O que você deve saber antes de se mudar para a Suécia

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Existe um monte de coisas legais que você deve saber antes de se mudar para a Suécia, mas a minha missão é avisar você que aqui a gente não é NADA sem o personnummer.

Esse número, que é como a nossa carteira de identidade, garante a possibilidade de abrir conta no banco, estudar de graça em algumas escolas, procurar emprego e utilizar o sistema público de saúde. Você só recebe esse número se tiver o visto de pelo menos um ano.

Eu vivi aqui por 2 anos sem este número, pois o meu namorado só conseguia um contrato de 9 meses e portanto tínhamos que renovar o visto por esse tempo, até que ele finalmente conseguiu o contrato de quatro anos e começamos então a ter direito aos recursos sociais.

Pessoas que vêm à trabalho, já com o contrato certinho normalmente não terão esse problema, mas sim os estudantes e acompanhantes que vêm com visto temporário de menos de 12 meses. Se você não tiver esse número é importante ter um seguro saúde para algum caso de emergência. Se o seu contrato ou curso for mais curto que 12 meses, tente negociar ou emendar em outro curso para que você tenha direito a um período de estadia de no mínimo um ano.

OBS: não sei se essa regra do personnummer é a mesma para cidadãos europeus, sei que é assim para brasileiros, pois eu mesma passei pela infeliz experiência de viver aqui sem esse número.

Saber ou não o sexo do bebê

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Quando nós descobrimos que eu estava grávida, logo de cara decidimos que a gente só iria querer saber o sexo do bebê no dia que ele nascesse. A gente queria se conectar com esse serzinho de uma forma mais espiritual, abrindo nosso coração, sem deixar que a mente e a razão tomasse conta da gente.

Na minha opinião, o descobrimento do sexo antes da hora é mais uma forma da gente tentar manter o controle e tirar o foco da gravidez em si. Pelo que eu vejo, quando as pessoas já sabem o sexo, elas já começam a preparar o quarto de tal cor, de comprar roupas de certo jeito, e aí o foco espiritual dá espaço para o material.

Aqui na Suécia é bastante comum não saber o sexo, mas no Brasil, as pessoas, e com isso eu quero dizer a minha mãe, fazem um drama! Minha mãe não consegue entender porque eu não vejo logo o sexo e já escolho o nome de uma vez. Assim ela sabe o que vai trazer para o quarto do bebê, já manda bordar toalhas com o nome, e por aí vai. Para a minha mãe, não saber o sexo só dá mais trabalho.

Mas essa é a forma que nós escolhemos para viver a gravidez que a gente encara como a fase de preparação para o nascimento. O parto é o primeiro rito de passagem do meu filho(a) e eu quero que seja uma momento dele(a), focado nele(a) e não apenas em mim ou ao que me convém. Neste momento, eu sou apenas um tunel que, enquanto ele(a) está passando por mim, estarei aqui nutrindo e protegendo ele(a) e quando for a hora dele(a) sair, quero fazer o possível para que ele(a) saia sem sofrimento, com saúde e felicidade de estar vindo conhecer a gente.

Quero aproveitar esse momento de transformação física e espiritual e ser grata pela oportunidade de estar vivenciando tudo isso. Por mais que a gente queira manter o controle das coisas, do mundo, das pessoas, parir é justamente se virar ao avesso e se entregar ao desconhecido!

Aqui segue mais um depoimento de outra mãe que escolheu não saber o sexo do bebê:

Segundo trimestre e planejamento de parto

Durante o primeiro trimestre, a parte mais delicada da gravidez onde os órgãos e membros do bebê estão se formando, tudo que a grávida mais pensa é que essa fase passe logo, para poder contar para os amigos, para a família e no trabalho. A gravidez ainda é quase que irreal, pois não sentimos que temos um bebê na barriga e também o corpo não mudou tanto.

No segundo trimestre, já nos sentimos melhor, menos enjôo, menos dores de cabeça, mais fome, mais disposição. O corpo muda, o bebê mexe e a gravidez já é uma realidade. É uma ótima fase para viajar, fazer compras (pois as roupas antigas já não cabem) e preparar as coisinhas do bebê. Nessa fase já fizemos pelo menos um ultrassom e temos uma certa noção de como o bebê está se desenvolvendo. Apesar de ainda faltarem 4-5 meses para o parto, é essa a hora ideal de começarmos a nos informar sobre o parto e a nos planejar. E informação é o que não falta hoje em dia! Ao contrário da época da minha mãe, onde todas as informações que ela teve vinham de forma oral, da mãe dela e dos vizinhos. Minha mãe diz que o único livro que ela comprou foi o famoso livro dos anos 70 e 80: Meu bebê. E que quando ela sentiu aquelas dores das contrações ela achou que fosse morrer.

Mas hoje em dia tudo mudou. Temos informações em excesso. A gente sabe dos tipos de parto, das vantagens e desvantagens de cada um, e o mais importante acho que a humanidade vem descobrindo uma outra forma de nascer e das consequências de um bom parto na vida de um ser humano. Eu fico um pouco surpresa às vezes, quando fico sabendo de algumas escolhas das minhas colegas e alguns familiares no Brasil, já que são pessoas informadas, de classe média e com alto nível de educação. Mas cada um tem o parto que merece! Cada um se prepara para o tipo de parto que vai conseguir ter.

Aqui na Suécia, como eu já disse antes, o parto padrão é o normal, onde a mulher vai para o hospital quando já estiver com contrações regulares e chegando lá quem estiver de plantão é que irá atendê-la. Caso algo dê errado, ou a mulher tenha algum problema, aí então chamam o médico e fazem uma cesária.

Mas apesar de toda essa “normalidade” do parto na Suécia, acredito que as mulheres daqui também não conhecem todo o seu poder feminino-animal para terem um parto mais natural ainda. Vi alguns vídeos no youtube e achei que elas usam muito a epidural e aquele gaz que tira a mulher da “realidade” por alguns segundos.

Eu tenho lido muitas coisas sobre o parto, e já que eu trabalho há tempos com o corpo feminino, espero realmente, que essa minha consciência corporal me ajude a ter um parto 100% consicente, prazeroso e porque não, orgásmico.

Eu separei uma série de vídeos informativos e motivadores para nós mulheres do século 21, entre tantos outros vídeos, encontrei essa brasileira que vive na Australia com uma forma muito bonita de pensar e que bate muito com a forma que eu vejo a gestação e o parto.

E a maior surpresa foi ter encontrado esse vídeo: “Parto orgásmico, o segredo mais bem guardado”. Uau! Que ótimo ter encontrado algo assim, isso muda tudo, toda a forma que a gente via o parto, toda a forma que a gente via a mulher e o papel da sexualidade no ser humano.

Enfim meninas! Era isso! Boa gravidez e orgasmo no parto! Beijão!

Babymoon e 22 semanas

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O verão passou e aqui estou eu de volta às minhas atividades.

Mais um ano sem as férias longas que eu tanto sonho em ter. Foram duas semanas de “folga”, uma em que viajei e a outra em que continuei organizando o evento de dança do ventre.

Na semana 17 da minha gravidez fizemos o Babymoon: que é um termo que descreve a última viagem do casal antes do primeiro filho nascer. Quase como uma lua de mel, só que durante a gravidez.

Fomos à ilha de Mallorca na Espanha e ficamos numa praia chamada Alcúdia. Uma semana de mar, massagem, piscina, almoço, jantar, passeio no centrinho, enfim uma semana no paraíso!

Logo depois que eu voltei, tive mais uma semana de férias onde eu praticamente trabalhei na preparação do evento de dança do ventre que eu estava organizando. Preparei tudo para receber uma artista brasileira aqui em casa. Muito trabalho, mas tudo deu certo no final. Um dia eu escrevo um texo focado nessa outra parte da minha vida: a dança e minhas loucuras!

Pois bem, no dia 9 de setembro fiz mais um ultrassom, e tudo parece estar sob controle, segundo o enfermeiro que nos atendeu. Hoje estou na semana 21 + 3 dias. Aqui dizemos 22 semanas incompletas.

Faz mais de 10 semanas que eu não faço controle algum, nem de sangue, de pressão nem nada. Mas estou me sentindo ótima e me alimentando bem. Volto a reencontrar minha barnmorska (a mulher que me acompanha durante o pré-natal) na semana 25.

Venho sentindo o bebê mexer desde a semana 18. Está ficando cada vez mais forte, mas as mexidas ainda são bem delicadas, nada que machuque ou me incomode. Continuo dando aula de dança e trabalhando normalmente, apesar da minha preguiça crônica :-) mas eu gostaria de ter mais tempo para focar na minha gravidez e em mim.

Hoje, aproveitando o sábado, começaremos a jogar um monte de coisas velhas fora, a doar móveis antigos para abrir espaço para o bebezinho que chegará em janeiro!