Pré-natal na Suécia parte 2

barnmoska

Eu descrevi o pré-natal na Suécia quando eu estava bem no início da minha gravidez nesse post aqui.

Depois das minhas 9 consultas incluindo as duas ultras, eu tenho uma opinião formada a respeito do pré-natal sueco.

Quero deixar claro que eu vivo aqui há 9 anos e eu não tenho problemas quanto à “frieza” do sistema, das pessoas etc. Eu até gosto da objetividade e de ir direto ao ponto, economizar tempo e dinheiro. Além disso eu não faço a menor idéia de como é um pré-natal no Brasil, minha única referência é a minha irmã que tem dois filhos e o fórum do baby center Brasil onde eu fico comparando o pré-natal das meninas com o meu.

Enfim, vamos lá.

Todas as consultas do pré-natal seguem exatamente o formato que está no roteiro que eu descrevi no post anterior ou seja, nem mais nem menos. Por exemplo, se está escrito que na semana 32 a enfermeira vai me pesar, então ela vai fazer isso, e como na consulta da semana 35 não está marcado a minha pesagem, então, mesmo que eu esteja enorme de gorda, ela não vai me pesar e provavelmente nem comentar do meu peso.

Não existe liberdade para que a minha enfermeira me observe individualmente e faça um plano específico para mim. A sua função é controlar se tudo está caminhando na normalidade. Se alguma coisa estiver fora do padrão, então ela me manda ao médico. Até aí tudo bem, eu compreendo.

A minha decepção está na falta de conhecimento em técnicas alternativas e naturais e informações relativas à saúde mental e física da gestante. Hoje em dia se sabe que entre as semanas 30 e 34 existe uma série de exercícios, acupuntura e massagem quiroprática que alinham a pelve e o corpo para o melhor posicionamento do bebê. Se eles olhassem o posicionamento do bebê antes da semana 35 teríamos mais chances de virá-los, sem ter que ir diretamente ao hospital fazer um ECV, onde aqui os sucessos nessa manobra são bem poucos. Com a informação adequada poderíamos mudar uma série de hábitos de sentar e dormir que facilitariam tanto o parto quanto a gestação. Mas a minha enfermeira, nunca me recomendou uma forma de dormir, nem sentar, nem exercícios específicos. Segundo ela não há nada que eu possa fazer que afete o posicionamento do bebê no útero (meu queixo cai quando eu escuto uma coisas dessas).

Em nenhum momento eu recebi informação sobre o que eu considero uma das coisas mais importantes para a saúde sexual, reprodutiva e excretora da mulher: os exercícios pélvicos e massagem perineal. Aqui na Suécia todo mundo é RASGADO quando pari. Rasgam feio! Não vem falar para mim que é 50% que tem um rasgadinho aqui e ali. Leia o blog de todas as brasileiras, das suecas e os assista aos programas da TV que você vai ver o número de mulheres que não conseguem segurar o xixi depois que tem filhos e do tanto que rasgam durante o parto. Eu atribuo essa taxa tão alta devido à falta de conhecimento das mulheres. Se eu não fosse viciada em youtube e blog como sou, dificilmente saberia dessa massagem perineal, uma pena que comecei só agora e mesmo assim, nada me garante que eu não vou rasgar toda, espero ter o apoio adequando no grande dia.

Para finalizar a minha crítica, o encontro de pais foi a coisa mais ridícula da qual eu participei durante toda a gravidez. Foi falado sobre as atividades com as crianças depois que nascem. Perguntaram o que é família para nós. Nos foi alertado sobre álcool e drogas. E por último, finalmente uma informação válida, fomos informados dos procedimentos do parto no hospital. Também nos foi falado sobre amamentação, mas quem se lembra das informações sendo que eu vi o vídeo há dois meses?

Na Suécia custa caro parir em casa, acho que só em Stockholm que existe esse tipo de serviço. Se fossem os homens que parissem, provavelmente parir em casa seria a regra e não a exceção.

As mulheres lutam aqui pelo direito de escolher uma cesariana. Muitas ficam tão traumatizadas com o primeiro parto, que nunca mais querem ter filhos de parto normal. Existem histórias horríveis e histórias interessantes. As mulheres suecas não lêem nada além dos fóruns. Não sabem quem é Leboyer, Ina May, Hypnobirthing. Elas assumem que parto é algo instintivo. Já cansei de ouvir isso: “-Não li nada porque confio nos meus instintos!” Correr é instinto, mas nem por isso vc vai correr uma maratona sem treinar. Vai cair dura e estatelada na metade da corrida. E assim é o parto. A gente nunca está totalmente preparado, ainda mais na primeira gravidez que a gente não faz a menor idéia do que esperar.

As norueguesas vieram com uma outra solução para acabar com a rasgação de pererecas: “-Vamos ter bebês magros!” As celebridades norueguesas vieram com a idéia de fazer dieta na gravidez e malhar muito para que o bebê nasça com menos de 3 kg. Agora é status por lá ter um bebê pequeno. As barnmorskas suecas (muito entendidas claro) cairam matando na nova moda norueguesa, alertando todos os problemas quando se tem um bebê muito magro, além do que dizem que não necessariamente o parto será mais fácil.

Enfim, se houvesse mais disseminação sobre os fundamentos de um parto natural, sem violência, sobre a saúde dos órgãos reprodutores teríamos partos melhores por aqui. Minha opinião é que só porque a quantidade de cesáreas é baixa, não quer dizer que as mulheres saem felizes e satisfeitas de seus partos. Pelo contrário, a depressão pós parto aqui é bem alta e também a depressão durante a gravidez. A Suécia tem que trabalhar muito ainda para oferecer o pré-natal digno para nós mulheres.