A teoria de tudo

cegonha

Semana 40+4: Não posso beber, nem viajar, então que tal um cineminha?

Quando assisti ao trailer do filme “A teoria de tudo” com a premiere 30 de janeiro nos cinemas em Kalmar, logo pensei: “é vou ter que esperar sair em DVD”, mas por incrível que pareça ainda estou grávida, então vou lá hoje “cry my ass out”! Sabe lá Deus quando vou poder ir ao cinema novamente.

Apesar dessas últimas 3 semanas terem me servido como uma forma de transição entre meu trabalho e a maternidade, onde aquela energia frenética de horários e responsabilidades foi transformada numa energia mais familiar, caseira e em contato com a natureza, hoje eu acordei com a cabeça no futuro: qual será o foco esse ano? Vai demorar muito para a gente viajar? Quando eu vou poder me exercitar e voltar a competir? Vou conseguir finalmente fazer meu curso de instrutora de yoga na Ásia? Melhor ainda, vou conseguir fazer isso tudo, pendurando meu filhote no sling e indo à luta?

Mas eu tinha que aceitar que ainda estou sem nenhuma contração, nem tampão, nem sinal de parto! Por que essa demora? Se eu estivesse vivendo no Brasil já estariam querendo tirar meu bebê à força. Sou grata, mais uma vez por estar aqui e ter a oportunidade de ir deixando as coisas correrem como manda a mãe natureza.

Eu sei que vivi as últimas 3 semanas sem planejar nada. Apenas estudando e me preparando para o parto, mas hoje tive uma crise de ansiedade! Afinal eu sou humana!

Depois que voltei ao normal, me lembrei que primeiro, antes de qualquer plano, quero conhecer quem será esse professor que vai me acompanhar nessa vida. E eu disse isso mesmo: PROFESSOR! Quem acha que filhos são objetos de posse e ostentação, se engana redondamente. Os filhos são nossos professores! Tem que encarar dessa forma, não tem jeito. E meu filhote já está me ensinando: viver o presente, o dia após dia, pois tudo tem seu tempo e não adianta esperniar. Não adianta fazer planos, nem berrar!

Saber ou não o sexo do bebê

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Quando nós descobrimos que eu estava grávida, logo de cara decidimos que a gente só iria querer saber o sexo do bebê no dia que ele nascesse. A gente queria se conectar com esse serzinho de uma forma mais espiritual, abrindo nosso coração, sem deixar que a mente e a razão tomasse conta da gente.

Na minha opinião, o descobrimento do sexo antes da hora é mais uma forma da gente tentar manter o controle e tirar o foco da gravidez em si. Pelo que eu vejo, quando as pessoas já sabem o sexo, elas já começam a preparar o quarto de tal cor, de comprar roupas de certo jeito, e aí o foco espiritual dá espaço para o material.

Aqui na Suécia é bastante comum não saber o sexo, mas no Brasil, as pessoas, e com isso eu quero dizer a minha mãe, fazem um drama! Minha mãe não consegue entender porque eu não vejo logo o sexo e já escolho o nome de uma vez. Assim ela sabe o que vai trazer para o quarto do bebê, já manda bordar toalhas com o nome, e por aí vai. Para a minha mãe, não saber o sexo só dá mais trabalho.

Mas essa é a forma que nós escolhemos para viver a gravidez que a gente encara como a fase de preparação para o nascimento. O parto é o primeiro rito de passagem do meu filho(a) e eu quero que seja uma momento dele(a), focado nele(a) e não apenas em mim ou ao que me convém. Neste momento, eu sou apenas um tunel que, enquanto ele(a) está passando por mim, estarei aqui nutrindo e protegendo ele(a) e quando for a hora dele(a) sair, quero fazer o possível para que ele(a) saia sem sofrimento, com saúde e felicidade de estar vindo conhecer a gente.

Quero aproveitar esse momento de transformação física e espiritual e ser grata pela oportunidade de estar vivenciando tudo isso. Por mais que a gente queira manter o controle das coisas, do mundo, das pessoas, parir é justamente se virar ao avesso e se entregar ao desconhecido!

Aqui segue mais um depoimento de outra mãe que escolheu não saber o sexo do bebê: