Puerpério, resguardo e coisas afins

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Um dia antes do parto da Maya

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Quarenta dias pós-parto

MUDANCAS FÍSICAS

Essa aí de cima sou eu, antes e depois do parto. 10 quilos perdidos, mas 10 quilos acima do meu peso antes da gravidez. Sim, eu engordei 20 quilos! Como se pode ver claramente ainda estou com uma barriguinha, digamos, de seis meses hahaha. A Cíntia de Oslo me disse que eu ia perder tudo durante a amamentação, vamos ver :-)

PREPARE-SE

Outro dia me deparei com um fórum no Facebook da Cientista que virou Mãe sobre o puerpério, aquela fase logo depois do parto até o fim do resguardo, onde ocorre uma série de mudanças hormonais e emocionais na mulher e ela tem que lidar com a metamorfose de virar mãe.

Eu fiquei muito impressionada com os relatos até porque apesar dos meus primeiros dias com Maya não terem sido fáceis eu não imaginei que tantas mulheres se sentissem tão sozinhas e vulneráveis após ter um bebê.

O QUE É PUERPÉRIO

Eu penso que o puerpério é o momento de formação de uma nova família, juntamente com a recuperação física e emocional da mulher e a adaptação do bebê a esse mundo. Quanto mais unido e isolado esse novo núcleo familiar estiver nos primeiros dias, mais fácil serão as mudanças para todos. As conversas sobre criação do filho durante a gravidez também são importantes pois é legal quando ambos os pais estão de acordo com as decisões. Aqui a gente optou por cama compartilhada, não dar chupeta, amamentação exclusiva, muito colo e sling e claro muito amor… Mesmo durante a gravidez já conversávamos e líamos sobre criação com apego o que facilitou nossas decisões quando chegamos em casa com nossa filha.

MINHA EXPERIÊNCIA

No meu caso, depois que Maya nasceu, ainda ficamos no hospital por 5 dias, Maya era muito pequena e magra, e eu tinha a pressão em cima de mim de fazer ela engordar e crescer. Fora isso, toda a minha decepção com a equipe de parto, com aquele hospital horroroso e toda aquela mulherada (enfermeiras) chata. Por último a amamentação que (acredite ou não) ainda doeu mais que o parto. Eu via estrelas de dor toda vez que Maya mamava e isso durou cerca de um mês. Além de leite empedrado, mastite, febre etc.

Não vou negar que as primeiras três semanas com um bebê em casa são muito difíceis. Eu realmente não sei como esse povo faz quando tem filhos gêmeos. Deve ser enlouquecedor! O cansaço primeiramente do parto, depois as noites mal dormidas fazem a gente viver num universo paralelo.

BABY BLUES

Não sei ao certo se eu tive baby blues (aquelas tristezas que dizem ser comuns depois que o bebê nasce) mas o fato é que eu vivi um estado de compaixão elevada. Me sentia triste quando lia sobre o desmatamento da Amazônia, ou quando via um mendigo na frente do supermercado ou pensava em alguém que estava doente e eu mal conseguia assistir jornal onde eles só mostram problemas porque meu coração doía.

DICAS PARA GRÁVIDAS

Minhas dicas para quem ainda está grávida é leitura, informação e meditação em vez de ficar preocupando se o bebê vai ter olhos azuis,se vai ter o nariz de fulano e o cabelo de beltrano, ou seja idealizar menos e se preparar mais. Economize dinheiro, para que você possa tirar um tempo para você para uma massagem por exemplo. Lembre-se que depois que o bebê nascer você terá que se doar 100% para ele. Aceite isso! Outra coisa a se fazer ainda durante a gravidez é conversar com seu companheiro ou com a pessoa quevocê mora e dizer que você vai precisar de muito apoio, especialmente no primeiro mês. Leia textos juntos. Planeje como vai fazer com a alimentação, quem vai fazer o almoco, as compras e arrumar a casa para que você fique focada 100% no bebê.

DICAS PARA O RESGUARDO
Comer bem, beber muita água, tirar um tempinho só pra você nem que sejam duas horinhas por semana (pedicure, massagem um cineminha com as amigas), descansar bastante e esquecer do mundo quando estiver com bebê. Faça caminhadas e curta o máximo possível porque o bebê cresce muito rápido.

Bem vinda à mternidade

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Duas palavras podem definir a vida de uma nova mãe: AMOR e EXAUSTÃO. Os dias e as noites se perdem numa coisa só e você tem que se deixar levar pelo ritmo desse novo ser, que aparentemente não tem lógica. Agora é ele quem dita as regras (por enquanto eu espero) e sua vida vira um caos.

Eu nunca me senti tão cansada na minha vida. Antes quando a gente não dormia uma noite, tinha pelo menos a próxima noite para compensar o sono perdido. Com filho não é assim não. Você nunca mais dormirá mais de três horas seguidas com um recém-nascido do lado. Agora é sobreviver e esperar ele crescer.

Depois de mais de 24 horas em trabalho de parto, onde você está mais pra lá do que pra cá, de repente pluft!, nasce aquele serzinho que você fica instantaneamente apaixonada. Uma paixão mesmo. Sabe quando você conhece alguém e fica só pensando naquela pessoa? Fica só querendo estar junto beijando e abraçando? Pois é exatamente assim que eu me sinto em relação à Maya.

A escolha do nome

Como eu já contei antes, a gente não sabia se seria um menino ou uma menina, então tínhamos separado alguns nomes para ambos os sexos, os favoritos eram Maya e Ian. A primeira vez que eu ouvi o nome Maya foi através da Maya Gabeira (surfista brasileira), aqui na Suécia esse nome está no top 3 da lista dos populares de 2014, e aqui eles escrevem Maja, mas a pronuncia é igual.

Significado do nome

Maya é o nome da mãe de Budha, e significa ilusão em hindu. Também significa água em hebraico. No Tupi Maya, significa mãe. Na civilização grega, Maia também era a deusa da terra, da primavera e do renascimento. Acreditavam que ela era a responsável por fazer todas as plantas ganharem vida e as flores desabrocharem depois dos períodos frios do inverno, onde tudo estava sem vida e cinza.

O pós-parto

Pós-parto é mais aprendizado! Um recém nascido basicamente só come, caga, dorme e chora, não necessariamente nessa ordem, e a gente fica doidinha tentando entender tudo que eles precisam. Hoje, 20 dias depois que Maya nasceu, faço tudo que falaram para eu não fazer: dormir na nossa cama, ficar no colo o tempo todo e peito toda hora que ela quer. Maya em 20 dias já escutou mais “Eu te amo” do que eu escutei a minha vida inteira.

Fábio me apóia em tudo, deixou até eu ir ao cinema quando ela só tinha 14 dias. Sair por duas ou três horinhas faz um bem danado gente! Renova as energias, recomendo! Mas você vai ficar com dor no coração.

Reflexões sobre o meu parto

Meu parto foi induzido com citotec-prostaglandin, na semana 42+0 de gestação, terminando em cesárea no dia seguinte. Foram mais de 24 horas em trabalho de parto. Minhas contrações começaram bem fracas de 10 em 10 minutos às 2 da manhã do dia 11/02/15. Cheguei no hospital às 9:20 para uma série de exames e depois do meio-dia a médica decidiu (infelizmente sob o meu concentimento) que o melhor seria induzir o parto. Minha filha nasceu dia 12/02/15 às 11:16.

Aceitar uma indução ou não
Após os exames, a médica insistiu que deveríamos começar a indução imediatamente. Eu estava me sentindo cansada, pois não tinha dormido direito a noite devido às contrações e estava com muita fome, pois já estava lá no hospital há mais de 3 horas. Perguntei se poderia ir em casa, descansar um pouco, comer e voltar. Ela falou um monte de blá blá blá e eu acabei ficando no hospital, enquanto Fábio foi buscar minhas coisas.

Meu maior erro foi ter aceitado ficar no hospital. E maior ainda foi o erro da médica que não levou em consideração meu cansaço nem minha fome. Talvez ela não tenha me “forçado” a ficar no hospital, no sentido literal da palavra, mas ela usou sim seu poder de “doutora” para me convencer (e isso quero dizer me assustar) a ficar internada lá direto. Com a desculpa de que todo mundo agora está induzindo o parto a partir de 42+0, que era o mais seguro etc e tal. Mas da maneira que eu vejo, eu fui encarcerada e não tive escolha. Se eu voltasse no tempo, seria muito mais firme e falaria, vai ter que me esperar, eu volto mais tarde e ponto final.

E se algo der errado?
Essa moda de induzir parto com citotec é agressivo e tóxico para o bebê. Sabe lá o que rola nessas indústrias farmacêuticas, mas não existe uma única pesquisa que afirme que o citotec não faz mal ao bebê. A partir do momento que você toma aquilo, você e seu bebê serão monitorados com todos aqueles fios o que irá reduzir sua liberdade de movimento, além do bebê sofrer grande stress. As chances de cesárea aumentam e também a necessidade de usar aquele sugador de bebê na hora do expulsivo. Existem muitos partos positivos, inclusive o primeiro bebê da minha irmã nasceu de parto normal induzido, em apenas 8 horas, mas são a minoria. Eu estava no forum do baby center com outras quatro mães, todas com mais de 41 semanas, parto induzido, terminado em cesárea.
http://www.midwiferytoday.com/articles/midwivescytotec.asp

Como minha bebê não deu sinal antes da semana 42+0 eu estava num beco sem saída. Eu tinha que pensar na segurança dela, e como marinheira de primeira viagem eu estava insegura e claro se acontecesse alguma fatalidade pelo menos eu teria alguém para “culpar”, se eu não fizesse o que eles queriam eu teria que arcar com as consequências sozinha. E é aí que o bicho pega. É nesse ponto que todo mundo vai pela opinião dos médicos, para ter alguém para culpar, se algo der errado.

Eu não estou aqui para levantar bandeira para o parto normal, nem para informar qual o parto que é melhor para as mulheres ou para os bebês, nem para falar que quem faz cesárea é “menas mãe” mas o que eu quero reclamar aqui é o direito das mulheres de serem ouvidas e respeitadas durante o pré-natal e o parto. É a mulher quem sente as dores, é a mulher que sabe que algo está errado. Também existem mulheres que querem que digam o que é para fazer, que a opinião do médico é a mais importante, e elas estão também no seu direito.

Parir dói, a gente fica vulnerável, a gente precisa de alguém do nosso lado que nos conheça e nos entenda. Eu tive a sorte de ter o Fábio do meu lado o tempo todo e não sei o que seria de mim se ele não tivesse lá. Eu gostaria de ter tido uma equipe de parto que lesse as mesmas coisa que eu leio, que estivesse na mesma sintonia de pensamento. Mas eu não tive. Para mim ficou muito claro que hospital não é lugar de parir. Médicos só complicam, não respeitam o corpo feminino e te tratam como mais um número nas estatísticas.

Eu ainda acho que o Brasil está melhor que a Suécia, porque no Brasil as grávidas ainda tem opção: parto humanizado, casa de parto, cesárea, enfim, tem partos para todos os gostos. É só escolher. Aqui nas cidades grandes ainda tem mais alguma possibilidade, mas em Kalmar a gente tem o sistema público e ponto.

Se fossem os homens que parissem eu tenho certeza que as coisas seriam muito diferentes. Parir seria sinal de força, de respeito, de virilidade. Mas como parir é coisa de mulher, o que acontece? A sociedade conseguiu convencer a todos que as mulheres de hoje são muito fracas coitadas, não conseguem parir o próprio filho. Para parir é necessário ter coragem, ter preparo físico etc. O médico é quem deve decidir o melhor procedimento para o parto. E por aí vai. As próprias mulheres perderam a fé nelas mesmas. E a sociedade vai continuar se degenerando enquanto as mulheres não resgatarem o seu poder. Enquanto as mães fantasiarem suas filhas de princesas e seu filhos de super heróis, a sociedade vai continuar sendo machista, massacrando e desrespeitando as mulheres e super valorizando os homens.

Resumindo
Meu parto não foi nada do jeito que eu quis. Eu sofri, minha filha sofreu, não tive a privacidade que eu desejei, nem direito de escolha. Meu plano de parto foi ignorado e no final as pessoas não entendem porque eu estou tão irritada, pois afinal deu tudo certo, mãe e filha estão vivas, além disso existem casos muito piores do que o meu. Eu deveria estar sorrindo e abraçando todas as enfermeiras e não berrando de cara feia pelos cantos do hospital. Será mesmo?

https://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/02/27/um-bebe-saudavel-nao-e-o-bastante/

http://bestofbabylady.com/lied-matters-birth/