Amamentação causa perca de peso?

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44 QUILOS

Depois de um ano e dois meses amamentando, continuo perdendo peso…

Ontem o Fábio virou pra mim e disse que estou parecendo uma doente anoréxica. Com 44 kg, pele e osso, finalmente cheguei ao ponto de me preocupar. Pra completar, ontem na rua, encontrei um conhecido e ele nem me disse oi, veio direto e me perguntou “nossa o que está acontecendo com você, porque está tão magra?” Adoro pessoas sinceras!

Eu como bem, não como muito doce, nem muito feijão, nem muita carne, mas eu como. Estou tomando até umas vitaminas. Tenho sim muitos afazeres domésticos, mais um bebê pra cuidar, mais trabalho….

PRODUÇÃO DE LEITE MATERNO

Mas será que a amamentação me faz perder peso? Depois de uma consulta no “Whats up” com a mulherada, aparentemente só eu perco peso amamentando, mas através das minhas pesquisas encontrei que  a produção de leite consome cerca de 500 calorias a mais do nosso corpo.

Per Breastfeeding and Human Lactation (Riordan, 2004, p. 438), “The amount of energy needed by lactating mothers continues to be debated. The lactating mother need not maintain a markedly higher caloric intake than that maintained prior to pregnancy: in most cases, 400-500 calories in excess of that which is needed to maintain the mother’s body weight is sufficient.”

NECESSIDADE DE PARAR A AMAMENTAÇÃO

Enquanto o meu coração quer continuar a amamentar, meu corpo está pedindo para parar. Tenho que admitir que estou cansada e desnutrida e que está na hora de eu tomar uma providência porque eu não vou conseguir ingerir 500 calorias a mais na minha dieta. Porque parar de amamentar é tão fácil para algumas pessoas e tão difícil para outras, como para mim por exemplo? Está certo que o bebê vai chorar por três dias e três noites na melhor das hipóteses, mas nós duas estaremos livres depois desse período. Será alguma necessidade que eu tenho de ficar tão colada assim na minha filha? Será alguma carência afetiva? Humm pode ser… Mas também pode ser porque eu sei que o leite materno é o melhor para o bebê. Maya nunca tem febre, nem fica muito gripara, no máximo um nariz entupido.

NA SUÉCIA

Estive lendo esse blog sueco entilulado Não amamentar, o melhor que eu fiz! e primeiro me veio muita raiva, depois um pouco de inveja.

Ao ler o título meu queixo foi ao chão. Meu deus como uma mãe escreve uma coisa dessas, mas continuando a leitura e pesando todos os benef+icios que ela conta, me veio um pouco de inveja da liberdade daquela mulher: divido as tarefas igualmente com o pai. Um dia é a mãe que coloca o bebê pra dormir, o outro dia é o pai. Não teve todo aquele problema inicial para se adaptar à amamentação. No primeiro mês após o parto já estava se sentindo bem melhor, com muito mais energiado que no pós parto parto do primeiro filho (onde ela tinha amamentado por 6 meses). Tendo mais energia, consegue brincar muito mais com o filho. Ela também fala que nunca deu leite artificial quente. Sempre temperatura ambiente ou mesmo gelado, assim ela também não tinha o trabalho de esquentar mamadeira, se tivesse no carro ou na rua. Coitado desse bebê, pensei eu. Mas segundo ela o bebê é muito feliz, alegre e não tem problemas de comportamento ou de carência afetiva.

INCONCLUSÃO

Hummm…. as mulheres suecas muito à frente do meu tempo! Por que justo eu tenho tanta dificuldade em me desligar da amamentação? E vamos ser claras aqui, tem que partir de mim, não da Maya. É uma decisão minha. Bom, depois de um mês que eu parar de amamentar volto aqui para contar se era mesmo a amamentação que estava sugando minhas calorias.

Maternidade antes e depois – a contradição

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Todo mundo me pergunta: e aí Michelle, me conta como está sua vida de mãe! Tá gostando? Pois bem minha gente, minha vida mudou!

Antes se eu quisesse arrumar a casa, eu ia lá e arrumava… eu começava a fazer o almoço e ia lá e terminava, mas agora não. Eu começo qualquer coisa, mas só termino se o meu bebê deixar! Essa é a vida de mãe. Não dá mais para planejar tudo.

Se eu estou frustrada? Tô nada. Estou amando essa vida nova! Estou sim com muitas idéias para escrever, coreografias novas, pique para trabalhar e muita coisa para falar, mas eu tenho que começar pagando a minha lingua como sempre!

Antes de Maya nascer eu não tinha muita noção do que a amamentação representaria para mim e para minha filha. Eu até escrevi esse artigo, sobre amamentação aqui, dizendo que amamentação não deve ser considerada uma obrigação da mãe. Minha idéia era principalmente tirar a “culpa” que as mães sentem quando não conseguem ou não querem amamentar.

Mas depois que Maya nasceu e o período horroroso da amamentação passou, como leite empedrado, mastite, febre, e muita dor no mamilo ferido, chegamos então naquela fase onde a amamentação é aquele momento acolhedor, é ficar abraçadinha de tarde quando tem só a gente em casa. É ficarmos deitadas no sofá embaixo do cobertor e lá mesmo pegamos no sono. Não preciso nem mais levantar a noite, deu fome, minha filhota pega o peito e lá mesmo mama enquanto eu continuo ainda meio que dormindo. É o que os suecos falam: Vad mysigt!

A troca de olhares, aquela mãozinha linda e gordinha, ai ai estou apaixonada pela minha filhota… enfim, continuo achando que a mãe não deve ter culpa pela escolha de não amamentar, mas a mãe tem que estar muito consciente de que mamadeira não substitui o peito NUNCA!

Aqui estou eu pagando a minha língua e me contradizendo: amamentação talvez não seja obrigação da mãe, mas é sim um direito de toda criança!

Ontem à noite, lendo o livro A maternidade e o encontro com a própria sombra da Laura Gutman, (leitura excelente para as novas e velhas mães) encontrei a melhor descrição da amamentação na vida da mãe e do bebê ou o que Laura chama de mãe-bebê!

A lactação é a continuação e o desenvolvimento de nossos aspectos mais terrenos, selvagens, diretos, filogenéticos. Para dar de mamar, as mulheres deveriam passar quase todo o tempo nuas, sem largar sua cria, imersas em um tempo fora do tempo, sem intelecto nem elaboração de pensamentos, sem a necessidade de se defender de nada nem de ninguém, mas tão somente abstraídas em um espaço imaginário e invisível aos demais.

Dar de mamar é isso. Ê deixar aflorar nossos recantos ancestralmente esquecidos ou negados, nossos instintos animais que surgem sem que imaginemos que estavam aninhados em nosso âmago. É deixar-se levar pela surpresa de nos vermos lambendo nossos bebês, de cheirar o frescor de seu sangue, de se lançar de um corpo a outro, de se converter em corpo e fluídos dançantes.

Dar de mamar é se despojar das mentiras que nos contamos durante toda a vida sobre quem somos ou Deveríamos ser. É estarmos soltas, poderosas, famintas, como lobas, leoas, tigresas, cangurus ou gatas. Muito semelhantes às mamíferas de outras espécies em seu total apego pelas crias, ignorando o resto da comunidade, mas atentas, milimetricamente, às necessidades do recém-nascido. Extasiadas diante do milagre, tentando reconhecer que fomos nós mesmas que o tornamos possível, e nos reencontrando com o que é sublime. É uma experiência mística se nos permitirmos que assim seja.

Isto é tudo de que se necessita para poder amamentar um filho. Nem métodos, nem horários, nem conselhos, nem relógios, nem cursos. Apenas apoio, proteção e confiança em ser você mesma mais do que nunca. Apenas permissão para ser o que queremos, fazer o que queremos e nos deixar levar pela loucura do selvagem.

Isto é possível quando se compreende que este profundo vínculo com a mãe terra faz parte da psicologia feminina, que a união com a natureza é intrínseca ao ser essencial da mulher e que, quando este aspecto não se manifesta na lactância, simplesmente não flui. As mulheres não são muito diferentes dos rios, dos vulcões ou dos bosques. Só é necessário preserva-los dos ataques.

Para ler mais baixe o livro aqui.

O que fazer quando não se pode fazer nada?

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41+2 semanas! Já foram tantas as emoções e reflexões que cheguei à conclusão de que todas as minhas teorias sobre gravidez falharam. Realmente o ser humano é imprevisível desde antes do nascimento! O tal do mistério da vida que se prova mais misteriosa a cada dia através do meu bebê! Mas se Kate Middleton, duquesa da Grã-Bretanha, teve seu bebê depois da semana 41, porque eu também não posso?

Hoje fui à minha última visita pré-natal com a midwife e fiz o primeiro exame de toque. A cavala me deu uma dedada que fui parar na lua! Dilatação ZERO! Bebê alto, posição cefálica!

Fico pensando o que pode ser. Será algum medo no meu subconsciente? Será a genética da minha família?

A primeira filha da minha irmã foi induzida na semana 41+3, com dilatação zero. Minha irmã estava prevista para nascer dia 25 de janeiro e nasceu dia 3 de fevereiro de cesárea eletiva, porque minha mãe não tinha dilatação. No meu caso, não sabemos muito bem, mas depois de várias conversas com a minha mãe, chegamos à conclusão que o meu parto também foi induzido, mas foi bem rápido e traumatizante para a minha mãe. Segundo as fontes suecas a duração da gravidez pode estar relacionada com a família, ou seja, algumas famílias têm gravidez de 38-39 semanas outras de 40-41 semanas e outras ainda 42+ semanas.

Quarta-feira que vem, dia 11/02 será então o grande dia. Vamos ao hospital fazer uma série de exames:

- stress do bebê
- pressão sangûínea
- verificar a presença de proteína na urina (que é o detector de eclâmpsia ou pré-eclâmpsia)
- qualidade do líquido amniótico
- posição do bebê

Se o resultado dos testes forem bons vamos induzir o parto no dia 11 de fevereiro mesmo, caso contrário, partiremos para uma cesárea. Meu psicológico está meio abalado, mas tenho que admitir que dentro de mim eu bem que sabia que estava sem dilatação porque eu não tive contrações e minhas cólicas tem sido muito fracas.

Eu preciso de um milagre para entrar em trabalho de parto antes do dia 11, caso contrário, diga adeus ao parto natural, lá vou eu mudar meu plano de parto mais uma vez! Mas o mais importante é o meu amado baby aqui dentro, então o nascimento dele vai ser como tem que ser e o jeito é esperar.

E agora, o que fazer quando a gente não pode fazer nada? Como passar os últimos dias em casa antes do bebê nascer? A seguir, envio as minhas dicas de como eu venho passando o tempo durante essas últimas 3 semanas em casa!

1. Cozinhar:
Depois de 9 anos na Suécia eu finalmente aprendi a cozinhar. Eu fazia uma coisa ou outra, aqui e ali, sem criatividade, sem gosto, Fábio reclamava dizendo que como eu não sabia fazer nem um arroz. Comia a maior parte do tempo fora gastando fortunas. Eu achava cozinhar um saco, porque sempre tinha algo mais interessante para fazer.

2. Fazer artesanato:
Crochet ou tricot por exemplo! Se eu não tivesse com o problema do nervo da mão afetado, o que me fez perder a sensibilidade dos dedos, eu arriscaria fazer alguma coisinha artesanal. Mas do jeito que está, mal consigo colocar um brinco na orelha.

3. Ler:
Ler romances, livros sobre maternidade, sobre gestação, blogs etc.

4. Escrever:
Escrever um diário para o bebê e preencher com fotos da gestação. Escrever um blog ou escrever para as amigas. Escrever tem sido minha maior diversão nessas últimas semanas! Montar álbum de fotos, scrapbook, etc. Além de ser muito legal quando a gente lê nossas coisas antigas depois de um tempo.

5. Se exercitar:
Dançar, andar, fazer yoga, pilates, agachamento, rebolar etc. Hoje em dia, depois do Youtube, não existe desculpa! Tem cursos de tudo lá e totalmente gratuitos. Eu tenho andado tanto com meu cachorro que minhas pernas estão até meio musculosas (apesar de gordinhas e inchadas). Enfim, continuo montando uma coreografia e estudando um DVD de dança, mas ultimamente pego bem mais leve, porque meu corpo realmente não aguenta mais o tranco.

6. Fazer algum curso:
Escolhi fotografia! Se eu pelo menos parender a mexer na máquina manualmente já fico feliz:

Mas existem diversos outros cursos que a gente pode fazer através do youtube: de desenhar, zumba, artesanato, culinária, programação, web design, etc.

7. Quarto do bebê:
Fazer os últimos retoques nas coisas do bebê.

8. Arrumar a casa:
Minha casa nunca esteve tão limpa e organizada. Não tem nem mais graça limpar. Talvez eu precisasse arrumar as gavetas do meu guarda-roupa, mas prefiro escrever no blog!

9. Passear:
Ir ao cinema, encontrar as amigas, fazer compras, massagem, spa, depilação, manicure e pedicure, esfoliação, etc.

10. Testar as técnicas de indução natural:
Eu testei todas as seguintes técnicas naturais e absolutamente nada funcionou comigo! Mas funcionou com outras pesoas, então não desanime!

  • Sexo: o sêmen possui prostaglandina, uma substância que ajuda a amolecer o colo do útero.
  • Masturbação: a contração do útero durante o orgasmo talvez estimule o útero a começar a se contrair. Minha amiga me garantiu que funcionou com ela.
  • Acupressão e/ou acupuntura: alguns pontos pressionados no pé e em outras partes do corpo ajudam a amolecer o colo do útero e estimular contrações.
  • Estimulação dos mamilos: estimular um mamilo por vez. Usar o polegar e o indicador na auréola e no bico por 5 minutos. Espere uns 15 minutos para ver se acontece algo e faça no outro mamilo. Repita se precisar. Pode-se usar a bomba de leite.
  • Chá de folhas de framboesa
  • Comer abacaxi e tâmaras
  • Caminhar e subir escadas
  • Dançar e sentar na bola de pilates
  • Afirmações e meditação

Não tentei o deslocamento das membranas (porque eu não tinha dilatação), nem o uso de laxantes, porque se tudo acima não funcionou tenho dúvida de uma diarréia vai ajudar.

Doulas na Suécia

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Sexta-feira, semana 40+3!

Ontem foi dia de Spa, hoje é dia de doula.

Encontrei uma doula aqui do lado de casa! Só existem duas doulas na região de Kalmar, pelo que pude ver no site doula.nu. Lá encontrei a Anna Lundqvist que trabalha com terapias alternativas, programação neurolinguística e massagem para grávidas: www.adanna.se.

Liguei para ela hoje de manhã, ela atendeu logo de cara, expliquei minha situação que gostaria de um tratamento de massagem ou acupressão para começar a induzir o parto naturalmente, porque eu estou na semana 40+3, focando num parto natural e não quero arriscar chegar na semana 42 e ter que induzir artificialmente com drogas. Então porque não ir começando a tentar umas massagens mais especificas para o parto.

Ela concordou, me deu uma sugestão e combinamos um tratamento de uma hora e meia, com uma massagem que estimula a liberação dos hormônios com uma pausa para caminhada. Disse que se o bebê estiver pronto e meu colo do útero já maduro pode ser que minhas contrações não demore muito a aparecer, caso contrário vou ter que esperar um pouco mais.

Vai ser uma experiência interessante!

Meu corpo está mais inchado desde ontem, tenho tido uma cólica leve e constante. Mas nenhum aumento de corrimento, nem tampão mucoso, nem nada. Ou seja, difícil saber se meu corpo está pronto. O bebê continua bem ativo, com as mexidas bem diferentes de antes, agora ele estica a perna e eu sinto a cabeça dele lá embaixo, a barriga toda mexe, em vez de ser localizado numa única parte.

Bom, eu volto para contar sobre a doula sueca!

Update 31/01: acupressão dói. Ela foca especificamente no pé, nos pontos referentes ao útero e ao colo do útero e para liberação dos hormônios do parto e redução dos hormônios de stress. Disse que pelo que ela sentiu as contrações ainda não viriam a noite, pois segundo os meus músculos do pé ainda estavam duros, o que representa o colo do útero ainda não amadurecido. Mas que as pressões de qualquer forma estimulariam. Enfim, coincidência ou não, acordei a noite com dor e contração. Isso nunca tinha acontecido antes, olhei no relógio e esperei para ver se viria outra dor, mas não veio. Mas enfim, acrdito que já é resultado da acupressão.

Massagem perineal – como fazer?

Durante as minhas leituras descobri a massagem perineal na metade da semana 36. Essa massagem é indicada a partir da semana 34 para evitar laceraçãoes na vagina durante o parto.

É muito incômodo, porque nós mulheres, diferentemente dos homens, não somos acostumadas a ficar mexendo “lá embaixo” todo dia. Então para mim foi um pouco torturante, especialmente as 3 primeiras vezes. Costumo fazer logo após o último banho antes de dormir, onde lavo a vgina com um sabonete vaginal e uso o mesmo óleo de amêndoa que usei durante a gravidez toda para evitar estrias.

Sigo as intruções desses 3 vídeos.

Boa sorte!

Pré-natal na Suécia parte 2

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Eu descrevi o pré-natal na Suécia quando eu estava bem no início da minha gravidez nesse post aqui.

Depois das minhas 9 consultas incluindo as duas ultras, eu tenho uma opinião formada a respeito do pré-natal sueco.

Quero deixar claro que eu vivo aqui há 9 anos e eu não tenho problemas quanto à “frieza” do sistema, das pessoas etc. Eu até gosto da objetividade e de ir direto ao ponto, economizar tempo e dinheiro. Além disso eu não faço a menor idéia de como é um pré-natal no Brasil, minha única referência é a minha irmã que tem dois filhos e o fórum do baby center Brasil onde eu fico comparando o pré-natal das meninas com o meu.

Enfim, vamos lá.

Todas as consultas do pré-natal seguem exatamente o formato que está no roteiro que eu descrevi no post anterior ou seja, nem mais nem menos. Por exemplo, se está escrito que na semana 32 a enfermeira vai me pesar, então ela vai fazer isso, e como na consulta da semana 35 não está marcado a minha pesagem, então, mesmo que eu esteja enorme de gorda, ela não vai me pesar e provavelmente nem comentar do meu peso.

Não existe liberdade para que a minha enfermeira me observe individualmente e faça um plano específico para mim. A sua função é controlar se tudo está caminhando na normalidade. Se alguma coisa estiver fora do padrão, então ela me manda ao médico. Até aí tudo bem, eu compreendo.

A minha decepção está na falta de conhecimento em técnicas alternativas e naturais e informações relativas à saúde mental e física da gestante. Hoje em dia se sabe que entre as semanas 30 e 34 existe uma série de exercícios, acupuntura e massagem quiroprática que alinham a pelve e o corpo para o melhor posicionamento do bebê. Se eles olhassem o posicionamento do bebê antes da semana 35 teríamos mais chances de virá-los, sem ter que ir diretamente ao hospital fazer um ECV, onde aqui os sucessos nessa manobra são bem poucos. Com a informação adequada poderíamos mudar uma série de hábitos de sentar e dormir que facilitariam tanto o parto quanto a gestação. Mas a minha enfermeira, nunca me recomendou uma forma de dormir, nem sentar, nem exercícios específicos. Segundo ela não há nada que eu possa fazer que afete o posicionamento do bebê no útero (meu queixo cai quando eu escuto uma coisas dessas).

Em nenhum momento eu recebi informação sobre o que eu considero uma das coisas mais importantes para a saúde sexual, reprodutiva e excretora da mulher: os exercícios pélvicos e massagem perineal. Aqui na Suécia todo mundo é RASGADO quando pari. Rasgam feio! Não vem falar para mim que é 50% que tem um rasgadinho aqui e ali. Leia o blog de todas as brasileiras, das suecas e os assista aos programas da TV que você vai ver o número de mulheres que não conseguem segurar o xixi depois que tem filhos e do tanto que rasgam durante o parto. Eu atribuo essa taxa tão alta devido à falta de conhecimento das mulheres. Se eu não fosse viciada em youtube e blog como sou, dificilmente saberia dessa massagem perineal, uma pena que comecei só agora e mesmo assim, nada me garante que eu não vou rasgar toda, espero ter o apoio adequando no grande dia.

Para finalizar a minha crítica, o encontro de pais foi a coisa mais ridícula da qual eu participei durante toda a gravidez. Foi falado sobre as atividades com as crianças depois que nascem. Perguntaram o que é família para nós. Nos foi alertado sobre álcool e drogas. E por último, finalmente uma informação válida, fomos informados dos procedimentos do parto no hospital. Também nos foi falado sobre amamentação, mas quem se lembra das informações sendo que eu vi o vídeo há dois meses?

Na Suécia custa caro parir em casa, acho que só em Stockholm que existe esse tipo de serviço. Se fossem os homens que parissem, provavelmente parir em casa seria a regra e não a exceção.

As mulheres lutam aqui pelo direito de escolher uma cesariana. Muitas ficam tão traumatizadas com o primeiro parto, que nunca mais querem ter filhos de parto normal. Existem histórias horríveis e histórias interessantes. As mulheres suecas não lêem nada além dos fóruns. Não sabem quem é Leboyer, Ina May, Hypnobirthing. Elas assumem que parto é algo instintivo. Já cansei de ouvir isso: “-Não li nada porque confio nos meus instintos!” Correr é instinto, mas nem por isso vc vai correr uma maratona sem treinar. Vai cair dura e estatelada na metade da corrida. E assim é o parto. A gente nunca está totalmente preparado, ainda mais na primeira gravidez que a gente não faz a menor idéia do que esperar.

As norueguesas vieram com uma outra solução para acabar com a rasgação de pererecas: “-Vamos ter bebês magros!” As celebridades norueguesas vieram com a idéia de fazer dieta na gravidez e malhar muito para que o bebê nasça com menos de 3 kg. Agora é status por lá ter um bebê pequeno. As barnmorskas suecas (muito entendidas claro) cairam matando na nova moda norueguesa, alertando todos os problemas quando se tem um bebê muito magro, além do que dizem que não necessariamente o parto será mais fácil.

Enfim, se houvesse mais disseminação sobre os fundamentos de um parto natural, sem violência, sobre a saúde dos órgãos reprodutores teríamos partos melhores por aqui. Minha opinião é que só porque a quantidade de cesáreas é baixa, não quer dizer que as mulheres saem felizes e satisfeitas de seus partos. Pelo contrário, a depressão pós parto aqui é bem alta e também a depressão durante a gravidez. A Suécia tem que trabalhar muito ainda para oferecer o pré-natal digno para nós mulheres.

37 semanas na reta final

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Semana 37 + 4 novidades

Bebê a termo! Teoricamente ele pode vir a qualquer momento! Mas como eu ainda estou sem nenhum sintoma de nada, acredito que terei que esperar por mais duas semanas pelo menos.

Mas tudo está pronto!
1. Enxoval arrumado, montado e lavado!
2. Mala da maternidade pronta!
3. Plano de parto revisado!
4. Bebê com a cabecinha para baixo!

Estou me sentindo fisicamente ótima! Ainda tenho energia, meu peso parece que estagnou no 66kg há umas 2 semanas mais ou menos. Meus anéis continuam cabendo nos meus dedos, mas durante a noite eu sinto um leve inchaço nas mãos, especialmente na direita. Minha respiração está péssima, ronco muito e provavelmente só vai melhorar depois que o bebê nascer. Não tenho nenhuma dor lombar, nem nas costelas, nem na cabeça e não tive nenhuma contração de treinamento que eu saiba. Uma vez achei que fosse, quando estava no supermercado, mas talvez fosse só a minha pelve se abrindo.

Estou bem melhor emocionalmente depois que confirmamos mais uma vez a posição do bebê. Ele não está ainda na posição 100% ideal de parto, mas continuo me esforçando para deitar, andar e sentar de forma que facilite a rotação e descida dele.

Amanhã (segunda) é o meu último dia de trabalho e o resto da semana eu reservei para mim. Vamos jantar fora, ir ao cinema, marquei sombrancelha, pedicure, osteopatia e massagem. Depois disso, espero já começar a ter algum sintoma de parto.

Os 10 ítens a seguir tem sido a prioridade na minha rotina diária desde o início da semana 36:

1. Beber chá de folhas de framboesa 2 a 3 vezes ao dia.
2. Comer 6 tâmaras por dia
3. 20 minutos de meditação e relaxamento
4. Postura invertida para posicionamento do bebê.
5. Pelo menos 10 minutos de yoga.
6. Exercícios para o assoalho pélvico (tenho focado demais nisso)
7. Massagem no períneo (pena que eu só descobri isso na semana 36, deveria estar fazendo desde a semana 34)
9. Dormindo mais de 8 horas por dia (estou seguindo o conselho do povo que diz que nunca mais vou dormir novamente).
10. Andar (quero andar pelo menos 2 km por dia, mas ainda não consegui fazer isso todo dia. O tempo está horrível e ainda chego do trabalho já a noite e prefiro ficar em casa no quentinho e fazer uma yoga).

O bebê virou!

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Estou eufórica!

Depois da notícia de ontem que meu bebê estava transverso, passei o dia todo fazendo a postura de yoga Adho Mukha Svanasana, (postura do cão). Fizemos meditação, acendemos uma lanterna na porta da perereca (literalmente recomendação da minha irmã). Ficamos assim por uns 15 minutos.

Então fizemos a segunda meditação de pais do CD que veio junto com o livro Hypnobirthing, ficamos lado a lado, com a mão na minha barriga e foi “UAU” transcedental! O bebê reagiu muito. Ele estava totalmente conectado com a gente! Foi demais! Eu já tinha comprado esse livro com CD há algum tempo, mas queria terminar de ler antes de começar os exercícios, mas depois de ontem vamos fazer a meditação diariamente até o bebê nascer! Ali eu me acalmei, tentei largar o controle de tudo e pensei que o importante é a saúde do meu bebê e que ele esteja bem. Foi uma sensação incrível! Minha fé tinha se renovado!

Acordei às 5 da manhã com o bebê mexendo bastante. Meu cachorro estava dormindo na sala e fiquei lá com ele fazendo mais posturas de yoga. Voltei pra cama umas 6h e acordamos às 8:30. Liguei para o hospital, tomamos café e fomos.

Chegando lá a enfermeira me perguntou se eu achava que o bebê ainda estava transverso. Eu disse que não sabia, mas que esperava que não.

Ela examinou minha barriga, ficou na dúvida se era a bunda ou a cabeça que estava para cima. Depois de umas tentativas confusas de ligar a máquina de ultrasom, o resultado esperado! A cabeça estava para baixo, lá onde deveria estar. A coluna estava pro lado esquerdo e as perninhas chutando no lado direito!

Estou eufórica com a notícia!
Meu bebê virooooooou!

Aqui estão alguns links que me ajudaram muito:

http://crisdoula.com/bebe-pelvico-como-virar/

http://www.namaskaryoga.com.br/index.php?id=64975107452

http://spinningbabies.com/techniques/activities-for-fetal-positioning/pelvic-floor-release

Leitura para grávidas

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1) O que esperar quando se está esperando
What to expect, when you are expecting. Heidi Murkoff

Fique longe desse livro se você quer ter um parto natural. Essa mulher fala só de doenças. É escrito sem sensibilidade, quase como se fosse um glossário ou uma enciclopédia. Definitivamente não é o meu estilo de livro. A minha amiga que me emprestou e eu devolvi na semana seguinte. Ela me disse que perdeu o medo de parto lendo esse livro. Eu sinceramente, não sei como ela conseguiu isso, mas esse livro não funcionou pra mim.
Recomendaria a uma amiga: NÃO


2) Nascer sorrindo
Birth without violence, Fredrick Leboyer

Esse livro foi escrito originalmente em 1974 por Leboyer, um dos primeiros médicos a considerar os sentimentos do bebê quando vem ao mundo. Ele fala que os recém nascidos também sentem dor e medo na hora do parto e que muitas vezes o parto é a causa de traumas que carregamos durante a nossa vida inteira.
O ponto negativo desse livro, na minha opinião, é que Leboyer é muito radical. Ele acredita que o tipo de parto afeta a personalidade da pessoa. Por exemplo, quem nasceu de um parto induzido tem dificuldade em lidar com pressão externa, quem nasceu de cesariana não toma tanta iniciativa como quem nasceu de parto normal, e uma criança que teve um parto calmo, normalmente é uma criança mais calma. Eu acho que não existe estudo suficiente para afirmar isso, mas a leitura é válida.
Recomendaria a uma amiga: SIM


3) The art of giving birth with Chanting, Breathing and Movement
Tradução: A arte de parir com canto, respiração e movimento, Fredrick Leboyer

Esse livro inclui um CD. A primeira parte é composta por trechos de cartas que Leboyer recebe de suas pacientes usando seus métodos, que na minha opinião é uma perca de tempo ou deveria ser colocado na segunda parte do livro.
Na segunda parte ele ensina algumas técnicas de respiração com som, e uns exercício para fazer junto com o CD. Se esse livro fosse escrito por uma mulher que já teve vários filhos eu daria mais credibilidade, mas um homem me falando a hora e como eu devo respirar na hora de parir NÃO OBRIGADA!
Recomendaria a uma amiga: NÃO


4) Ina May’s guide to childbirth
Tradução: O guia de Parto de Ina May, Ina May Gaskin

Ina May é uma das mulheres mais ativistas contra o sistema de parto hospitalar. Ela critica o mercado do parto no Brasil e nos EUA e dá palestras no mundo inteiro. Se você entende inglês recomendo assistir as palestras dela no youtube e economizar o dinheiro do livro. A primeira parte é um monte de história de parto que ocorre no centro de parto dela chamado de Farm. Depois ela fica criticando os médicos, as rotinas dos hospitais, as induções, os medicamentos, as cesarianas, a depressão pós parto etc. Enfim, basicamente o que sobra é: fique calma, sem medo, dê risada e se movimente na hora do parto. Fale verbalmente qualquer medo que vc tenha e libere as suas inseguranças, pois o psicológico afeta o parto e desacelera as contrações. Ou seja leitura válida, mas nada de novo que já não tenha sido falado nas palestras dela do youtube.
Recomendaria a uma amiga: NÃO


5) Hypnobirthing
https://www.facebook.com/hypnobirthingnobrasil, Marie F. Mongan

Esse livro é o mais essencial de todos para quem não fez curso de parto, Lamaze ou outra técnica. Ele dá muitas dicas de como funciona a nossa psique, fala do medo e como o ele pode travar um parto (assim como nos livros anteriores), mas ela ensina técnicas de relaxamento de maneira concreta. Também inclui um CD. Estou cofiante nas instruções dela para meu parto natural. Uma conhecida que me indicou esse livro, ela teve o bebê há 3 dias (no dia de natal) às 41 semanas e 3 dias, em casa (em Stockholm).
Recomendaria a uma amiga: SIM


6) Quando o corpo consente
Marie Bertherat, Thérese Bertherat e Paule Brung
Baixe-o aqui

Esse livro foi o meu primeiro, achei online e amei. Foi escritos por três mulheres francesas, a grávida, a mãe dela que é terapeuta e a parteira. Falam de uma maneira muito bonita e empoderadora. Cada uma escreve a partir da sua realidade. Criticam também os métodos convencionais. Tem depoimento de parto e tudo. Já que está online vale a pena a leitura.
Recomendaria a uma amiga: SIM

Multivitaminas? não obrigada!

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Há alguns anos eu tinha uma mania de tomar tabletes de vitaminas. Eu achava que estava sempre meio cansada, queria ter mais energia e me sentir revigorada e então comprava multivitaminas (super caras por sinal), até que o meu chefe, que é mais neurótico do que eu, me chamou atenção para os perigos dos tabletes multivitamínicos.

No auge da minha mania de multivitaminas eu percebi que as minhas mamas estavam inchadas e depois de algumas semanas que eu parei de tomar, as mamas voltaram ao normal. Agora na gravidez, pensei que eu precisaria voltar a tomar multivitaminas, mas a minha enfermeira obstétrica (barnmorska) garantiu que eu não precisava tomar complemento algum, apenas ferro a partir da 20 semana de gravidez.

A verdade é que se a gente não tem deficiência de alguma vitamina ou mineral, então a gente não precisa tomar essas vitaminas extras e muitas vezes esses complexos multivitamínicos podem é prejudicar a saúde.

Pra quem tem interesse, segue uma série de artigos sobre o mal que as vitaminas em excesso podem causar:

1) SuperInteressante

2) BBC

3) Globo

4) Seleções

Enfim, minhas ilusões foram por água abaixo. E lá fui eu novamente em busca de uma alimentação bem variada onde eu pudesse tentar adquirir as vitaminas naturalmente através dos alimentos.

Até que eu descobri a terapia de sucos. Sucos fazem bem, contém as vitamians, minerais e fibras direto das frutas e verduras, poucas calorias e podem ser usados para desintoxicar o organismo, hidratar, energizar e até mesmo curar. Podem ser tomados a qualquer hora do dia e é sempre delicioso.

Eu tenho uma centrífuga poderosa da Philips, que eu recomendo a todos que gostam de manter a saúde de maneira natural:

Aos poucos vou passar as receitas dos meus sucos favoritos!