Doulas na Suécia

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Sexta-feira, semana 40+3!

Ontem foi dia de Spa, hoje é dia de doula.

Encontrei uma doula aqui do lado de casa! Só existem duas doulas na região de Kalmar, pelo que pude ver no site doula.nu. Lá encontrei a Anna Lundqvist que trabalha com terapias alternativas, programação neurolinguística e massagem para grávidas: www.adanna.se.

Liguei para ela hoje de manhã, ela atendeu logo de cara, expliquei minha situação que gostaria de um tratamento de massagem ou acupressão para começar a induzir o parto naturalmente, porque eu estou na semana 40+3, focando num parto natural e não quero arriscar chegar na semana 42 e ter que induzir artificialmente com drogas. Então porque não ir começando a tentar umas massagens mais especificas para o parto.

Ela concordou, me deu uma sugestão e combinamos um tratamento de uma hora e meia, com uma massagem que estimula a liberação dos hormônios com uma pausa para caminhada. Disse que se o bebê estiver pronto e meu colo do útero já maduro pode ser que minhas contrações não demore muito a aparecer, caso contrário vou ter que esperar um pouco mais.

Vai ser uma experiência interessante!

Meu corpo está mais inchado desde ontem, tenho tido uma cólica leve e constante. Mas nenhum aumento de corrimento, nem tampão mucoso, nem nada. Ou seja, difícil saber se meu corpo está pronto. O bebê continua bem ativo, com as mexidas bem diferentes de antes, agora ele estica a perna e eu sinto a cabeça dele lá embaixo, a barriga toda mexe, em vez de ser localizado numa única parte.

Bom, eu volto para contar sobre a doula sueca!

Update 31/01: acupressão dói. Ela foca especificamente no pé, nos pontos referentes ao útero e ao colo do útero e para liberação dos hormônios do parto e redução dos hormônios de stress. Disse que pelo que ela sentiu as contrações ainda não viriam a noite, pois segundo os meus músculos do pé ainda estavam duros, o que representa o colo do útero ainda não amadurecido. Mas que as pressões de qualquer forma estimulariam. Enfim, coincidência ou não, acordei a noite com dor e contração. Isso nunca tinha acontecido antes, olhei no relógio e esperei para ver se viria outra dor, mas não veio. Mas enfim, acrdito que já é resultado da acupressão.

Contagem regressiva

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O TEMPO PASSA VOANDO

Dia 16 de junho de 2014, quando eu estava na semana 8 ou 9 tive a minha primeira consulta com a Marie, a minha enfermeira obstetra. A primeira coisa que ela me perguntou foi o último dia da minha menstruação e disse, “-então vamos ver para quando será esse bebê?” E girou um calendário circular e logo já respondeu: “-Hummm, esse bebê é para 25 de janeiro”.

Na minha cabeça eu pensava: “-meu deus, a sementinha mal se implantou no meu útero e essa mulher já quer saber quando o bebê vai sair daqui de dentro! Vamos com calma Marie!”

YOUTUBE

Naquela época eu mal conseguia assistir a um vídeo de parto. Achava horroroso! Porque alguém colocaria um vídeo seu publicamente no youtube, com os peitões de fora, cara de sofrimento e uma cabecinha cabeluda e gosmenta saindo pela perereca? Minha própria irmã fez isso e eu não entendia porque as mulheres estavam se expondo tanto num momento tão íntimo.

GRAVIDEZ SE TORNANDO REALIDADE

Bom, a minha barriga foi crescendo, fiz a primeira ultra, o bebê foi se tornando mais real, começaram as borbulhas na minha barriga, e eu folheava o livro que a barnmorska me deu: “-É, um dia esse bebê vai ter que sair daqui de um jeito ou de outro”, pensava eu. Mas como?

ESTUDOS

Pesquisei sobre as diferenças de parto, a violência obstétrica no Brasil, conversei com as mulheres daqui, com as mulheres do Brasil, a minha irmã me abria os olhos e me enviava vídeos e links. E li muito!

CONTAGEM REGRESSIVA

Hoje, faltando apenas 5 semanas para a data prevista do meu parto, mais estudada e totalmente agradecida pelas mulheres que postaram sua intimidade no youtube, eu decidi que quero um parto natural, daqueles sem drogas, sem anestesia, apenas com técnicas de relaxamento e respiração. Hoje, eu finalmente completei meu plano de parto.

MÉTODOS DE ANESTESIA

Através da minha leitura e das conversas com as meninas eu percebi que a epidural pode ser tanto a sua melhor amiga quanto a sua pior inimiga durante o parto normal. Eu conheço 5 histórias de parto com epidural na Suécia que deixaram sequelas como: trauma de parto, exaustão, cesariana, episiotomia e sucção do bebê.

O uso do gás também me assusta, pois muita gente fica nauseada, vomita e “fica fora de si” na hora em que eu acredito que requer mais o nosso foco. Todas as pessoas que eu conheço aqui usaram o gás do riso (óxido nitroso) e todas acham que ele ajudou muito. Mas (pode ser que eu pague a língua) eu acho que elas menosprezaram a própria força e capacidade de encarar e se entregar às contrações.

PARTO MEDICADO X PARTO NATURAL

Eu vou colocar aqui dois exemplos, um parto na Suécia, onde a menina se entope de gás, grita muito e ela mesma escreve que perde o controle. O segundo é um exemplo de um parto natural, dolorido, mas a parturiente mantém o controle e a calma o tempo todo:

NEM TUDO É DO JEITO QUE A GENTE QUER

É claro que eu tenho consciência de que nem tudo pode acontecer da forma que eu desejo e que a gente tem que aceitar o parto que a gente receber. Eu sei que Fábio e eu somos marinheiros de primeira viagem, estamos sozinhos aqui, não temos doula, nem sabemos quem será a enfermeira que vai me atender, para ser sincera a gente nunca entrou na sala de parto. Ainda nem vi se meu bebê já está de cabeça para baixo, na posição certa de nascer. Mas a minha parte eu fiz. Li, estudei, treinei, me alimentei bem, fiz muita yoga, pilates e dança do ventre. Ainda quero treinar mais, quero terminar a leitura do Hypnobirthing e testar o CD de relaxamento, por isso bebê amado, não venha antes a da hora.

MEDOS

Eu sempre tive medo de morrer no parto. Acho que esse medo foi passado para mim pela minha mãe, pois ela me contou que não estava preparada para a dor do parto e ela achou que fosse morrer. Acho que no fundo todas as mulheres tem esse medo, mas os medos são ilusões mentais e a gente não pode se entregar.

PAGAR A LÍNGUA
Nessa vida a gente pode escolher viver anestesiada ou sentir tudo! Eu escolho sentir tudo! E, mais uma vez, pode ser que eu pague a minha língua, mas vou arriscar!