Morar no Brasil sim ou não?

passaporte

Um outro dia me deparei com esse post http://tudosobreminhamae.com/maes-fora-do-brasil/2015/5/21/a-tristeza-que-d-sentir-alvio-em-no-morar-no-brasil que alguém compartilhou no facebook.

Pelo que eu entendi a autora é uma moça carioca morando na Alemanha há 10 anos foi pra lá com um namorado, mas que nunca virou a cara para o Brasil e vinda de uma família classe média, sempre adorou o Rio. Tinha uma certa nolstalgia de voltar a viver lá, mas aparentemente depois de um assassinato de um cara na lagoa ela desistiu.

Bom, eu vivo na Suécia há cerca de 10 anos e em 2005 eu já não tinha esperanças. Ganhava 4,20 reais a hora/aula e entre 50 e 100 reais para dançar num restaurante das 9 da noite às 1 da manhã. Eu costumava pegar o ônibus 131 no ponto na frente do meu prédio e depois de esperar por mais de 20 minutos, passavam dois ônibus que não paravam. Quando resolvia ir de carro, tinha que aturar desaforo de flanelinhas (bandidos disfarçados), onde eu tinha que pagar para proteger o carro deles mesmos. Enfim, naquela época infelizmente, já existia violência, especialmente no Rio de Janeiro, é só pesquisar no google. E agora um assassinato na lagoa é motivo para as pessoas não quererem mais voltar ao Brasil?

Hummm… O Brasil está passando por mudanças. Está acontecendo um certo êxodo para a Europa, talvez o maior de todos os tempos, e as pessoas acham que é a política do PT, que é isso ou aquilo. Mas não é. Nós estamos fugindo de nós mesmos. Da lambança e confusão que é o Brasil. Da falta de seriedade em todos os cantos e da corrupção em todos os setores, não só na política.

Mas eu ando lendo muita coisa que vai despertando a esperança. Os brasileiros estão amadurecendo. A classe média ainda está com medo de ter que limpar o próprio banheiro e os médicos ainda estão com medo de ter que parar de fazer cesárea antes do natal, o salário ainda é baixo, mas a sociedade está mudando. Mudanças não acontecem do dia para a noite.

Não quero que Maya cresça aqui dentro da bolha, sem saber o que é a vida real, sem saber o que é ralação de verdade. Sem saber que tem muita gente que trabalha de dia para pagar os estudos da noite. Mas acho sim que ela tem sorte de ter nascido aqui e mais sorte ainda de ter a possibilidade de ver dois “mundos” tão diferentes.

Tenho muita saudade da minha família, dos amigos, da água de côco e do caldo de cana. Da informalidade. Se um dia eu volto ainda é difícil saber. Mas quem sabe eu não desenvolva projetos no Brasil? Montar um ONG para ensinar crianças a programamar? a dançar? adotar uma criança? Quem sabe?