Relato de parto na Suécia – parte 2

Kalmar-sjukhus

Depois do quarto Citotec, por volta das 19:15 as contrações aumentaram muito. Ficaram mais longas, frequentes e mais doloridas. Uma cólica aguda, me dava vontade de fazer xixi e cocô ao mesmo tempo. Fui ao banheiro diversas vezes. Eu já não conseguia falar quando vinha uma. Respirava fundo e mantinha a concentração. Estava um pouco chateada. Não era meu corpo trabalhando e sim aquela m***da de Citotec que tomou o controle do meu útero. Me amarraram na máquina de CTG e tudo estava normal.

Pensei em muita coisa depois da dose 4. De como seria bom se meu corpo tivesse começado a dilatar antes (por um dia) e eu pudesse estar em casa, deixando tudo correr naturalmente, aos poucos, sem um monte de gente envolvida, sem ter que ficar respondendo coisas o tempo todo, rindo forçado e sendo educada quando eu gostaria mais de me concentrar e respirar. Pensei nas histórias que eu li durante a gravidez. Pensei que logo tudo estaria acabado e teria meu bebê em minhas mãos. Pensei na Sheela-na-gig e o que realmente ela significa. Pensei no SUS, nas mulheres que são amarradas nas mesas de parto, sozinhas, sem a presença de ninguém no momento em que a mulher está mais vulnerável na vida. Pensei nas mulheres que marcam a cesárea antes do tempo do bebê querer vir. Pensei e senti muito. Senti tudo. Pensei que ironicamente, eu que tinha conhecimento, estudo e ainda assim não consegui combater o sistema, ele passou por cima de mim, de mais uma, eu não era mais uma pessoa e sim parte das estatísticas… O que eu podia fazer? Sempre vem um e diz: “é para segurança do seu bebê” e você vai fazer o que? Vai lá e faz, mesmo que seu corpo diga: pára, não deixa essas malucas fazerem isso contigo!

Às 22:00 houve troca de turno e as enfermeiras que estavam tomando conta de mim foram embora e vieram outras. Very bad energy! De cara eu detestei! Queria as outras meninas de volta. Fábio saiu para ir passear com Boris. Dilatação 1,5cm.

Às 23:15 meu corpo estava reagindo pensei eu. Não preciso mais desse Citotec. Pra mim chega! A médica disse que meu corpo iria reagir e depois eles deixariam as contrações naturais. Veio a enfermeira feia com a sexta dose de Citotec e eu disse; “não quero, não vou tomar mais. As contrações estão muito fortes já, meu corpo vai abrir sozinho, não precisa mais dessa po**a!”, e ela respondeu: “Tá bom, vou falar com a médica” e a médica respondeu que essa seria provavelmente a última dose. “OK, só mais uma, vamos lá corpo, aguenta firme, bebê isso logo vai estar terminado!”

Preciso comer, estou com frio, cansada, com fome. Pelo amor de deus me dá alguma coisa pra comer. A droga da descarga do banheiro não tá descendo o papel. Tudo me irrita! O ar a minha volta me irrita, estou à flor da pele. Queria poder esganar um. Imagina as manchetes dos jornais de Kalmar: Brasileira ataca e esgana enfermeira durante o trabalho de parto! Quem me dera! Meu corpo chacoalhava, tremia de frio e de medo da perda do controle. Contrações uma atrás da outra, quase sem pausa. Algumas eram fracas, outras fortes, mais vontade de fazer cocô. Fábio não quis deixar eu ir ao banheiro sozinha quando as contrações pioraram, então ele ia comigo coitado. Uma puta diarréia, sinto como se fosse uma menstruação, olho para baixo e grito: MEU TAMPÃO! Fábio, meu tampão tá saindo, ele existe mesmo não é lenda. Enorme. Que bom que eu vi ele! Agora devo estar no mínimo 3 cm dilatada. Apesar das circunstâncias me animei!

Às 00:30 sou amarrada novamente na máquina de CTG. Alguma coisa está errada! Não conseguem registrar o coração do bebê. Discutem daqui e dali, precisam colocar um eletrodo na cabeça do bebê e para isso precisam estourar a bolsa. “MAS QUE MERDA É ESSA” penso eu. Essa retardada dessa enfermeira não sabe colocar o eletrodo direito na barriga. Puta que pariu NÃOOOOOOOO. Procura o coração do bebê direito. Olha Michelle, nós temos que monitorar não está dando sem o eletrodo. Fazer o que numa situação dessas? Tive que concordar.

Às 01:45 colocam o eletrodo na cabeça do bebê, a informação que eu tenho é que não se vê líquido amniótico. Os batimentos cardíacos do bebê diminuiram muito. PÁRA TUDO! Párem as contrações! Uma dose de Bricanyl às 2:00 da manhã e mais outra às 2:23. Ahhhhhh que alívio, as contrações dminuiram, o coração do bebê se recuperou.

De repente tudo se transforma em um parto de alto risco! Os médicos começam a discutir sobre uma eventual cesárea. Não posso mais comer nem beber, apesar de extremamente faminta. Cateter na uretra, cateter na vagina. As contrações voltam muito intensas. Me dão paracetamol na veia.

Fico deitada de lado, na mesma posição das 3:00 as 6:00 da manhã, entubada de todos os lados. Não posso levantar. Por volta das 5:00 da manhã as contrações mudam, pelo que eu li me parece como as contrações expulsivo junto com uma vontade incontrolável de fazer força, quas ecomo a força do cocô. Fico desesperada, e peço ajuda pro Fábio, por favor chama alguém para ver se eu estou com abertura. Parece que o corpo está começando a expulsar o bebê. Enquanto vinha toda aquela intensidade, meu utero se contraindo e fazendo força para baixo, eu tentava me controlar o máximo possível para não fazer força junto, antes de ter certeza que eu tinha abertura. Uma enfermeira muito mal humorada fez o toque e disse que estava com 4 cm. Quase enlouqueci. Falei pro Fábio que eu não iria aguentar mais. Tinha alguma coisa errada. Pelo amor de Deus façam alguma coisa. Preciso de uma epidural!

Das 6 às 8 eu fiquei chorando implorando por uma epidural, ou uma cesárea, pra que deixar a gente sofrendo ali se tudo estava caminhando para uma operação. Pelo amor de Deus gente, façam algo! Estava tremendo, deitada na mesma posição sem me mexer, com fome. Já não tinha mais forças pra nada. Por incrível que pareça eu ainda dormia e sonhava entre uma contração e outra. A médica veio uma hora e perguntou: “Michelle, você está dormindo?” eu olhei pra ela com vontade de esganá-la. Nem respondi. Eu não tinha vocabulário para me expressar, só tinha palavrão na minha cabeça.

Às 8:10 veio a epidural. Obrigada Deus e à ciência por existir anestesia. Depois da epidural tudo se acalmou e Fábio foi em casa novamente passear com Boris. Me deram a oxitocina na veia e eu regulava a epidural, uma gotinha a cada 15 minutos. Tudo suportável para mim, mas e para o bebê?

A cada contração o coração do bebê caia para 40 batimentos por minuto. De repente muita tensão. Todas as enfermeiras de uma vez na sala. Me mudaram de posição, nada! O bebê não reagiu. Resolveram encher minha bolsa “Chanel” com um tipo de líquido (aparentemente eles podem esvaziar e encher as membranas quando querem e também ativar e desativar as contrações), pois poderia ser que o cordão era pressionado ou enrolado. Nada! O bebê não reagiu. Por fim, o último teste antes de decidirem pela cesárea. Retiraram sangue da cabeça do bebê e o resultado foi péssimo.

Às 10:42 me preparam para a operação. Vocês verão o bebê em 30 minutos. Eu começo a chorar. Fábio é vestido com a roupa verde para ir para a sala de cirurgia. Vão me empurrando na cama para o segundo andar. Minha cabeça era um vácuo. Não se passava mais nada, só sentia uma tristeza profunda, junto com uma certa raiva.

Às 11:16 do dia 12 de fevereiro eu ouvi um grito: buáááááá, buááááá. Olhei pro Fábio que estava sentado ao meu lado durante a cesárea e a gente quase não acreditou: NASCEU! Desabamos a chorar. Daqui a pouco o Fábio vem com um bebezinho minúsculo no colo, segurando todo desajeitado. Eu perguntei o que é? Ele disse não sei, ele perguntou para as enfermeiras: é um menino ou uma menina? Alguém respondeu: olha! Daí abriram o pano que a cobria e eu vi: Uma menina!!!!

Maya nasceu de parto induzido + cesárea de emergência, gritando direto, semana 42+0, pequena para a idade gestacional (PIG), apgar 10-10-10. Todos os testes tiveram bons resultados e ela parece ser muito forte e saudável, apesar de pequenina.

Seja bem vinda Maya!

Relato de parto na Suécia – parte 1

Hoje é dia!

Acordei às duas da manhã com contrações doloridas. Mas dava para dormir entre elas, cerca de 15 a 20 minutos. Estavam fracas, como uma cólica, mas definitivamente era o começo do trabalho de parto. De manhã um pouco de sangue na calcinha, o que me animou: “deve ser o meu tampão saindo, pensei eu”.

Ligamos para o hospital antes de vir fazer os exames, como havíamos combinado com eles. Chegamos às 9:30 da manhã aqui. Agora (enquanto escrevo o post são 18:00). Fizemos diversos exames (CTG, pressão sanguínea, urina, liquido amniótico, ultrasom, toque) e tudo normal. Estava sem dilatação, mas o colo do útero tinha começado a afinar cerca de 2 cm, contrações regulares de 5 minutos em 5 minutos, porém fracas.

Eu estava convencida de que iria voltar pra casa e esperar, pois meu corpo estava dando sinal de que já estava reagindo sozinho, mas a médica fez um leve terrorismo psicológico dizendo que agora eles mudaram as regras do hospital e não estão deixando ninguém passar da semana 42+0. Fiquei na dúvida ainda. Perguntei se eu não teria o direito de negar, ela disse que ninguém iria me forçar a nada, mas que eu deveria aproveitar que tinha quarto só pra mim bla bla bla.

Quando acabamos o último exame e a conversa com ela, já era uma da tarde quase. Estava com fome e um pouco cansada. Perguntei que horas que eles planejavam fazer a indução e ela disse que imediatamente. Perguntei se não dava tempo de eu ir em casa primeiro buscar as coisas (a gente mora na frente do hospital) e ela falou que não, era pra eu ficar e Fábio iria lá buscar as coisas.

Nos deram um quarto e às 13:30 tomei a primeira dose de Citotec (prostaglandin via oral). Até agora as 18:27 já tomei 3 doses. As contrações definitivamente aumentaram e já passaram de média para moderada. Minha mãe disse para eu me preparar que vão ficar pelo menos 100 vezes pior.

As dores são como uma cólica menstrual, só que mais aguda, se irradia para a coxa e lombar. Tem que se concentrar bastante para não ser levado por elas. Respirar e tentar relaxar o máximo. Não é fácil. A vantagem é que entre as contrações dá pra descansar, pois tudo fica calmo. Quando a pressão vem é como estar num carrinho de montanha russa, bem na beira da queda, você está vendo que a adrenalina está chegando e não pode fazer nada, apenas se entregar, curtir e esperar passar. Muito impressionante. Penso no meu bebê e peço para ele aguentar firme e forte. Não deve ser fácil para ele. Mas quem disse que a vida é fácil?

As contrações estão com a frequência de menos de 4 minutos entre elas com cerca de 1 minuto de duração. Já tive mais de 10 contrações enquanto escrevo esse post. Algumas fracas, outras fortes. Posso ficar livre aqui no quarto, mas após a próxima dose de citotec eles vão querer monitorar o bebê de novo e vou ter que ficar presa na cama, ou sentada na bola (espero). Gostaria muito de deixar meu corpo progredir sozinho, no seu próprio tempo. Com esse citotec, a cada dose, as pressões ficam mais fortes, meio que você sente que não é o corpo sozinho indo no seu próprio tempo. Queria muito estar em casa, com Boris e Astro, mas enfim as coisas são como devem ser.

jantar no hospital

Hora do jantar!

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Sopa de tomate, batatas, saladas e presunto

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Meu quarto de parto

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Meu quarto de parto

Gravidez: semana 41+6

Se me falassem que uma gravidez poderia durar 10 meses eu não acreditaria! Mas pode gente! Amanhã eu completo 42 semanas acredite ou não!

gravidez de 10 meses semana 41+6

Gravidez de 10 meses: semana 41+6

Essa noite foi terrível, depois de eu ter andado meu bairro inteiro ontem, passei a noite com dores fortes na lombar, cólica, vontade de fazer o número 2, de fazer xixi, de vomitar, tudo de uma vez só. Fiquei animada com todo o desconforto e pensei: “É hoje!”. Que nada! Fui dormir de novo depois não houve progesso. Passei o dia com dor nas costas, emperequetei meus bichos e fui pra massagem.

Que venham logo as dores do parto!

Gravidez: semana 41+5

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Mais um relato da minha gravidez prolongada!

Agora sim os últimos preparativos para quarta, o grande dia. Ainda mantendo meu pensamento positivo para que meu corpo reaja sozinho sem precisar da tal indução, mas ao mesmo tempo continuo sem nenhum sinal de TP.

Acordei depois das 10 com bastante energia! Depois de mais de uma semana de dias gelados, hoje finalmente fez cerca de 8 graus e muito sol. Arrumei casa, tomei banho e almocei, descansei, tirei umas fotos da minha barriga, mandei para minhas amigas e finalmente fui dar uma voltona com o Boris, para ver se o bebê descia mais.

De noite levamos Astro e Boris para cortar as unhas e amanhã vai todo mundo tomar banho para estar cheiroso para conhecer o baby!

Algumas fotos de Kalmar (uma das cidades mais lindas da Suécia) tiradas hoje durante a nossa caminhada vespertina.

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Long pregnancy provides such rich opportunities to look at the self, and to become acquainted with the dark and light inside us, our power to nurture and to create and to destroy, and our capacity to withstand the paradox and challenge of being both physical and spiritual beings.

Gravidez: semana 41+4

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Cadê o bebê mais esperado do ano? Nada ainda! E nem sinal de querer sair da minha barriga tão cedo.

Algo me diz lá no fundo, que a data do parto foi calculada errada e eu estou convencida de que estou entrando na semana 40 e não na semana 42. Mas como eu vou provar isso? Só esperando até quarta mesmo para ver o que eles dizem. Minha menstruação é completamente louca e Roth, o técnico de ultrassom, parece ser pior ainda que a minha menstrução. Ou seja, qual será a chance real da minha DPP ter sido calculada erradamente? Racionalizando a vida em 3, 2, 1!

Então que tal mais um cineminha hoje? Eu que tinha certeza de que semana passada seria minha última sessão de cinema em alguns anos, mas cá estou eu novamente indo assistir mais um filme e provavelmente indo para mais uma massagem amanhã, afinal o que mais eu tenho para fazer?

Estive atrás de histórias de sucesso de partos espontâneos e induzidos após 41 semanas e por incrível que pareça encontrei várias, inclusive no Brasil. Mas mesmo assim, estou me preparando psicologicamente para a indução e/ou uma eventual cesárea. Quando o assunto é parto tenha sempre o plano A e B!

Não gostaria de uma cesárea por diversas razões:
1. Risco de hemorragia e infecção
2. Recuperação demorada
3. Risco de não conseguir amamentar
4. Demora muito mais para voltar o corpo ao normal e perder os quilos extras, além de ter que ficar muito mais tempo de repouso
5. Cicatriz
6. A barriga fica feia, com uma gordurinha bem acima dos pontos
7. Não pode pegar peso
8. Risco de depressão pós parto
9. Além do uso de diversas drogas

Também não queria um parto induzido por três razões:
1. Parto induzido estressa o bebê
2. Parto induzido costuma ter mais complicações
3. Corre o risco de terminar em cesárea

Mais dois dias e saberemos o que vai rolar!

Vida após o parto

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Dentro do útero da mãe havia dois bebês. Um perguntou para o outro: “Você acredita em vida após o parto?” O outro respondeu, “Claro que sim. Deve existir alguma coisa após o parto. Talvez nós estamos aqui para nos prepararmos para o que vem depois.”

“Você é maluco” disse o primeiro. “Não existe vida após o parto. Que tipo de vida poderia ser?”

O segundo disse, “Hum, não sei, mas deve ter mais luz do que aqui. Talvez nós pudéssemos andar com nossas pernas e comer com a nossa boca. Talvez existam outros sentidos que não podemos compreender agora.”

O primeiro respondeu, “Isso é um absurdo. Andar é impossível. E comer com a nossa própria boca? Ridículo. O cordão umbilical nos dá toda a nutrição e oxigênio que precisamos. Mas o cordão é curto. Vida após o parto deve ser obviamente excluída.”

O segundo insistiu, “Hum, acho que existe alguma coisa, talvez diferente daqui de dentro. Talvez não precisamos mais fisicamente desse cordão.”

O primeiro respondeu, “Que viagem sua! E mais, se existe vida após o parto, então porque ninguém nunca veio de lá? Parto é o final da vida, e no pós-parto não existe nada além de escuridão e silêncio. Não nos levará a lugar nenhum.”

“Bom, eu não sei,” dise o segundo, “mas a gente com certeza encontrará nossa Mãe e ela cuidará da gente.”

O primeiro respondeu “Mãe”? Você realmente acredita em Mãe? Só rindo mesmo! Se Mãe existe então onde ela está agora?”

O segundo disse, “Ela é tudo que está a nossa volta. Nós estamos cercados por ela. Nós somos ela. É dentro dela que a gente vive. Sem ela esse mundo não poderia existir.”

O primeiro disse: “Hum, eu não a vejo, para mim ela obviamente não existe.”

O segundo então respondeu, “Às vezes, quando você está em silêncio e você tentar verdadeiramente escutar, você consegue perceber a presença Dela, e ouvir Sua amável voz nos chamando lá de cima.”

Útmutató a Léleknek
Tradução: Michelle

O que fazer quando não se pode fazer nada?

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41+2 semanas! Já foram tantas as emoções e reflexões que cheguei à conclusão de que todas as minhas teorias sobre gravidez falharam. Realmente o ser humano é imprevisível desde antes do nascimento! O tal do mistério da vida que se prova mais misteriosa a cada dia através do meu bebê! Mas se Kate Middleton, duquesa da Grã-Bretanha, teve seu bebê depois da semana 41, porque eu também não posso?

Hoje fui à minha última visita pré-natal com a midwife e fiz o primeiro exame de toque. A cavala me deu uma dedada que fui parar na lua! Dilatação ZERO! Bebê alto, posição cefálica!

Fico pensando o que pode ser. Será algum medo no meu subconsciente? Será a genética da minha família?

A primeira filha da minha irmã foi induzida na semana 41+3, com dilatação zero. Minha irmã estava prevista para nascer dia 25 de janeiro e nasceu dia 3 de fevereiro de cesárea eletiva, porque minha mãe não tinha dilatação. No meu caso, não sabemos muito bem, mas depois de várias conversas com a minha mãe, chegamos à conclusão que o meu parto também foi induzido, mas foi bem rápido e traumatizante para a minha mãe. Segundo as fontes suecas a duração da gravidez pode estar relacionada com a família, ou seja, algumas famílias têm gravidez de 38-39 semanas outras de 40-41 semanas e outras ainda 42+ semanas.

Quarta-feira que vem, dia 11/02 será então o grande dia. Vamos ao hospital fazer uma série de exames:

- stress do bebê
- pressão sangûínea
- verificar a presença de proteína na urina (que é o detector de eclâmpsia ou pré-eclâmpsia)
- qualidade do líquido amniótico
- posição do bebê

Se o resultado dos testes forem bons vamos induzir o parto no dia 11 de fevereiro mesmo, caso contrário, partiremos para uma cesárea. Meu psicológico está meio abalado, mas tenho que admitir que dentro de mim eu bem que sabia que estava sem dilatação porque eu não tive contrações e minhas cólicas tem sido muito fracas.

Eu preciso de um milagre para entrar em trabalho de parto antes do dia 11, caso contrário, diga adeus ao parto natural, lá vou eu mudar meu plano de parto mais uma vez! Mas o mais importante é o meu amado baby aqui dentro, então o nascimento dele vai ser como tem que ser e o jeito é esperar.

E agora, o que fazer quando a gente não pode fazer nada? Como passar os últimos dias em casa antes do bebê nascer? A seguir, envio as minhas dicas de como eu venho passando o tempo durante essas últimas 3 semanas em casa!

1. Cozinhar:
Depois de 9 anos na Suécia eu finalmente aprendi a cozinhar. Eu fazia uma coisa ou outra, aqui e ali, sem criatividade, sem gosto, Fábio reclamava dizendo que como eu não sabia fazer nem um arroz. Comia a maior parte do tempo fora gastando fortunas. Eu achava cozinhar um saco, porque sempre tinha algo mais interessante para fazer.

2. Fazer artesanato:
Crochet ou tricot por exemplo! Se eu não tivesse com o problema do nervo da mão afetado, o que me fez perder a sensibilidade dos dedos, eu arriscaria fazer alguma coisinha artesanal. Mas do jeito que está, mal consigo colocar um brinco na orelha.

3. Ler:
Ler romances, livros sobre maternidade, sobre gestação, blogs etc.

4. Escrever:
Escrever um diário para o bebê e preencher com fotos da gestação. Escrever um blog ou escrever para as amigas. Escrever tem sido minha maior diversão nessas últimas semanas! Montar álbum de fotos, scrapbook, etc. Além de ser muito legal quando a gente lê nossas coisas antigas depois de um tempo.

5. Se exercitar:
Dançar, andar, fazer yoga, pilates, agachamento, rebolar etc. Hoje em dia, depois do Youtube, não existe desculpa! Tem cursos de tudo lá e totalmente gratuitos. Eu tenho andado tanto com meu cachorro que minhas pernas estão até meio musculosas (apesar de gordinhas e inchadas). Enfim, continuo montando uma coreografia e estudando um DVD de dança, mas ultimamente pego bem mais leve, porque meu corpo realmente não aguenta mais o tranco.

6. Fazer algum curso:
Escolhi fotografia! Se eu pelo menos parender a mexer na máquina manualmente já fico feliz:

Mas existem diversos outros cursos que a gente pode fazer através do youtube: de desenhar, zumba, artesanato, culinária, programação, web design, etc.

7. Quarto do bebê:
Fazer os últimos retoques nas coisas do bebê.

8. Arrumar a casa:
Minha casa nunca esteve tão limpa e organizada. Não tem nem mais graça limpar. Talvez eu precisasse arrumar as gavetas do meu guarda-roupa, mas prefiro escrever no blog!

9. Passear:
Ir ao cinema, encontrar as amigas, fazer compras, massagem, spa, depilação, manicure e pedicure, esfoliação, etc.

10. Testar as técnicas de indução natural:
Eu testei todas as seguintes técnicas naturais e absolutamente nada funcionou comigo! Mas funcionou com outras pesoas, então não desanime!

  • Sexo: o sêmen possui prostaglandina, uma substância que ajuda a amolecer o colo do útero.
  • Masturbação: a contração do útero durante o orgasmo talvez estimule o útero a começar a se contrair. Minha amiga me garantiu que funcionou com ela.
  • Acupressão e/ou acupuntura: alguns pontos pressionados no pé e em outras partes do corpo ajudam a amolecer o colo do útero e estimular contrações.
  • Estimulação dos mamilos: estimular um mamilo por vez. Usar o polegar e o indicador na auréola e no bico por 5 minutos. Espere uns 15 minutos para ver se acontece algo e faça no outro mamilo. Repita se precisar. Pode-se usar a bomba de leite.
  • Chá de folhas de framboesa
  • Comer abacaxi e tâmaras
  • Caminhar e subir escadas
  • Dançar e sentar na bola de pilates
  • Afirmações e meditação

Não tentei o deslocamento das membranas (porque eu não tinha dilatação), nem o uso de laxantes, porque se tudo acima não funcionou tenho dúvida de uma diarréia vai ajudar.

Sopa de blueberry sueca

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Uma das frutas mais populares aqui na Suécia são os blueberries, frutinhas pretas que costumam dar entre julho e agosto. Comê-las pura pode ser um pouco sem graça então as blueberries são mais usadas para fazer doces (bolos, tortas, sopa, vitaminas e sucos).

Uma receita típica sueca é a sopa de blueberry, que além de gostosa é extremamente saudável, já que essa fruta é rica em anti-oxidantes, vitaminas, minerais e traz benefícios para todos os sistemas do corpo. Muito energizante, ela costuma ser servida na corrida de esqui mais famosa da Suécia: Vasaloppet. Ou seja quem não tem açaí, usa blueberry.

Inicialmente, a gente comprava essa sopa já feita em caixinha tipo de leite. Depois de um tempo a gente resolveu fazer em casa porque nada que vem numa caixinha pode ser saudável, além disso é muito rápido de preparar.

Ingredientes:
500 ml de blueberries frescos ou congelados
50 ml de açúcar (mascavo ou mel se você preferir algo mais saudável)
500 ml de água
15-30 ml de maizena (ou potatismjöl)

Preparo:
Cozinhe a água e o açúcar mexendo sempre até dissolver bem o açúcar. Acrescente o blueberry mexa por 3 minutos e prove para ver se está bom de açúcar ara o seu gosto. Dissolva a maizena em um pouco de água fria e coloque na sopa para engrossar. Mexa até encontrar uma consistência boa, se quiser mais grossa, use mais maizena, se quier mais rala, use menos.

Tempo de preparo:
5-10 minutos

Dicas:
Sirva a sopa gelada ou quente. Beba no café da manhã com granola e cereais ou iogurte, ou como sobremesa com chantily.
OBS: Eu, particularmente não gosto de bater a sopa no liquidificador, prefiro sentir os grãos do blueberry, também não gosto de deixar ferver por muito tempo, o ideal é cozinhar em fogo brando para que os nutrientes da fruta não se percam.

41 semanas e mais teste de paciência!

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Não com o baby claro! Teste de paciência com os outros seres humanos!

Eu lá tenho culpa se no Brasil os médicos arrancam o bebê na marra? Será esse um dos motivos do Brasil ser o país que é? Stress no parto afeta toda uma sociedade? Deveriam fazer um estudo sobre isso. To quase começando a acreditar no Leboyer.

Aqui na Suécia estou completamente dentro das estatísticas e segundo eles devo esperar meu corpo se preparar para o parto e só induzir em caso de algum problema. Claro que psicologicamente estou abalada. Eu estava preparada para passar das 40 semanas, mas não pensei que a gente fosse tão longe!

O mais desgastante desses últimos dias é justamente as perguntas constantes das pessoas. Ou seja, meu conselho para quem quer ter um parto normal/natural. Nunca diga sua data prevista (quando você completa 40 semanas) e sim dê a data quando você completa 42 semanas (esse foi o meu maior erro de primeira gestação, que por sinal eu já tinha lido a dica antes para não falar a DPP e sim acrescentar 15 dias).

Assim ninguém vai ficar te ligando, te escrevendo, te perguntando ou xeretando o seu facebook, na fase em que você precisa estar mais curtindo. Você ter que dar a mesma resposta muitas vezes todos os dias para 15 pessoas diferentes não é a situação mais agradável de se viver.

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37 semanas
pessoa 1: “Oi amiga, seu bebê não quer vir mesmo, né?”
eu respondo: “Oi, não ainda não completaram 40 semanas, espera um pouco!”
eu penso: “Que v*, essa aí quer que meu bebê nasça prematuro?”

38 semanas
pessoa 2: “Oi amiga, seu bebê é pra quando?”
eu respondo: “Oi, a data prevista é dia 27 de janeiro.”
eu penso: “P*, como é que eu vou saber quando o bebê vai resolver vir?”

39 semanas
pessoa 3: “Oi amiga, e aí alguma novidade hoje?”
eu respondo: “Oi, por enquanto nada que eu saiba? E vc? Tudo bem?”
eu penso: “Você está vendo alguma foto minha com um bebê do lado?”

40 semanas
pessoa 4: “Oi amiga, que bebê preguiçoso né? Não quer vir de jeito nenhum.”
eu respondo: “:-)”
eu penso: “Você sabia que bebês não tem calendário dentro da barriga?”

41 semanas
pessoa 4: “Oi amiga, e aí é pra quando? Espero que nasça no dia do meu aniversário!”
eu respondo: “:-)”
eu penso: “P* que p*, pra ser chato igual a você?”

Vocês acham que eu estou estressada? Brincadeiras amigas. Não levem tão a sério o que eu penso!

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Programas de TV para crianças na Suécia

Well, well, semana 40+6! Ainda estou grávida, acredite ou não! Mas enfim, vamos ao tópico de hoje: programas de TV para crianças na Suécia!

A Escandinávia em geral, como todo mundo já sabe, sempre esteve à frente do tempo, especialmente quando o assunto é sexualidade. Homosexualismo, pílula, feminismo e aborto é visto com naturalidade por todos que nascem aqui e tudo é ensinado-aprendido desde cedo.

Snoppen och snippan
Um vídeo-clip de um pinto e uma perereca cantando!

Biss och Kajs
Xixi em sueco é kiss e cocô é bais, eles trocaram as letras iniciais então ficou assim: Xocô e Cixi, um homem e uma mulher vestidos de cocô e xixi ensinam sobre o corpo humano.

Por último, um desenho dinamarquês que mostra como os bebês vêm ao mundo com muita naturalidade: