A vida de mãe – o que mudou?

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Há 7 meses estava eu aqui mesmo, escrevendo sobre parto, tirando selfies da barriga, de saco cheio de esperar essa pessoinha que eu não tinha a menor idéia de quem seria. Até que para minha surpresa ela veio: “Maya, a menina que ilumina toda vez que a gente vê, ainda tenho muito que aprender com você!

O que mudou desde que ela chegou? E a resposta é: TUDO!

Apesar de continuar fazendo as mesmas coisas que antes, trabalhar, dançar, arrumar casa, fazer comida, passear etc, mesmo assim tudo mudou! O foco da minha vida mudou. Ter uma pessoinha 100% dependente da gente nos ensina muita coisa, principalmente a priorizar nosso tempo.

Ter um filho(a) sem sombra de dúvida desperta o melhor em nós. Compaixão, amor ao próximo e a desenvolver capacidade de se colocar no lugar do outro. Pelo menos tem sido assim comigo.

Não vou negar que é muito cansativo também, ficar num estado de alerta constantemente para o bem estar do bebê dá um cansaço fora do comum, provavelmente nunca estive tão cansada na minha vida como agora. A beleza feminina também diminui, corpo flácido, não dá pra usar um brinco comprido, um colarzão, nem mesmo anéis, nem deixar a unha crescer, e quando a gente consegue fazer uma depilação comemora de felicidade! Mas é esse o preço que se paga para viver o amor sublime da maternidade!

Amamentação é obrigação?

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Ser mulher no Brasil não é fácil. Talvez seja o país mais difícil de ser mulher no mundo. As cobranças em relação às mulheres pioram depois que elas viram mãe: parto normal ou cesária, amamentação ou fórmula, engordar e emagrecer, trabalhar ou ficar em casa e por aí vai…

Não é à toa que tantas mulheres piram depois que o bebê nasce! Não é incomum que as minhas amigas do Brasil reajam quando digo que minha mãe não está aqui comigo, pois elas acham que estou sozinha. Eu digo, não o pai do bebê está aqui. Ou seja, para as brasileiras, o pai estando junto ou não, não faz diferença, pois elas precisam de uma ajuda feminina, de preferência materna.

Através do site do babycenter percebo que o primeiro problema pós-parto começa com a amamentação. A mulher já fica estressada por não conseguir amamentar de primeira, porque afinal é natural e é obrigação! Será?

Aqui na Suécia essa pressão de amamentação não existe. Eles deixam bem claro todos os benefícios da amamentação durante o pré-natal, instruem os pais a não fumar e não beber durante o período de amamentação, diz que OMS recomenda amamentação exclusiva por 6 meses, enfim e fala pra gente pensar sobre o assunto. A decisão de amamentar é exclusiva da mãe. Um dia, na semana 32, a minha barnmorska me perguntou: e aí, você já refletiu sobre a amamentação? Eu disse sim, comprei até uma almofada! Ela riu!

Mas sabe o que é, a Suécia é um país feminista, onde as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, por isso elas podem escolher. Num país machista, a mulher vai amamentar, porque afinal, ela é mulher.

Enquanto a moda agora é amamentar por mais tempo possível, os sites de maternidade brasileiros ficam enxendo o saco e batendo nessa tecla o tempo inteiro quase que afirmando que uma boa mãe é aquela que amamenta, inclusive vi um site de uma prefeitura com o título: Amamentação: obrigação da mãe e direito da criança! Que absurdo! Livre demanda, amamentar até 2 anos, sair com a criança pendurada no peito ao meu ver é blá-blá-blá de mãe xiita!

Quero deixar claro aqui, para quem sente culpa por não amamentar, seja porque não quer ou porque não consegue. Você não vai ser uma mãe melhor ou pior pelo fato de amamentar. A mãe que pensa isso, já não é uma boa mãe na minha opinião! Amamentação é uma OPÇÃO! Existem sim, muitos benefícios da amamentação nos primeiros 6 meses de vida, mas amamentar NÃO é sua obrigação! Lembre-se disso, porque não serão muitos sites brasileiros que vão concordar com o que eu estou dizendo!

Não se sinta culpada por suas escolhas! Você será uma mãe muito melhor se estiver feliz e satisfeita consigo mesma. E principalmente com suas escolhas conscientes, pensadas e maduras.

Saber ou não o sexo do bebê

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Quando nós descobrimos que eu estava grávida, logo de cara decidimos que a gente só iria querer saber o sexo do bebê no dia que ele nascesse. A gente queria se conectar com esse serzinho de uma forma mais espiritual, abrindo nosso coração, sem deixar que a mente e a razão tomasse conta da gente.

Na minha opinião, o descobrimento do sexo antes da hora é mais uma forma da gente tentar manter o controle e tirar o foco da gravidez em si. Pelo que eu vejo, quando as pessoas já sabem o sexo, elas já começam a preparar o quarto de tal cor, de comprar roupas de certo jeito, e aí o foco espiritual dá espaço para o material.

Aqui na Suécia é bastante comum não saber o sexo, mas no Brasil, as pessoas, e com isso eu quero dizer a minha mãe, fazem um drama! Minha mãe não consegue entender porque eu não vejo logo o sexo e já escolho o nome de uma vez. Assim ela sabe o que vai trazer para o quarto do bebê, já manda bordar toalhas com o nome, e por aí vai. Para a minha mãe, não saber o sexo só dá mais trabalho.

Mas essa é a forma que nós escolhemos para viver a gravidez que a gente encara como a fase de preparação para o nascimento. O parto é o primeiro rito de passagem do meu filho(a) e eu quero que seja uma momento dele(a), focado nele(a) e não apenas em mim ou ao que me convém. Neste momento, eu sou apenas um tunel que, enquanto ele(a) está passando por mim, estarei aqui nutrindo e protegendo ele(a) e quando for a hora dele(a) sair, quero fazer o possível para que ele(a) saia sem sofrimento, com saúde e felicidade de estar vindo conhecer a gente.

Quero aproveitar esse momento de transformação física e espiritual e ser grata pela oportunidade de estar vivenciando tudo isso. Por mais que a gente queira manter o controle das coisas, do mundo, das pessoas, parir é justamente se virar ao avesso e se entregar ao desconhecido!

Aqui segue mais um depoimento de outra mãe que escolheu não saber o sexo do bebê: