Amamentação causa perca de peso?

ame

44 QUILOS

Depois de um ano e dois meses amamentando, continuo perdendo peso…

Ontem o Fábio virou pra mim e disse que estou parecendo uma doente anoréxica. Com 44 kg, pele e osso, finalmente cheguei ao ponto de me preocupar. Pra completar, ontem na rua, encontrei um conhecido e ele nem me disse oi, veio direto e me perguntou “nossa o que está acontecendo com você, porque está tão magra?” Adoro pessoas sinceras!

Eu como bem, não como muito doce, nem muito feijão, nem muita carne, mas eu como. Estou tomando até umas vitaminas. Tenho sim muitos afazeres domésticos, mais um bebê pra cuidar, mais trabalho….

PRODUÇÃO DE LEITE MATERNO

Mas será que a amamentação me faz perder peso? Depois de uma consulta no “Whats up” com a mulherada, aparentemente só eu perco peso amamentando, mas através das minhas pesquisas encontrei que  a produção de leite consome cerca de 500 calorias a mais do nosso corpo.

Per Breastfeeding and Human Lactation (Riordan, 2004, p. 438), “The amount of energy needed by lactating mothers continues to be debated. The lactating mother need not maintain a markedly higher caloric intake than that maintained prior to pregnancy: in most cases, 400-500 calories in excess of that which is needed to maintain the mother’s body weight is sufficient.”

NECESSIDADE DE PARAR A AMAMENTAÇÃO

Enquanto o meu coração quer continuar a amamentar, meu corpo está pedindo para parar. Tenho que admitir que estou cansada e desnutrida e que está na hora de eu tomar uma providência porque eu não vou conseguir ingerir 500 calorias a mais na minha dieta. Porque parar de amamentar é tão fácil para algumas pessoas e tão difícil para outras, como para mim por exemplo? Está certo que o bebê vai chorar por três dias e três noites na melhor das hipóteses, mas nós duas estaremos livres depois desse período. Será alguma necessidade que eu tenho de ficar tão colada assim na minha filha? Será alguma carência afetiva? Humm pode ser… Mas também pode ser porque eu sei que o leite materno é o melhor para o bebê. Maya nunca tem febre, nem fica muito gripara, no máximo um nariz entupido.

NA SUÉCIA

Estive lendo esse blog sueco entilulado Não amamentar, o melhor que eu fiz! e primeiro me veio muita raiva, depois um pouco de inveja.

Ao ler o título meu queixo foi ao chão. Meu deus como uma mãe escreve uma coisa dessas, mas continuando a leitura e pesando todos os benef+icios que ela conta, me veio um pouco de inveja da liberdade daquela mulher: divido as tarefas igualmente com o pai. Um dia é a mãe que coloca o bebê pra dormir, o outro dia é o pai. Não teve todo aquele problema inicial para se adaptar à amamentação. No primeiro mês após o parto já estava se sentindo bem melhor, com muito mais energiado que no pós parto parto do primeiro filho (onde ela tinha amamentado por 6 meses). Tendo mais energia, consegue brincar muito mais com o filho. Ela também fala que nunca deu leite artificial quente. Sempre temperatura ambiente ou mesmo gelado, assim ela também não tinha o trabalho de esquentar mamadeira, se tivesse no carro ou na rua. Coitado desse bebê, pensei eu. Mas segundo ela o bebê é muito feliz, alegre e não tem problemas de comportamento ou de carência afetiva.

INCONCLUSÃO

Hummm…. as mulheres suecas muito à frente do meu tempo! Por que justo eu tenho tanta dificuldade em me desligar da amamentação? E vamos ser claras aqui, tem que partir de mim, não da Maya. É uma decisão minha. Bom, depois de um mês que eu parar de amamentar volto aqui para contar se era mesmo a amamentação que estava sugando minhas calorias.

Attachment Parenting ou criação com apego

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Imagine que você esteja vivendo em uma ilha deserta, em uma cabana simples, isolada do mundo, sem internet nem telefone e sem ninguém para te dar uma opinião. Como você iria criar seu filho ou filha?

Você provavelmente agiria totalmente pelo instinto!

Basicamente isso é criação com apego: seguir o instinto materno!

Você deixaria seu filho dormir do outro lado da cabana ou traria ele para sua cama bem perto de você? Você esperaria para dar mamada de 3 em 3 horas ou daria o peito sempre que o bebê solicitasse? Enfiaria um plástico na boca dele para ele parar de chorar ou daria o peito?

Provavelmente você criaria o seu bebê da mesma forma que as mães mamiferas das outras espécies fazem: bebê coladinho na mamãe o tempo todo, sempre protegido e seguro, leitinho a hora que quiser e muito contato e brincadeiras.

Ah mas não dá, eu trabalho, tenho que arrumar a casa, lavar roupa, etc. Enfim, priorize o seu tempo! A casa não precisa ficar brilhando o tempo todo. E se tiver que trabalhar paciência, você ainda tem a noite toda e os fins de semana para ficar bem apegada ao seu filho!

Se quer um conselho, desconfie dos conselhos que tenham como objetivo separar a mãe do filho, tais como:
- vai acostumar mal carregando esse menino no colo o tempo todo.
- já está na hora dessa criança dormir sozinha no próprio quarto.
- leite materno não tem valor nutricional depois dos 6 meses.

Desconfie mais ainda dos conselhos para o bebê “aprender” o que é instintivo:
- o bebê tem que aprender a dormir sozinho
- o bebê tem que aprender a comer
- o bebê tem que aprender a fazer xixi e cocô no peninquinho

Uma coisa você pode ter certeza, seu filho, quer você ensine ou não, vai fazer xixi e cocô no vaso sanitário, vai comer e dormir sozinho. Ninguém conhece nenhum adulto que não saiba fazer essas coisas, a não ser que tenha alguma doença ou sindrome obviamente. Desencane de ensinar essas coisas.

Não existe nenhum artigo científco que prove que colo demais faz mal, ou que dormir com os pais afeta a sexualidade ou que seu filho vira gay se ele mamar no peito até 4 anos. Mas existe sim artigos científicos que associam a depressão, síndrome do pânico, agressividade e outros distúrbios mentais com a falta de contato físico na infância, especialmente durante os 3 primeiros anos de vida.

Existem sim artigos científicos que associam o stress infantil a atrasos no desenvolvimento. Bebês que não ganham o colo que desejam ou que acordam sozinhos a noite num quarto escuro por exemplo possuem níveis de cortisol (hormônio do stress) muito mais elevado do que bebês que dormem com os pais ou que tem suas necessidades atendidas imediatamente.

Eu não sou especialista em bebês, toda minha experiência vem do relacionamento de um ano com minha filha Maya. Que graças à sua própria personalidade, combinada ao nosso estilo de criação com apego, tem se desenvolvido de maneira bem rápida e saudável :-)

Fonte:
Besame mucho

A vida de mãe – o que mudou?

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Há 7 meses estava eu aqui mesmo, escrevendo sobre parto, tirando selfies da barriga, de saco cheio de esperar essa pessoinha que eu não tinha a menor idéia de quem seria. Até que para minha surpresa ela veio: “Maya, a menina que ilumina toda vez que a gente vê, ainda tenho muito que aprender com você!

O que mudou desde que ela chegou? E a resposta é: TUDO!

Apesar de continuar fazendo as mesmas coisas que antes, trabalhar, dançar, arrumar casa, fazer comida, passear etc, mesmo assim tudo mudou! O foco da minha vida mudou. Ter uma pessoinha 100% dependente da gente nos ensina muita coisa, principalmente a priorizar nosso tempo.

Ter um filho(a) sem sombra de dúvida desperta o melhor em nós. Compaixão, amor ao próximo e a desenvolver capacidade de se colocar no lugar do outro. Pelo menos tem sido assim comigo.

Não vou negar que é muito cansativo também, ficar num estado de alerta constantemente para o bem estar do bebê dá um cansaço fora do comum, provavelmente nunca estive tão cansada na minha vida como agora. A beleza feminina também diminui, corpo flácido, não dá pra usar um brinco comprido, um colarzão, nem mesmo anéis, nem deixar a unha crescer, e quando a gente consegue fazer uma depilação comemora de felicidade! Mas é esse o preço que se paga para viver o amor sublime da maternidade!

Maternidade antes e depois – a contradição

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Todo mundo me pergunta: e aí Michelle, me conta como está sua vida de mãe! Tá gostando? Pois bem minha gente, minha vida mudou!

Antes se eu quisesse arrumar a casa, eu ia lá e arrumava… eu começava a fazer o almoço e ia lá e terminava, mas agora não. Eu começo qualquer coisa, mas só termino se o meu bebê deixar! Essa é a vida de mãe. Não dá mais para planejar tudo.

Se eu estou frustrada? Tô nada. Estou amando essa vida nova! Estou sim com muitas idéias para escrever, coreografias novas, pique para trabalhar e muita coisa para falar, mas eu tenho que começar pagando a minha lingua como sempre!

Antes de Maya nascer eu não tinha muita noção do que a amamentação representaria para mim e para minha filha. Eu até escrevi esse artigo, sobre amamentação aqui, dizendo que amamentação não deve ser considerada uma obrigação da mãe. Minha idéia era principalmente tirar a “culpa” que as mães sentem quando não conseguem ou não querem amamentar.

Mas depois que Maya nasceu e o período horroroso da amamentação passou, como leite empedrado, mastite, febre, e muita dor no mamilo ferido, chegamos então naquela fase onde a amamentação é aquele momento acolhedor, é ficar abraçadinha de tarde quando tem só a gente em casa. É ficarmos deitadas no sofá embaixo do cobertor e lá mesmo pegamos no sono. Não preciso nem mais levantar a noite, deu fome, minha filhota pega o peito e lá mesmo mama enquanto eu continuo ainda meio que dormindo. É o que os suecos falam: Vad mysigt!

A troca de olhares, aquela mãozinha linda e gordinha, ai ai estou apaixonada pela minha filhota… enfim, continuo achando que a mãe não deve ter culpa pela escolha de não amamentar, mas a mãe tem que estar muito consciente de que mamadeira não substitui o peito NUNCA!

Aqui estou eu pagando a minha língua e me contradizendo: amamentação talvez não seja obrigação da mãe, mas é sim um direito de toda criança!

Ontem à noite, lendo o livro A maternidade e o encontro com a própria sombra da Laura Gutman, (leitura excelente para as novas e velhas mães) encontrei a melhor descrição da amamentação na vida da mãe e do bebê ou o que Laura chama de mãe-bebê!

A lactação é a continuação e o desenvolvimento de nossos aspectos mais terrenos, selvagens, diretos, filogenéticos. Para dar de mamar, as mulheres deveriam passar quase todo o tempo nuas, sem largar sua cria, imersas em um tempo fora do tempo, sem intelecto nem elaboração de pensamentos, sem a necessidade de se defender de nada nem de ninguém, mas tão somente abstraídas em um espaço imaginário e invisível aos demais.

Dar de mamar é isso. Ê deixar aflorar nossos recantos ancestralmente esquecidos ou negados, nossos instintos animais que surgem sem que imaginemos que estavam aninhados em nosso âmago. É deixar-se levar pela surpresa de nos vermos lambendo nossos bebês, de cheirar o frescor de seu sangue, de se lançar de um corpo a outro, de se converter em corpo e fluídos dançantes.

Dar de mamar é se despojar das mentiras que nos contamos durante toda a vida sobre quem somos ou Deveríamos ser. É estarmos soltas, poderosas, famintas, como lobas, leoas, tigresas, cangurus ou gatas. Muito semelhantes às mamíferas de outras espécies em seu total apego pelas crias, ignorando o resto da comunidade, mas atentas, milimetricamente, às necessidades do recém-nascido. Extasiadas diante do milagre, tentando reconhecer que fomos nós mesmas que o tornamos possível, e nos reencontrando com o que é sublime. É uma experiência mística se nos permitirmos que assim seja.

Isto é tudo de que se necessita para poder amamentar um filho. Nem métodos, nem horários, nem conselhos, nem relógios, nem cursos. Apenas apoio, proteção e confiança em ser você mesma mais do que nunca. Apenas permissão para ser o que queremos, fazer o que queremos e nos deixar levar pela loucura do selvagem.

Isto é possível quando se compreende que este profundo vínculo com a mãe terra faz parte da psicologia feminina, que a união com a natureza é intrínseca ao ser essencial da mulher e que, quando este aspecto não se manifesta na lactância, simplesmente não flui. As mulheres não são muito diferentes dos rios, dos vulcões ou dos bosques. Só é necessário preserva-los dos ataques.

Para ler mais baixe o livro aqui.

Puerpério, resguardo e coisas afins

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Um dia antes do parto da Maya

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Quarenta dias pós-parto

MUDANCAS FÍSICAS

Essa aí de cima sou eu, antes e depois do parto. 10 quilos perdidos, mas 10 quilos acima do meu peso antes da gravidez. Sim, eu engordei 20 quilos! Como se pode ver claramente ainda estou com uma barriguinha, digamos, de seis meses hahaha. A Cíntia de Oslo me disse que eu ia perder tudo durante a amamentação, vamos ver :-)

PREPARE-SE

Outro dia me deparei com um fórum no Facebook da Cientista que virou Mãe sobre o puerpério, aquela fase logo depois do parto até o fim do resguardo, onde ocorre uma série de mudanças hormonais e emocionais na mulher e ela tem que lidar com a metamorfose de virar mãe.

Eu fiquei muito impressionada com os relatos até porque apesar dos meus primeiros dias com Maya não terem sido fáceis eu não imaginei que tantas mulheres se sentissem tão sozinhas e vulneráveis após ter um bebê.

O QUE É PUERPÉRIO

Eu penso que o puerpério é o momento de formação de uma nova família, juntamente com a recuperação física e emocional da mulher e a adaptação do bebê a esse mundo. Quanto mais unido e isolado esse novo núcleo familiar estiver nos primeiros dias, mais fácil serão as mudanças para todos. As conversas sobre criação do filho durante a gravidez também são importantes pois é legal quando ambos os pais estão de acordo com as decisões. Aqui a gente optou por cama compartilhada, não dar chupeta, amamentação exclusiva, muito colo e sling e claro muito amor… Mesmo durante a gravidez já conversávamos e líamos sobre criação com apego o que facilitou nossas decisões quando chegamos em casa com nossa filha.

MINHA EXPERIÊNCIA

No meu caso, depois que Maya nasceu, ainda ficamos no hospital por 5 dias, Maya era muito pequena e magra, e eu tinha a pressão em cima de mim de fazer ela engordar e crescer. Fora isso, toda a minha decepção com a equipe de parto, com aquele hospital horroroso e toda aquela mulherada (enfermeiras) chata. Por último a amamentação que (acredite ou não) ainda doeu mais que o parto. Eu via estrelas de dor toda vez que Maya mamava e isso durou cerca de um mês. Além de leite empedrado, mastite, febre etc.

Não vou negar que as primeiras três semanas com um bebê em casa são muito difíceis. Eu realmente não sei como esse povo faz quando tem filhos gêmeos. Deve ser enlouquecedor! O cansaço primeiramente do parto, depois as noites mal dormidas fazem a gente viver num universo paralelo.

BABY BLUES

Não sei ao certo se eu tive baby blues (aquelas tristezas que dizem ser comuns depois que o bebê nasce) mas o fato é que eu vivi um estado de compaixão elevada. Me sentia triste quando lia sobre o desmatamento da Amazônia, ou quando via um mendigo na frente do supermercado ou pensava em alguém que estava doente e eu mal conseguia assistir jornal onde eles só mostram problemas porque meu coração doía.

DICAS PARA GRÁVIDAS

Minhas dicas para quem ainda está grávida é leitura, informação e meditação em vez de ficar preocupando se o bebê vai ter olhos azuis,se vai ter o nariz de fulano e o cabelo de beltrano, ou seja idealizar menos e se preparar mais. Economize dinheiro, para que você possa tirar um tempo para você para uma massagem por exemplo. Lembre-se que depois que o bebê nascer você terá que se doar 100% para ele. Aceite isso! Outra coisa a se fazer ainda durante a gravidez é conversar com seu companheiro ou com a pessoa quevocê mora e dizer que você vai precisar de muito apoio, especialmente no primeiro mês. Leia textos juntos. Planeje como vai fazer com a alimentação, quem vai fazer o almoco, as compras e arrumar a casa para que você fique focada 100% no bebê.

DICAS PARA O RESGUARDO
Comer bem, beber muita água, tirar um tempinho só pra você nem que sejam duas horinhas por semana (pedicure, massagem um cineminha com as amigas), descansar bastante e esquecer do mundo quando estiver com bebê. Faça caminhadas e curta o máximo possível porque o bebê cresce muito rápido.

Bem vinda à mternidade

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Duas palavras podem definir a vida de uma nova mãe: AMOR e EXAUSTÃO. Os dias e as noites se perdem numa coisa só e você tem que se deixar levar pelo ritmo desse novo ser, que aparentemente não tem lógica. Agora é ele quem dita as regras (por enquanto eu espero) e sua vida vira um caos.

Eu nunca me senti tão cansada na minha vida. Antes quando a gente não dormia uma noite, tinha pelo menos a próxima noite para compensar o sono perdido. Com filho não é assim não. Você nunca mais dormirá mais de três horas seguidas com um recém-nascido do lado. Agora é sobreviver e esperar ele crescer.

Depois de mais de 24 horas em trabalho de parto, onde você está mais pra lá do que pra cá, de repente pluft!, nasce aquele serzinho que você fica instantaneamente apaixonada. Uma paixão mesmo. Sabe quando você conhece alguém e fica só pensando naquela pessoa? Fica só querendo estar junto beijando e abraçando? Pois é exatamente assim que eu me sinto em relação à Maya.

A escolha do nome

Como eu já contei antes, a gente não sabia se seria um menino ou uma menina, então tínhamos separado alguns nomes para ambos os sexos, os favoritos eram Maya e Ian. A primeira vez que eu ouvi o nome Maya foi através da Maya Gabeira (surfista brasileira), aqui na Suécia esse nome está no top 3 da lista dos populares de 2014, e aqui eles escrevem Maja, mas a pronuncia é igual.

Significado do nome

Maya é o nome da mãe de Budha, e significa ilusão em hindu. Também significa água em hebraico. No Tupi Maya, significa mãe. Na civilização grega, Maia também era a deusa da terra, da primavera e do renascimento. Acreditavam que ela era a responsável por fazer todas as plantas ganharem vida e as flores desabrocharem depois dos períodos frios do inverno, onde tudo estava sem vida e cinza.

O pós-parto

Pós-parto é mais aprendizado! Um recém nascido basicamente só come, caga, dorme e chora, não necessariamente nessa ordem, e a gente fica doidinha tentando entender tudo que eles precisam. Hoje, 20 dias depois que Maya nasceu, faço tudo que falaram para eu não fazer: dormir na nossa cama, ficar no colo o tempo todo e peito toda hora que ela quer. Maya em 20 dias já escutou mais “Eu te amo” do que eu escutei a minha vida inteira.

Fábio me apóia em tudo, deixou até eu ir ao cinema quando ela só tinha 14 dias. Sair por duas ou três horinhas faz um bem danado gente! Renova as energias, recomendo! Mas você vai ficar com dor no coração.

Amamentação é obrigação?

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Ser mulher no Brasil não é fácil. Talvez seja o país mais difícil de ser mulher no mundo. As cobranças em relação às mulheres pioram depois que elas viram mãe: parto normal ou cesária, amamentação ou fórmula, engordar e emagrecer, trabalhar ou ficar em casa e por aí vai…

Não é à toa que tantas mulheres piram depois que o bebê nasce! Não é incomum que as minhas amigas do Brasil reajam quando digo que minha mãe não está aqui comigo, pois elas acham que estou sozinha. Eu digo, não o pai do bebê está aqui. Ou seja, para as brasileiras, o pai estando junto ou não, não faz diferença, pois elas precisam de uma ajuda feminina, de preferência materna.

Através do site do babycenter percebo que o primeiro problema pós-parto começa com a amamentação. A mulher já fica estressada por não conseguir amamentar de primeira, porque afinal é natural e é obrigação! Será?

Aqui na Suécia essa pressão de amamentação não existe. Eles deixam bem claro todos os benefícios da amamentação durante o pré-natal, instruem os pais a não fumar e não beber durante o período de amamentação, diz que OMS recomenda amamentação exclusiva por 6 meses, enfim e fala pra gente pensar sobre o assunto. A decisão de amamentar é exclusiva da mãe. Um dia, na semana 32, a minha barnmorska me perguntou: e aí, você já refletiu sobre a amamentação? Eu disse sim, comprei até uma almofada! Ela riu!

Mas sabe o que é, a Suécia é um país feminista, onde as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, por isso elas podem escolher. Num país machista, a mulher vai amamentar, porque afinal, ela é mulher.

Enquanto a moda agora é amamentar por mais tempo possível, os sites de maternidade brasileiros ficam enxendo o saco e batendo nessa tecla o tempo inteiro quase que afirmando que uma boa mãe é aquela que amamenta, inclusive vi um site de uma prefeitura com o título: Amamentação: obrigação da mãe e direito da criança! Que absurdo! Livre demanda, amamentar até 2 anos, sair com a criança pendurada no peito ao meu ver é blá-blá-blá de mãe xiita!

Quero deixar claro aqui, para quem sente culpa por não amamentar, seja porque não quer ou porque não consegue. Você não vai ser uma mãe melhor ou pior pelo fato de amamentar. A mãe que pensa isso, já não é uma boa mãe na minha opinião! Amamentação é uma OPÇÃO! Existem sim, muitos benefícios da amamentação nos primeiros 6 meses de vida, mas amamentar NÃO é sua obrigação! Lembre-se disso, porque não serão muitos sites brasileiros que vão concordar com o que eu estou dizendo!

Não se sinta culpada por suas escolhas! Você será uma mãe muito melhor se estiver feliz e satisfeita consigo mesma. E principalmente com suas escolhas conscientes, pensadas e maduras.