Desculpa esfarrapada: falta de tempo

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Um dia desses uma amiga me convidou para ir à sua casa e eu disse pela décima vez que estava meio atolada e sem tempo por esses dias e ela me respondeu que não aguentava mais essa desculpa e que eu deveria inventar outra, pois todo mundo tem 24 horas e que eu deveria priorizar meus amigos.

Eu tenho obviamente que concordar pois realmente visitá-la nesse momento não é a minha prioridade. Mas como eu vou responder dessa maneira?

Mi, quer vir em casa amanhã? humm, amanhã eu já tenho outra prioridade, e já tenho prioridades suficientes para os próximos 5 meses.

Eu posso dizer que é a casa, que é a filha, que é o cachorro, que é o gato, que é o trabalho, mas eu sempre fui muito auto-envolvida e sempre tive dificuldade de encontrar um equilíbrio entre minha vida social e meus afazeres.

Aqui na Suécia as pessoas planejam os encontros com pelo menos 15 dias de antecedência. Pela minha experiência a gente tem mais coisas pra fazer aqui do que no Brasil, porque aqui quase tudo a gente faz a gente mesmo e não terceiriza. Diferentemente do Brasil, onde as pessoas terceirizam desde os filhos até a limpeza da própria privada.

A última vez que estive no Brasil uma menina que eu tinha acabado de conhecer veio me contar que tinha pago 3 mil reais para uma empresa de decoração pendurar uma cortina. Eu pensei, se tivesse me dado a metade disso eu mesma teria pendurado pra você.

Muitos reclamam dos problemas em encontrar amigos aqui e que os suecos são muito fechados. Uma coisa muito comum na Suécia chama-se “föreningsliv” que seriam as associações. Associação de pessoas com interesses comuns, fotografia, filme, música, pintura, costura, livros, culinária, comida vegetariana, esses dias vi uma onde as meninas se encontravam na piscina uma vez por semana e colocavam uma calda de sereia e ficavam nadando, enfim tem de tudo. Assim você encontra pessoas que tem o mesmo tipo de interesse que você e fica mais fácil fazer amizade. No meu caso me envolvo com outras mulheres através da dança. Também frequento às vezes um grupo de pintura. O governo fornece locais gratuitos para as pessoas se encontrarem.

Quem são os suecos?

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Passando por aqui pra ver se encontra algo novo? Pois então hoje é o seu dia de sorte! Finalmente um post novo para iniciar 2017! Espero que vc tenha tido um ótimo ano! Quem sabe não será o ano em que vc conhecerá um sueco ou uma sueca não é mesmo? Mas, enfim, você conhecendo ou não um sueco, vai aprender muito com eles através dessa leitura!

É claro que não dá para generalizar e dizer que todas as pessoas de um país são iguais, mas de um modo geral os suecos são:

1. Inteligentes
Os suecos são as pessoas mais inteligentes que eu conheço. Eles tem muita facilidade com línguas, são práticos eliminando assim qualquer desperdicio de tempo e dinheiro com coisa desnecessária para executar uma tarefa. Não é incomum encontrar um sueco que desenvolve máquinas e outras invenções na garagem de casa, talvez porque eles brincam com lego desde cedo ou talvez porque eles não assistem a globo! Alguns suecos inteligentes famosos: Celcius (aquele que inventou o grau celcius), Lineu (aquele que classificou as espécies dando nome científico, Carl Munters (que inventou a geladeira), Lars Magnus Ericsson (desenvolveu a produção de telefones celulares e peças)

2. Bonitos
As crianças então são lindas! Os suecos(as) em sua maioria são magros ou bem distribuidos. Costumam ter uma barriguinha de chopp, mas ninguém é perfeito né gente! Eles costumam ter o nariz e a boca bem formados além do cabelo lindo. As mulheres são bem curvadas, com peito e bunda, e eles são bem ossudos. Os homens tem fixação por cabelo e as mulheres por maquiagem e unha postiça, especialmente quando são jovens, entre 18 a 24. Hollywood ama eles.

3. Grandes Entrepreneurs
Muitas das grandes empresas multinacionais conhecidas no mundo todo são suecas. Inclusive os donos estão na lista dos mais ricos do mundo: Ingvar Kamprad (IKEA), Erling Persson (HM), Axel Wenner-Gren (Eletrolux).

4. Patriotas
Você provavelmente não vai encontrar um sueco viajando pelo mundo usando a camisa do time sueco, nem levantando bandeira a não ser que seja copa da UEFA, mas os suecos levantam a bandeira da Suécia na porta de casa. E preferem tudo que é produzido aqui, carne, morango, vidro, carro. Os suecos sempre dão preferência aos produtos produzidos por eles, mesmo que muitas vezes sejam mais caros. Para eles, se o produto for sueco está implícito que tem qualidade e que pode confiar.

5. Trabalhadores
Os suecos (em sua maioria) não têm empregada em casa, e quando tem elas não são como no Brasil, que arrumam até cama. Os empregos populares aqui como atendente de café, você tem que cuidar do caixa, fazer os lanches e cafés e ainda no fim do dia limpar o chão. Muitas vezes trabalham no frio na rua o dia todo. Os suecos além de trabalhar fora, cuidam dos filhos, vão pra academia, fazem comida, possuem pelos menos dois hobbies e mais: cortam grama, pintam janela, reformam casa, consertam carro, trocam o pneu do carro, constroem a própria garagem, o próprio depósito e alguns deles constroem até a casa com as próprias mãos. Buscam os móveis nas lojas, montam sozinhos em casa. Nada aqui vem pronto! No domingo, quando vc passeia pelas ruas e não vê ninguém, é porque eles estão em casa arrumando ou montando alguma coisa.

6. Hightech
Tudo aqui é digitalizado. Vc faz tudo pela internet. Abre conta, fecha conta, marca dentista, desmarca, compra, vende, horário de ônibis, passagem de trem, onibus e avião e até fazer pedido em restaurante. Existem muitas aplicações que a gente não vive sem aqui: skype, spotify, bankid (pra se identificar em sites de banco e do governo), swish (pra transferir dinheiro de pessoa pra pessoa ou para empresa).

7. Bons pais e mães
Eles estão sempre fazendo coisas com os filhos, levando para passear, para andar de bicicleta, a vida deles gira em torno dos filhos. Tanto dos pais quanto das mães.

8. Ambientalistas
Os suecos se preocupam com o meio ambiente. Adoram vegetarianismo e produtos ecológicos. Estão sempre preocupados em contribuir de alguma maneira para ajudar algum projeto ambiental e social.

9. Ricos
Os suecos estão em quarto lugar com a melhor renda per capita da Europa e quinto lugar em todo o planeta. Com uma renda média de 82.930 € por ano.

10. Felizes
Como ser infeliz com todas as características anteriores? Os suecos são pessoas felizes, mas não muito risonhas, não se metem em confusão, evitam discussão, costumam ser sensatos, pensar muito antes de tomar uma decisão e de um modo geral prezam a família e gostam de ter poucos amigos íntimos.

A vida de mãe – o que mudou?

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Há 7 meses estava eu aqui mesmo, escrevendo sobre parto, tirando selfies da barriga, de saco cheio de esperar essa pessoinha que eu não tinha a menor idéia de quem seria. Até que para minha surpresa ela veio: “Maya, a menina que ilumina toda vez que a gente vê, ainda tenho muito que aprender com você!

O que mudou desde que ela chegou? E a resposta é: TUDO!

Apesar de continuar fazendo as mesmas coisas que antes, trabalhar, dançar, arrumar casa, fazer comida, passear etc, mesmo assim tudo mudou! O foco da minha vida mudou. Ter uma pessoinha 100% dependente da gente nos ensina muita coisa, principalmente a priorizar nosso tempo.

Ter um filho(a) sem sombra de dúvida desperta o melhor em nós. Compaixão, amor ao próximo e a desenvolver capacidade de se colocar no lugar do outro. Pelo menos tem sido assim comigo.

Não vou negar que é muito cansativo também, ficar num estado de alerta constantemente para o bem estar do bebê dá um cansaço fora do comum, provavelmente nunca estive tão cansada na minha vida como agora. A beleza feminina também diminui, corpo flácido, não dá pra usar um brinco comprido, um colarzão, nem mesmo anéis, nem deixar a unha crescer, e quando a gente consegue fazer uma depilação comemora de felicidade! Mas é esse o preço que se paga para viver o amor sublime da maternidade!

Morar no Brasil sim ou não?

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Um outro dia me deparei com esse post http://tudosobreminhamae.com/maes-fora-do-brasil/2015/5/21/a-tristeza-que-d-sentir-alvio-em-no-morar-no-brasil que alguém compartilhou no facebook.

Pelo que eu entendi a autora é uma moça carioca morando na Alemanha há 10 anos foi pra lá com um namorado, mas que nunca virou a cara para o Brasil e vinda de uma família classe média, sempre adorou o Rio. Tinha uma certa nolstalgia de voltar a viver lá, mas aparentemente depois de um assassinato de um cara na lagoa ela desistiu.

Bom, eu vivo na Suécia há cerca de 10 anos e em 2005 eu já não tinha esperanças. Ganhava 4,20 reais a hora/aula e entre 50 e 100 reais para dançar num restaurante das 9 da noite às 1 da manhã. Eu costumava pegar o ônibus 131 no ponto na frente do meu prédio e depois de esperar por mais de 20 minutos, passavam dois ônibus que não paravam. Quando resolvia ir de carro, tinha que aturar desaforo de flanelinhas (bandidos disfarçados), onde eu tinha que pagar para proteger o carro deles mesmos. Enfim, naquela época infelizmente, já existia violência, especialmente no Rio de Janeiro, é só pesquisar no google. E agora um assassinato na lagoa é motivo para as pessoas não quererem mais voltar ao Brasil?

Hummm… O Brasil está passando por mudanças. Está acontecendo um certo êxodo para a Europa, talvez o maior de todos os tempos, e as pessoas acham que é a política do PT, que é isso ou aquilo. Mas não é. Nós estamos fugindo de nós mesmos. Da lambança e confusão que é o Brasil. Da falta de seriedade em todos os cantos e da corrupção em todos os setores, não só na política.

Mas eu ando lendo muita coisa que vai despertando a esperança. Os brasileiros estão amadurecendo. A classe média ainda está com medo de ter que limpar o próprio banheiro e os médicos ainda estão com medo de ter que parar de fazer cesárea antes do natal, o salário ainda é baixo, mas a sociedade está mudando. Mudanças não acontecem do dia para a noite.

Não quero que Maya cresça aqui dentro da bolha, sem saber o que é a vida real, sem saber o que é ralação de verdade. Sem saber que tem muita gente que trabalha de dia para pagar os estudos da noite. Mas acho sim que ela tem sorte de ter nascido aqui e mais sorte ainda de ter a possibilidade de ver dois “mundos” tão diferentes.

Tenho muita saudade da minha família, dos amigos, da água de côco e do caldo de cana. Da informalidade. Se um dia eu volto ainda é difícil saber. Mas quem sabe eu não desenvolva projetos no Brasil? Montar um ONG para ensinar crianças a programamar? a dançar? adotar uma criança? Quem sabe?

Batizado na Suécia

Faz um mês que Maya foi batizada. Foi uma cerimônia e uma festa linda!

Eu perticularmente gosto muito da igreja sueca. A cerimônia se parece bastante com a da igreja católica, mas a igreja sueca é mais leve, mais aberta e mais moderna na minha opinião. Além disso eles têm muitos programas legais e eu queria muito que Maya fosse batizada lá.

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Maya estava reluzente no dia. Não chorou, ia com todo mundo e estava, modéstia a parte, muito linda!

Apesar de eu não ser religiosa no sentido literal da palavra, eu sou uma pessoa muito espiritual. Já li diversas filosofias, participei de alguns retiros espirituais e passei boa parte da minha infância ajudando na igreja católica da cidadezinha onde eu nasci quando eu ainda me vestia de anjo e participava da coroação de Nossa Senhora.

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Às vezes eu me afasto do caminho espiritual, às vezes volto com força total porque sempre me aparece algum chamado lá de cima, ou alguma circunstância da vida que me faz voltar ao centro e ver que a vida é um aprendizado e que existem coisas muito maiores e mais sagradas do que o meu próprio umbigo.

Muitas pessoas me questionaram porque eu não deixei a minha filha escolher a religião que ela quiser. Mas como mãe, considero que eu tenho a obrigação de mostrar pelo menos um caminho espiritual. E o batizado é o caminho que eu conheço, porque foi assim comigo. Pode ser que a igreja sueca não supra as necessidades espirituais da minha filha no futuro e que ela venha a buscar outras filosofias, ou mesmo que não se interesse por espiritualidade, mas pelo menos eu fiz a minha parte.

Para agendar o batizado foi bem simples e a festa foi feita no salão da própria igreja de graça. Convidei 4 madrinhas: Minha mãe, minha amiga Maria, minha irmã e a cunhada do Fábio. Cada madrinha ganhou um certificado e Maya ganhou também um comprovante de batismo, uma vela e um livro de músicas. Os padrinhos/madrinhas não precisam estar presentes na cerimônia nem festa.

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Minha alunas dançaram inclusive uma menininha, e eu fiquei muito grata pelo padre e pelo pessoal da igreja permitir a apresentação das meninas lá.

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Minha mãe esteve aqui e me ajudou a fazer as decorações, os muffins e as lembranças. Minha amiga Maria e madrinha da Maya me ajudou a fazer os convites e os cupcakes, minha amiga Sandra foi a fotógrafa e minha Amiga Ana Emília, Maria e minha mãe me ajudaram durante a festa a servir os convidados. E a mãe de uma aluna ajudou a encher os balões. Enfim, o que seria de mim sem os amigos.

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Tudo ficou muito lindo, delicioso e tivemos 45 convidados! Fazer festa dá trabalho, eu estava muito cansada, mas valeu a pena.

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O preço que se paga para viver no paraíso

Minha mãe esteve quase dois meses aqui comigo e voltou ao Brasil ontem. Já é a terceira vez que ela passa um tempo aqui, mas dessa vez ela veio com um comentário: “Sabe o que Kalmar me lembra?” e eu respondi: “não, o quê?” e ela: “o paraíso“. E continuou:

“A grama verde, contrastando com as as flores coloridas e com o céu azul, as pessoas calmas e educadas. O trânsito fluindo, as mamães e os papais caminhando com os carrinhos de bebê, nem mesmo os cachorros latem aqui. Tudo meiguinho, organizado. Parece o céu dos filmes, tipo naquele filme espírita Nosso Lar.”

Eu tentei soltar uma piada: “será que morremos e não sabemos? hehehe”

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Mamma no paraíso

Mas nem tudo são flores e é sim possível viver um inferno no paraíso. Quem vive aqui já passou ou passará por muitas crises e apesar de crises acontecerem em todos os lugares, elas são mais difíceis quando acontecem longe de casa e longe da nossa língua:

1. Solidão: se você acha que vive só mesmo estando rodeado de amigos, então prepare-se para se sentir só num lugar rodeado de suecos. Especialmente quando você ainda não entende nada dessa língua difícil.

2. Preconceito: você era o rei da cocada preta lá na sua cidade no interior da Bahia? Pois aqui você é mais um cabeça preta tentando ganhar a vida.

3. Crise de identidade: você tinha um estilo quando vivia no Brasil, talvez usasse no máximo um batonzinho que combinava com o seu bronzeado, uma calça jeans bordada de lantejoulas e um top florido, você dava gargalhadas altas e dançava em todas as festas. Pois bem, para se adaptar aqui ou você muda ou a sociedade muda você.

4. Crise financeira: você achou que todo mundo na Suécia era rico? Pois se prepare para passar pela fase mais dura da sua vida. Quem disse que você receberia um salário como os dos suecos? E quem garantiu que você arrumaria um trabalho de cara? Rapadura é doce mas não é mole não!

5. Aprisionamento: Você viu aquelas fotos de céu azul, flores, sol e grama verdinha antes de vir pra cá, mas se esqueceu de que a temperatura não estava sendo mostrada. Ficar dentro de casa pelo menos 8 meses por ano, porque lá fora é frio demais, é o destino de quem vive aqui.

Está preparado para enfrentar a vida no paraíso?

Moradia na Suécia

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Alugar apartamentos na Suécia não é tarefa fácil, muitas vezes se tem que enfrentar filas longas de mais de cinco anos nas cidades grandes, mas não é diferente em Kalmar uma cidadezinha com um pouco mais de 60 mil habitantes. Por isso muitas pessoas preferem comprar imóveis, mesmo que não tenham planos de viver aqui por muitos anos. Na prática as formas de moradia na Suécia são bem parecidas com as do Brasil:

1. Hyresrätt (aluguel): Costuma incluir aquecimento, água e como todas as moradias na Suécia a cozinha já vem montada com fogão, geladeira, freezer e armários.

2. Bostadsrätt: apartamento próprio

3. Villa: casa própria

4. Fritidshus: casa de férias

COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS

Como aqui a procura por imóveis é maior do que a demanda, então a venda é feita por leilão na maioria das vezes.

O corretor prepara uma mostra do imóvel com dia marcado, divulga no site da corretora e na hemnet.se. Os interessados vão ao vising, recebem mais informações e então começa o processo do leilão (budgivning).

Ou seja, o imóvel é lançado com um preço inicial e os interessados vão dando suas ofertas. Pela lei, o vendedor não é obrigado a vender a quem paga mais, mas normalmente quem paga mais leva! Os preços de imóveis variam bastante dependendo da região, sendo Estocolmo provavelmente a cidade mais cara. Para se ter uma idéia do mercado imobiliário entre no site do hemnet.

Costumes suecos

Os 5 melhores costumes da Suécia na minha opinião são:

1. Tirar o sapato antes de entrar: na nossa própria casa, na casa dos outros, na academia e muitas vezes até no trabalho e na escola. Esse costume começou por causa da neve no sapato, mas todo mundo faz isso mesmo no verão. Toda casa tem uma sapateira logo no hall de entrada.

2. Fika: É uma pausa que se faz de manhã, entre 9:30 e 10:30, e/ou à tarde entre as 14:00 e 16:00 para tomar um café com um pãozinho ou doce. Mas o conceito de fika vai além do café com pão, é um momento de contato social e descontração.

3. Fredagsmys: Na sexta-feira depois do trabalho ou escola a família se reúne para um jantar (normalmente tacos ou pizza) e para assistir a um filme juntos ou jogar algum jogo de tabuleiro ou videogame.

4. Kosläpp (soltura das vacas): Aqui na Suécia existe uma lei que obriga as vacas a serem criadas soltas durante os meses quentes. Por isso no início de maio as fazendas de leite fazem a soltura das vacas. É a primeira vez que elas ficam ao ar livre depois de muitos meses dentro do curral. Elas saem todas felizes pulando. Normalmente esse evento é aberto ao público e as pessoas levam as crianças para ver. http://www.arla.se/om-arla/korna/koslapp/

5. Janela decorada: As janelas suecas são tradicionalmente preparadas para colocar enfeites que normalmente são compostos por um abajour e uma planta, às vezes uma escultura, que dá um charme todo especial na casa tanto do lado de dentro quanto de fora.

Programas de TV para crianças na Suécia

Well, well, semana 40+6! Ainda estou grávida, acredite ou não! Mas enfim, vamos ao tópico de hoje: programas de TV para crianças na Suécia!

A Escandinávia em geral, como todo mundo já sabe, sempre esteve à frente do tempo, especialmente quando o assunto é sexualidade. Homosexualismo, pílula, feminismo e aborto é visto com naturalidade por todos que nascem aqui e tudo é ensinado-aprendido desde cedo.

Snoppen och snippan
Um vídeo-clip de um pinto e uma perereca cantando!

Biss och Kajs
Xixi em sueco é kiss e cocô é bais, eles trocaram as letras iniciais então ficou assim: Xocô e Cixi, um homem e uma mulher vestidos de cocô e xixi ensinam sobre o corpo humano.

Por último, um desenho dinamarquês que mostra como os bebês vêm ao mundo com muita naturalidade:

As mulheres da realeza sueca

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A família real sueca na verdade não governa a Suécia, mas é o que eu chamaria de um enfeite bonito de diplomacia para turista ver. Existem diversos grupos no Facebook que são contra a família real e que acham que não há necessidade de continuar com a raleza representando o país, mas apesar de um escândalo ou outro aqui e ali, essa linda família tenta viver discretetamente, ajuda os pobres e as apóia as boas causas. Eles expressam uma certa simplicidade, além de representarem os valores de uma família bem unida e estável. Pois é ninguém quer perder o trono, não é mesmo?

OS HOMENS
O rei Carl Gustav e o príncipe Carl Philip são ambos dislexos. Não sabem ler e às vezes eles vão em algum jantar de gala e falam o nome da cidade ou o nome do convidado errado, enfim. O rei costuma ser muitas vezes motivo de piada nos programas de comédia da TV, mas a mídia parece gostar um pouco mais dos outros membros da família.

AS MULHERES

Sílvia
A rainha Sílvia é nascida na Alemanha, filha de um alemão rico membro do partido nazista Walther Sommerlath com uma brasileira Alice Sommerlath (Soares de Toledo antes de casar). Sílvia morou 10 anos no Brasil, entre 1947-1957 (dos 4 aos 14 anos) e ela fala 6 idiomas (inclusive o sueco, dizem as más línguas que ela fala pior que eu hahaha).

Madeleine
A princesa Madeleine é a caçula, muito bonita e simpática, mas falta muito até chegar à elegância da mãe Sílvia. Ela se casou com um milionário inglês e tiveram uma filha no ano passado. Eles não vivem na Suécia e existe pouca pressão da mídia em relação à ela e sua família.

Victoria
Todas as pressões caem em cima da princesa Victoria, a herdeira do trono. Ela se casou com um homem comum, Daniel, que era o seu personal trainer que foi indicado por sua irmã Madeleine. Se tudo correr como o esperado ela será a quarta rainha da Suécia. Victoria não é bonita como sua irmã, nem elegante como sua mãe. Tem um péssimo gosto para roupas, sempre com as blusinhas gola canoa que eu detesto, ou vestidos de corte bem básico nada surpreendente.

Mas a Victoria faz o seu dever de casa. Ultimamente ela tem estado em todas. Todos os eventos beneficentes, políticos, pagando de boazinha com seu sorriso inexpressivo e distante. Imagino que ela seja uma pessoa bem estressada e tenha mania de perfeição, já que toda a responsabilidade da continuação da raleza sueca cai atualmente sobre ela.

Eu sempre fui curiosa em relação a ela, porque todo mundo sabe que não é fácil ser mulher, poderosa e ainda por cima ser uma princesa, enfim existem os chatos como eu que ficam criticando sua roupa, seu sorriso e suas palavras. Para mim, Victoria sempre foi uma incógnita. Nunca assisti a uma entrevista onde ela pareça sincera. Imagino que esse povo é educado para nunca falar o que pensa, mas sim falar o que cai bem e é de bom tom, pois na verdade tudo que eles falam pode ser usado contra eles mais tarde. Ontem (27 de janeiro, dia da libertação de Auschwitz) eu vi uma entrevista dela na televisão e percebi claramente como ela “nonchalant” disfarça seu despreparo diante assuntos controversos, que não requer apenas doar dinheiro, entregar prêmios e sorrir.

Essa semana a televisão sueca está dedicadando grande parte da sua programação aos 70 anos da liberação do campo de concentração de Auschwitz na Polônia, após a segunda guerra mundial. Muitas entrevistas com os judeus, sobre o antisemitismo na Suécia, entrevistas e documentários. E quem estava lá na cerimônia na Polônia entre os convidados de honra juntamente com alguns sobreviventes da guerra? A princesa Victoria claro!

Um repórter muito indiscreto a entrevistou e perguntou (obviamente) sobre a relação da sua família materna com o nazismo (seu avô materno era, como eu mencionei antes, representante de alto escalão do partido nazista). Ela respondeu da seguinte forma:

O nazismo é algo horrível. É absolutamente um dos piores períodos da humanidade. Mas isso é uma longa história e você pode pesquisar, se desejar.

Nazismen är någonting fasansfullt. Det är en av mänsklighetens absolut värsta perioder. Men det är en lång historia och det går att ta del av den historien om man önskar.

Se saiu bem, falando como sempre sem dizer nada, foi super aplaudida pelos puxa-sacos e nas redes sociais pela sua resposta. Eu preciso aprender essa técnica! Aqui está a reportagem completa: www.svt.se.

O repórter foi super criticado, disseram que sua pergunta foi de muito mal gosto e desrespeitosa, mas qualquer repórter no lugar dele não teria perdido a chance, nem mesmo eu. É claro que ninguém tem culpa pelo que seu avô fez há oitenta anos atrás, mas será ela uma pessoa qualquer?

Vai ser interessante ver o desenvolvimento de Victoria durante a sua carreira de rainha, se é que podemos chamar assim.