Segundo trimestre e planejamento de parto

Durante o primeiro trimestre, a parte mais delicada da gravidez onde os órgãos e membros do bebê estão se formando, tudo que a grávida mais pensa é que essa fase passe logo, para poder contar para os amigos, para a família e no trabalho. A gravidez ainda é quase que irreal, pois não sentimos que temos um bebê na barriga e também o corpo não mudou tanto.

No segundo trimestre, já nos sentimos melhor, menos enjôo, menos dores de cabeça, mais fome, mais disposição. O corpo muda, o bebê mexe e a gravidez já é uma realidade. É uma ótima fase para viajar, fazer compras (pois as roupas antigas já não cabem) e preparar as coisinhas do bebê. Nessa fase já fizemos pelo menos um ultrassom e temos uma certa noção de como o bebê está se desenvolvendo. Apesar de ainda faltarem 4-5 meses para o parto, é essa a hora ideal de começarmos a nos informar sobre o parto e a nos planejar. E informação é o que não falta hoje em dia! Ao contrário da época da minha mãe, onde todas as informações que ela teve vinham de forma oral, da mãe dela e dos vizinhos. Minha mãe diz que o único livro que ela comprou foi o famoso livro dos anos 70 e 80: Meu bebê. E que quando ela sentiu aquelas dores das contrações ela achou que fosse morrer.

Mas hoje em dia tudo mudou. Temos informações em excesso. A gente sabe dos tipos de parto, das vantagens e desvantagens de cada um, e o mais importante acho que a humanidade vem descobrindo uma outra forma de nascer e das consequências de um bom parto na vida de um ser humano. Eu fico um pouco surpresa às vezes, quando fico sabendo de algumas escolhas das minhas colegas e alguns familiares no Brasil, já que são pessoas informadas, de classe média e com alto nível de educação. Mas cada um tem o parto que merece! Cada um se prepara para o tipo de parto que vai conseguir ter.

Aqui na Suécia, como eu já disse antes, o parto padrão é o normal, onde a mulher vai para o hospital quando já estiver com contrações regulares e chegando lá quem estiver de plantão é que irá atendê-la. Caso algo dê errado, ou a mulher tenha algum problema, aí então chamam o médico e fazem uma cesária.

Mas apesar de toda essa “normalidade” do parto na Suécia, acredito que as mulheres daqui também não conhecem todo o seu poder feminino-animal para terem um parto mais natural ainda. Vi alguns vídeos no youtube e achei que elas usam muito a epidural e aquele gaz que tira a mulher da “realidade” por alguns segundos.

Eu tenho lido muitas coisas sobre o parto, e já que eu trabalho há tempos com o corpo feminino, espero realmente, que essa minha consciência corporal me ajude a ter um parto 100% consicente, prazeroso e porque não, orgásmico.

Eu separei uma série de vídeos informativos e motivadores para nós mulheres do século 21, entre tantos outros vídeos, encontrei essa brasileira que vive na Australia com uma forma muito bonita de pensar e que bate muito com a forma que eu vejo a gestação e o parto.

E a maior surpresa foi ter encontrado esse vídeo: “Parto orgásmico, o segredo mais bem guardado”. Uau! Que ótimo ter encontrado algo assim, isso muda tudo, toda a forma que a gente via o parto, toda a forma que a gente via a mulher e o papel da sexualidade no ser humano.

Enfim meninas! Era isso! Boa gravidez e orgasmo no parto! Beijão!

Doula, parto e ajuda pós parto

crazy-woman

Depois que fiquei grávida eu comecei a questionar não só a sociedade, mas as pessoas à minha volta, mais especificamente as mulheres, e eu me inspirei e criei uma nova tag para o blog: pagar a língua. Talvez eu pague a minha língua e todo mundo vai rir de mim dizendo: hahaha eu te avisei!. Bom, eu vou explicar.

Uma das minhas amigas do Brasil me escreveu: ai Micha estou tão feliz por você, que esse filho(a) lhe traga muitas felicidades e que aproxime você e o Fábio ainda mais.

Hummm… eu pensei, desde quando filho aproxima casal? Que eu saiba o número de separação aumenta, depois do primeiro filho e triplica depois do segundo. Sem contar o sexo, que se já ia mal antes, praticamente desaparece depois dos filhos. As mulheres ficam gordas, entram em depressão e de licença saúde.

Mas enfim, agradeci e pensei… é tomara!

Continuei explicando o sistema sueco, e ela me disse, porque você não contrata uma doula? Pra quê? Repliquei eu! Ué, ela vai te ajudar a ficar mais calma, relaxar e te dar força, fazer você acreditar em você!

Hummm, ela vai parir por mim também? eu pensei!

Continuamos:

amiga: E aí sua mãe vai pra Suécia te ajudar depois que o bebê nascer?
eu: Não, de jeito nenhum! Não quero ninguém aqui pelo menos durante os primeiros três meses!
amiga: Nossa você é louca Michelle!
eu: Ah quero me acostumar com meu bebê, cheirar ele, lamber ele, ficar descabelada pela casa, sem me preocupar com mais ninguém.
amiga: Menina, você não tem noção do trabalho que um bebê dá. Você vai precisar de alguém pra fazer comida, arrumar a casa, etc. Você vai precisar de alguém com mais experiência pra te ajudar nas emergências. Você vai precisar dormir.

Humm, então eu preciso de alguém pra me ajudar a parir, de alguém pra me ensinar a dar de mamar, de alguém pra fazer comida pra mim… resumindo, depois que eu parir vou ficar imprestável. Uma vaca estatelada na cama dando leite pro recém nascido.

E o doador do esperma fica aonde nessa história toda? Aonde está o pai da criança gente? O famoso que enviou a sementinha? Se a grávida tem alguma relação com o pai, ele deve estar junto em tudo. É um trabalho de parceria. Não é só a mãe que pari, mas o pai também. Porque nós brasileiras colocamos os homens como mais uma criança para ser cuidada no lar? Por que a gente tem que chamar a nossa mãe, a nossa irmã ou sei lá mais quem? Será que não está na hora de mudar essa história? De começar a delegar responsabilidades aos homens?

A última para terminar:
eu: Amiga venha pra cá me visitar ano que vem, deixa a cria aí com o pai e venha. Vamos viajar pela Europa, vamos à Paris, à Mônaco, à Marseille, à Roma! Comer comida fina e beber champagne!
amiga: quem sou eu, se eu viajar sozinha todo mundo morre aqui em casa! Você vai ver depois do seu bebê nascer, quero só ouvir você falando isso novamente.

Tive um flashback! Minha amiga repetiu as mesmas palavras que a minha mãe falava na minha infância! Não posso viajar senão todo mundo morre nessa casa!

Amigas virtuais, vou falar uma coisa, ninguém vai morrer se você viajar, nem se você morrer. Deixe de ser o centro do universo! Ninguém é insubstituível, nem mesmo a mãe. Livre-se desse peso. Livre-se de carregar o mundo nas suas costas. Livre-se de equilibrar mil coisas na sua cabeça. Cuide da sua saúde, de você, de ser feliz. Empodere-se. Seja da sua cabeça e da sua (ainda que limitada) liberdade. Ser mãe é apenas uma parte da sua vida. Não esqueca da sua essência!

E talvez… talvez lá pra frente eu pague a língua!