faz mal, ou que dormir com os pais afeta a sexualidade ou que seu filho vira gay se ele mamar no peito até 4 anos. Mas existe sim artigos científicos que associam a depressão, síndrome do pânico, agressividade e outros distúrbios mentais com a falta de contato físico na infância, especialmente durante os 3 primeiros anos de vida.

Existem sim artigos científicos que associam o stress infantil a atrasos no desenvolvimento. Bebês que não ganham o colo que desejam ou que acordam sozinhos a noite num quarto escuro por exemplo possuem níveis de cortisol (hormônio do stress) muito mais elevado do que bebês que dormem com os pais ou que tem suas necessidades atendidas imediatamente.

Eu não sou especialista em bebês, toda minha experiência vem do relacionamento de um ano com minha filha Maya. Que graças à sua própria personalidade, combinada ao nosso estilo de criação com apego, tem se desenvolvido de maneira bem rápida e saudável 🙂

Fonte:
Besame mucho