A vida de mãe – o que mudou?

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Há 7 meses estava eu aqui mesmo, escrevendo sobre parto, tirando selfies da barriga, de saco cheio de esperar essa pessoinha que eu não tinha a menor idéia de quem seria. Até que para minha surpresa ela veio: “Maya, a menina que ilumina toda vez que a gente vê, ainda tenho muito que aprender com você!

O que mudou desde que ela chegou? E a resposta é: TUDO!

Apesar de continuar fazendo as mesmas coisas que antes, trabalhar, dançar, arrumar casa, fazer comida, passear etc, mesmo assim tudo mudou! O foco da minha vida mudou. Ter uma pessoinha 100% dependente da gente nos ensina muita coisa, principalmente a priorizar nosso tempo.

Ter um filho(a) sem sombra de dúvida desperta o melhor em nós. Compaixão, amor ao próximo e a desenvolver capacidade de se colocar no lugar do outro. Pelo menos tem sido assim comigo.

Não vou negar que é muito cansativo também, ficar num estado de alerta constantemente para o bem estar do bebê dá um cansaço fora do comum, provavelmente nunca estive tão cansada na minha vida como agora. A beleza feminina também diminui, corpo flácido, não dá pra usar um brinco comprido, um colarzão, nem mesmo anéis, nem deixar a unha crescer, e quando a gente consegue fazer uma depilação comemora de felicidade! Mas é esse o preço que se paga para viver o amor sublime da maternidade!

Morar no Brasil sim ou não?

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Um outro dia me deparei com esse post http://tudosobreminhamae.com/maes-fora-do-brasil/2015/5/21/a-tristeza-que-d-sentir-alvio-em-no-morar-no-brasil que alguém compartilhou no facebook.

Pelo que eu entendi a autora é uma moça carioca morando na Alemanha há 10 anos foi pra lá com um namorado, mas que nunca virou a cara para o Brasil e vinda de uma família classe média, sempre adorou o Rio. Tinha uma certa nolstalgia de voltar a viver lá, mas aparentemente depois de um assassinato de um cara na lagoa ela desistiu.

Bom, eu vivo na Suécia há cerca de 10 anos e em 2005 eu já não tinha esperanças. Ganhava 4,20 reais a hora/aula e entre 50 e 100 reais para dançar num restaurante das 9 da noite às 1 da manhã. Eu costumava pegar o ônibus 131 no ponto na frente do meu prédio e depois de esperar por mais de 20 minutos, passavam dois ônibus que não paravam. Quando resolvia ir de carro, tinha que aturar desaforo de flanelinhas (bandidos disfarçados), onde eu tinha que pagar para proteger o carro deles mesmos. Enfim, naquela época infelizmente, já existia violência, especialmente no Rio de Janeiro, é só pesquisar no google. E agora um assassinato na lagoa é motivo para as pessoas não quererem mais voltar ao Brasil?

Hummm… O Brasil está passando por mudanças. Está acontecendo um certo êxodo para a Europa, talvez o maior de todos os tempos, e as pessoas acham que é a política do PT, que é isso ou aquilo. Mas não é. Nós estamos fugindo de nós mesmos. Da lambança e confusão que é o Brasil. Da falta de seriedade em todos os cantos e da corrupção em todos os setores, não só na política.

Mas eu ando lendo muita coisa que vai despertando a esperança. Os brasileiros estão amadurecendo. A classe média ainda está com medo de ter que limpar o próprio banheiro e os médicos ainda estão com medo de ter que parar de fazer cesárea antes do natal, o salário ainda é baixo, mas a sociedade está mudando. Mudanças não acontecem do dia para a noite.

Não quero que Maya cresça aqui dentro da bolha, sem saber o que é a vida real, sem saber o que é ralação de verdade. Sem saber que tem muita gente que trabalha de dia para pagar os estudos da noite. Mas acho sim que ela tem sorte de ter nascido aqui e mais sorte ainda de ter a possibilidade de ver dois “mundos” tão diferentes.

Tenho muita saudade da minha família, dos amigos, da água de côco e do caldo de cana. Da informalidade. Se um dia eu volto ainda é difícil saber. Mas quem sabe eu não desenvolva projetos no Brasil? Montar um ONG para ensinar crianças a programamar? a dançar? adotar uma criança? Quem sabe?

Batizado na Suécia

Faz um mês que Maya foi batizada. Foi uma cerimônia e uma festa linda!

Eu perticularmente gosto muito da igreja sueca. A cerimônia se parece bastante com a da igreja católica, mas a igreja sueca é mais leve, mais aberta e mais moderna na minha opinião. Além disso eles têm muitos programas legais e eu queria muito que Maya fosse batizada lá.

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Maya estava reluzente no dia. Não chorou, ia com todo mundo e estava, modéstia a parte, muito linda!

Apesar de eu não ser religiosa no sentido literal da palavra, eu sou uma pessoa muito espiritual. Já li diversas filosofias, participei de alguns retiros espirituais e passei boa parte da minha infância ajudando na igreja católica da cidadezinha onde eu nasci quando eu ainda me vestia de anjo e participava da coroação de Nossa Senhora.

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Às vezes eu me afasto do caminho espiritual, às vezes volto com força total porque sempre me aparece algum chamado lá de cima, ou alguma circunstância da vida que me faz voltar ao centro e ver que a vida é um aprendizado e que existem coisas muito maiores e mais sagradas do que o meu próprio umbigo.

Muitas pessoas me questionaram porque eu não deixei a minha filha escolher a religião que ela quiser. Mas como mãe, considero que eu tenho a obrigação de mostrar pelo menos um caminho espiritual. E o batizado é o caminho que eu conheço, porque foi assim comigo. Pode ser que a igreja sueca não supra as necessidades espirituais da minha filha no futuro e que ela venha a buscar outras filosofias, ou mesmo que não se interesse por espiritualidade, mas pelo menos eu fiz a minha parte.

Para agendar o batizado foi bem simples e a festa foi feita no salão da própria igreja de graça. Convidei 4 madrinhas: Minha mãe, minha amiga Maria, minha irmã e a cunhada do Fábio. Cada madrinha ganhou um certificado e Maya ganhou também um comprovante de batismo, uma vela e um livro de músicas. Os padrinhos/madrinhas não precisam estar presentes na cerimônia nem festa.

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Minha alunas dançaram inclusive uma menininha, e eu fiquei muito grata pelo padre e pelo pessoal da igreja permitir a apresentação das meninas lá.

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Minha mãe esteve aqui e me ajudou a fazer as decorações, os muffins e as lembranças. Minha amiga Maria e madrinha da Maya me ajudou a fazer os convites e os cupcakes, minha amiga Sandra foi a fotógrafa e minha Amiga Ana Emília, Maria e minha mãe me ajudaram durante a festa a servir os convidados. E a mãe de uma aluna ajudou a encher os balões. Enfim, o que seria de mim sem os amigos.

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Tudo ficou muito lindo, delicioso e tivemos 45 convidados! Fazer festa dá trabalho, eu estava muito cansada, mas valeu a pena.

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Brindes para grávidas na Suécia

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Algumas lojas e farmácias aqui na Suécia fornecem um “Baby Box grátis” que é uma caixa com amostras de alguns produtos para a mamãe e o bebê.

Tudo o que a gente tem que fazer é preencher um formulário no site, anotar o código e ir buscar na loja:

https://www.babybox.se/?partner=Hejbaby1

http://babytobe.se/

Além disso a gente pode também se cadastrar no site da Pampers e da Libero que eles enviam fraldas e mais alguns brindes direto para o hospital. Por isso nem preciso levar fraldas para a maternidade.

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Baby box – Apoteks gruppen:
1 gorrinho para o Bebê
1 livro sobre gravidez e recém nascido
2 revistas sobre crição de filhos
1 amostra de óleo de bebê de calêndola
1 remédio de gases para bebê
1 frasco de vitaminas efervercentes
1 frasco de vitaminas em pílulas
Diversos panfletos de desconto

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Baby box – Lloyds Apoteket:
1 frasco pacote de vitaminas
2 amostras de produtos para dores nos mamilos
1 amostra de produto para passar na gengiva do bebê
1 chupeta
1 amostra de produto de lavar roupas
Diversos panfletos de desconto

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Baby box – Babyproffsen:
1 babador da trygghansa
1 fralda Pampers
1 chupeta
1 absorvente de leito de peito para colocar no sutiã
1 amostra de produto de lavar roupas
Diversos panfletos de desconto

Como funciona a licença maternidade na Suécia

MATERNIDADE

1) Qual a duração da licença maternidade na Suécia?
480 dias no total, 60 dias são do pai e os outros 60 da mãe, os restantes 360 dias podem ser divididos entre o pai e a mãe.

2) Quando a mãe pode entrar de licença?
Até 60 dias antes do parto.

3) Você recebe o salário integral?
Não, você consegue receber no máximo 80% do seu salário.

4) Como os dias de licença podem ser usados?
Da maneira como quiser, inclusive os dias podem ser guardados para ir usando aos poucos até a criança completar 8 anos. O pai pode ficar de licença de manhã e a mãe a tarde, por exemplo. Ou o pai pode trabalhar dois dias na semana e a mãe três dias.

5) Como fica o salário?
Exemplo de um salário de 28000 coroas mensais (cerca de 9.500 reais).

28.000 x 12 meses = 336.000 por ano (114.919 reais)
336.000 x 0,97 (índice utilizado aqui) = 325.920 coroas (111.472 reais)
325.920 / 365 dias = 892 coroas (305 reais)
892 x 0,80 = 714,34 coroas por dia (244 reais)

714,34 x 30 = 21.430 coroas por mês (7.329 reais)
714,34 x 20 = 14.280 coroas por mês (4.884 reais)

Ou seja, uma pessoa que recebe 28 mil coroas (9.500 reais) mensais, receberá no máximo 21.430 coroas (7.329 reais) durante um período de 30 dias de licença ou 14.280 coroas (4.884 reais) durante um período de 20 dias.

6) Por que tirar 20 dias e não 30 dias de licença por mês?
O ideal é tentar extender a licença o máximo possível, então muitos pais preferem não ser pagos pelos fins de semana. Ou seja, se um mês tem cerca de 4 semanas com 5 dias úteis, é preferível receber pelos 5 dias úteis pois assim os pais conseguem guardar 8 dias por mês, por exemplo. Mas obviamente se ganha menos dinheiro durante o mês. Então você tem que pesar o que prefere, ficar mais tempo com o filho ou ganhar mais dinheiro.

Quer saber mais sobre a licença maternidade em outros países, clique aqui.

Como requerer a licença:
Todos os procedimentos são feitos via correio, SMS ou através do site do försäkringskassan.

1) Atestado de gravidez:
Aqui na Suécia, a ultrassonografia morfológica é feita entra as semanas 18 e 20. Após essa ultra, o enfermeiro/médico/técnico nos dá um atestado de gravidez contendo as informações da placenta e a possível data do parto.

2) Envio do atestado ao Försäkringskassan
Esse atestado deve ser enviado pelos correios ao Försäkringskassan (que é como se fosse um departamento de seguro desemprego/saúde do governo).

3) Atestado do empregador:
O Försäkringskassan te envia um formulário que deve ser preenchido pelo seu empregador. Nesse formulário o empregador deve atestar quantas horas você trabalha por semana e quanto é o seu salário anual. O empregador também pode preencher esse formulário diretamente online no site do försäkringskassan.

4) Confira os dados divulgados pelo seu empregador
Confira se a carga horária e o salário está corrreto e aprove ou não os dados enviados pelo empregador.

5) Selecione os dias que deseja ficar de licença:
Depois de todas as informações aceitas e inseridas no site, a gente já pode selecionar os dias que você quer receber o dinheiro da licença. A mãe pode pedir para ficar de folga até 60 dias antes da data do parto. Todos os procedimentos podem ser resolvidos online.

Informações Básicas:

Todos os pais na Suécia, biológicos e adotivos, homo ou heterossexuais (vou me referir como pai e mãe nesse texto, apesar das regras valerem para duas pessoas do mesmo sexo também) têm direito por lei de ficar em casa com cada filho até a criança completar um ano e meio, entretanto os pais recebem dinheiro por no máximo 480 dias.

Desses 480 dias pagos o pai deve usar 60 dias e a mãe 60 dias obrigatoriamente, ou seja esses dias não podem ser transferidos do pai para a mãe ou vice e versa. Os restantes 360 dias podem ser divididos entre os pais e usados da forma que quiser. Não é necessário usar um dia inteiro de licença, a gente pode tirar 25%, 50% ou 80%. O pai fica de licença de manhã e a mãe a tarde por exemplo. O pai e a mãe só podem ficar de licença juntos (nos mesmos dias, nas mesmas horas) por um período de 30 dias e apenas durante o primeiro ano da criança.

Não é necessário usar os 480 dias direto. Vc pode ir distribuindo esses dias até que seu filho(a) tenha 8 anos. Se a criança estiver doente e não puder ir à escola, temos também tem direito de ficar em casa cuidando da dela até os 12 anos de idade.

Se o casal tiver um segundo, terceiro filho ou mais, tem também o direito de acumular os dias de licença e ir usando para ficar com cada filho.

Como fica a situação financeira:

Ficar de licença não sai barato! O salário cai bastante e isso implica até mesmo a diminuição da aposentadoria no futuro. Porque aqui a gente não recebe o salário integral durante o período da licença. Para as mães que nunca trabalharam ou contribuiram para o imposto de renda, elas recebem um dinheiro mínimo por mês, que eu não faço idéia de quanto seja, mas é bem pouco.

Não é necessário ter cidadania sueca para receber o benefício. Apenas viver aqui legalmente e pagar os impostos te dá os mesmos direitos (e deveres) dos cidadãos. Cada criança recebe 1050 coroas por mês (cerca de 360 reais) até os 16 anos, como se fosse um bolsa família.

Desses 480 dias de licença, cerca de 360 dias são pagos com no máximo 80% do salário e os últimos 90 dias da licença são conhecidos como nível baixo e a gente recebe no máximo 180 coroas por dia (cerca de 61 reais).

Não é o empregador que paga a sua licença, mas sim o försäkringskassan (o seguro estatal que nos confere a possibilidade de ter uma vida decente, mesmo durante alguma doença, maternidade ou desemprego, graças ao pagamento de nossos impostos).

As mães solteiras ou famílias mais pobres recebem ajuda para pagar a moradia.

Curso de pais na Suécia

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Aqui na Suécia, todos os pais de primeira viagem são convidados a participar de um encontro de pais (föräldraträff)que acontece durante o terceiro trimestre. São no total entre 3 a 6 encontros de uma a duas horas de duração.

No meu caso me ofereceram 4 encontros, eu estava viajando durante o primeiro encontro, mas eu soube mais tarde que as enfermeira mostraram um video de parto.

O segundo encontro eu estava presente, eles apresentaram os diversos trabalhos que ocorrem no meu Mödravårdscentral (posto de saúde de grávidas e bebês). Ajuda social, visita pós parto, e uma tal de open förskola tipo um babycafé onde os pais podem ir para fazer algumas atividades com os bebês, dar uma estimulada e ter algum contato social.

O terceiro encontro, Fábio e eu estávamos presentes. Quando acabou, Fábio olhou para minha cara e disse: – eu não volto aqui nunca mais. Eu ri! Primeiramente eles mostraram um video sobre amamentação, que eu achei muito útil e interessante, mas eles podiam facilmente enviar um link ou vender um DVD. Inclusive enfatizaram o papel do pai que é arrumar a casa e fazer comida para a mãe logo depois que o bebê nasce. Depois eles separaram os pais e as mães e cada grupo iria discutir sobre o que é família, etc etc. A enfermeira falou também sobre métodos anticoncepcionais e colocou um cd de relaxamento e todo mundo ficou em volta da mesa, sentado numa cadeira de escritório tentando relaxar. Basicamente foi uma das situações mais estúpidas que eu já vi na minha vida.

Por sorte o grupo das mulheres não ficou discutindo o que é família. Falamos sobre försäkringskassan (como receber o dinheiro da licença maternidade por exemplo) e sobre o parto. Apenas duas sabiam o sexo do bebê. E apenas uma talvez teria que fazer uma cesariana devido à placenta baixa.

Ninguém nunca ouviu falar em parto orgársmico. A maioria quer epidural e gás do riso. Basicamente, acho que pouca gente conhece Ina May, parto humanizado e Frederick Leboyer. Mais uma vez eu me senti um alien na Suécia!

O próximo encontro é no hospital. Nós vamos lá querendo ou não, para pelo menos saber onde é que eu vou parir.

Chá de bebê na Suécia

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Estou no finalzinho do segundo trimestre. 27a semana já. Sei que ainda está cedo para o chá de bebê, mas quis aproveitar que minha mãe está ainda de visita aqui para fazer logo. Fábio está viajando, mas eu tive que escolher entre ele ou minha mãe para estar presente na festa.

Foi tudo simples e pouca gente, pois chamei apenas os mais próximos. Minha mãe passou a semana inteira fazendo bolo e guirlanda de fraldas e lembrancinhas de toalha em forma de bala. Se ela não tivesse aqui eu provavelmente não teria feito nada, pois quando eu tenho tempo de sobra, quero mais é descansar, ler e dormir.

Seguiria no estilo sueco de ser: sem chá de bebê, sem enxoval antes do bebê nascer, tudo apenas agendado e reservado para depois do parto! Sem desperdícios ou exageiros, apenas o suficiente! Ou como os suecos dizem: Lagom

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Dia 30 de novembro eu encerro temporariamente as atividades com a dança por tempo ainda indeterminado. Tudo tem ido muito tranquilo, apesar de como eu disse antes, tenho trabalhado demais e gostaria realmente de ter dminuído o ritmo, mas não deu.

A única coisa que me deixa com a pulga atrás da orelha em relação a essa gravidez é que eu acho que meu bebê mexe muito pouco. Não em quantidade, mas mais especificamente em força. Eu não sinto os chutes na costela, nem acordo de noite com o bebê se mexendo, nem nunca vi o pé se esticando atraves da pele da barriga. Isso me preocupa, porque o bebê seria assim tão calmo? Será que tem algum problema nas pernas? Será que tem algum problema neuromotor? Eu rezo para que tudo esteja normal. Nenhum exame mostrou nenhuma anormalidade, então vou ter que continuar com essa preocupação assim provavelmente até o fim da gravidez. Queria saber se toda grávida é neurótica assim como eu!

Pré-natal na Suécia 25 semanas

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Parece que foi ontem que eu descobri que estava grávida! Os dias passam tão rápido, são tantas coisas pra fazer que mal tenho tempo de refletir em todas as mudanças que estão acontecendo na minha vida.

Hoje finalmente voltei à barnmorska (enfermeira obstetra), depois de três meses sem encontrá-la.

16-jun-14: Minha primeira visita do pré-natal.

01-jul-14: Segunda visita, exame de sangue e urina, pesagem.

16-jul-14: Ultrassom (TN) ou KUB-test em sueco (no hospital)

09-set-14: Ultrassom morfológico (no hospital)

17-okt-14: Barnmorska, exame de sangue, medição da barriga e ouvir o coração do bebê (hoje!)

Eu tenho me sentido basicamente muito bem, todos os exames deram bons resultados agora é só melhorar minha paciência, que parece ter diminuído nos ultimos meses. Gostaria de estar trabalhando menos, continuo dando aula de dança e às quinta-feiras trabalho cerca de 12 horas e na sexta 9 horas. Quando chega sábado estou exausta!

Começamos a decorar o quartinho do bebê. Ele já tem berço, trocador e baú de brinquedo (sem brinquedos ainda).

Animais de estimação na suécia

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Pets são as melhores coisas que alguém pode ter na vida. Um gato e/ou um cachorro fazem a vida de qualquer pessoa mais feliz e mais alegre. Agora que dá trabalho isso dá!

Aqui na Suécia os pets devem ter seguro saúde, pois o veterinário custa caro. O seguro paga uma porcentagem do preço da consulta ou tratamento acima de 1500kr. O seguro é pago anualmente e custa de 1200kr a 2000kr (cerca de 400 reais).

Os animais também são marcados com um chip, cada chip tem um número que fica mais fácil da polícia encontrar o dono, caso o animal se perca.

Devido ao frio e ao ambiente tranquilo, os cachorros são bem mais calmos e mais silenciosos do que no Brasil. O nosso praticamente não late. Nossos vizinhos tem 4 cachorros no apartamento deles e eu nunca escuto latidos.

Algumas pessoas deixam os gatos soltos, mas o nosso gato Astro não sai na rua sozinho. Nós cercamos o nosso jardim que tem cerca de 15 m2 e quando estamos em casa, deixamos a porta da sala aberta e ele fica lá quando quer.

Quando o nosso golden retriever Boris chegou aqui em março de 2013 nós fizemos vários cursos. De ativação, de obediência, de exposição. Até participamos de uma exposição. Foi a melhor coisa que a gente fez. Boris sabe fazer vários truques além de ser muito obediente e manso. Ele adora aprender coisas novas e é muito inteligente. Todo cachorro é, basta estimular. Além disso ele sai pra passear entre 3 a 4 vezes por dia.

Também levamos ele para nadar regularmente no verão. Aqui em Kalmar existem muitos bosques onde ele pode correr solto. Temos também praias reservadas exclusivamente para os cães nadarem.

Por lei os cachorros não podem ficar mais de 5 horas em casa sozinhos. Isso é considerado mau trato. Por isso Fábio vem do trabalho e dá uma volta com ele na hora do almoço.

Quando viajamos deixamos cada um em um pet-hotel e temos a certeza de serem bem tratados.

Casar ou morar junto

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Sabe aquele sonho de casar de branco, véu, grinalda e aquele buquê vermelho lindo? Pois é nunca tive!

Até hoje eu me pergunto porque as pessoas casam e a maioria diz que é para celebrar o amor, oficializar a relação, fazer a festa para a família, dar segurança para a mulher (ou para o homem etc). Minha experiência com casamentos não é boa. O casal do último casamento que eu fui em 2011 já está separado desde o ano passado e eles já moravam juntos há 5 anos.

As estatísticas não são boas para os casados. As mulheres muitas vezes querem o sobrenome do marido, às vezes a relação está acabando e resolvem tentar um casamento para tentarem dar um up na relação e tudo vai para o brejo.

Mas qual a diferença de morar junto e casar? No dia-a-dia nenhuma. Casados e não casados vivem basicamente os mesmos problemas e rotinas. E para ambos viverem felizes embaixo do mesmo teto por tanto tempo requer respeito, paciência e saber controlar o egoísmo. Não é fácil e crises acontecem.

Aqui na Suécia a diferença entre casamento e morar junto é apenas material, assim como no Brasil. O nome para as pessoas que moram junto, mas não são casadas é sambo. E o nome para veneno e casado é igual: gift sempre me questiono porquê hahaha!

No Brasil a coisa funciona exatamente do mesmo jeito para quem tem união estável(sambo) e para os que são casados (gift):
- união estável divisão parcial de bens na separação e você não é herdeiro obrigatório.
- Casamento divisão parcial de bens na separacão e você será sempre herdeiro necessário.

A separação da união estável sai de graça, sem a necessidade de advogado, enquanto no casamento é tudo mais caro e mais burocrático. Claro que a dor, os problemas emocionais são os mesmos.

Aqui na Suécia você não precisa nem casar nem ter filhos para viver junto com o seu amor legalmente. Basta vocês irem no Migrationsverket e dar a entrada nos papéis para o visto.